Arquivo mensal: agosto 2013

Os ateus e os espíritas

ateu

Por Nilton Santos

Membro do Núcleo Espírita Bittencourt Sampaio, no Recife. Matéria publicada no Jornal do Commercio de 10 de março de 2013.

O Segundo Encontro Nacional de Ateus realizado, recentemente, em Olinda e outras cidades brasileiras, defendeu o direito de não acreditar em deuses. São vítimas de discriminação: grupos religiosos semeiam a ideia de que pessoas sem religião não seguem valores morais e éticos. Pedro Paulo Guimarães, um dos organizadores do evento, reage: “tudo isso é ignorância e preconceito; os líderes religiosos associam ateísmo à maldade, como se todos os ateus estivessem prontos a cometer atrocidades.” E, categórico: “A capacidade de relacionar-se com outras pessoas, mantendo amizade ou afetividade, não depende de crenças religiosas ou da ausência delas. Somos solidários, cultivamos a amizade, o respeito, o amor. Celebramos a vida, a arte, o conhecimento, como qualquer pessoa que professe uma religião.” (JC, 17-2-2013).

Agora, um fato inusitado: dois padres católicos, um rabino e um pastor luterano participaram de ato ecumênico, em homenagem ao ilustre arquiteto Oscar Niemeyer, um ateu que ajudou a construir um mundo melhor, (JC, 8-12-12, páginas 11 e 12). Temos dito que o ateu de conduta digna tem mais mérito do que o religioso que não procede bem. Alguns não concordam, mas outros já toleram. Com o tempo, as pessoas vão mudando o modo de pensar e agir. O Deus severo dos antigos, que teve seu valor na época, tem uma nova visão com Jesus. “Sede, pois, cheios de misericórdia, como cheio de misericórdia é o vosso Deus” (Lucas, 6:32 a 36). E a lição do Bom Samaritano (Lucas, 10:25-37)?. Os antigos mandavam odiar os inimigos. Jesus recomendava amar e fazer o bem aos inimigos (Mateus, 5:43 a 47). Os ateus são irmãos nossos e merecem respeito!

Nos diversos segmentos da sociedade existem pessoas equivocadas e pessoas de bem. A Doutrina Espírita reconhece s valores humanos em toda parte. Vejamos alguns exemplos. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 28, no preâmbulo, início do item 1, encontra-se esta preciosidade: — Os Espíritos sempre disseram: “A forma não é nada, o pensamento é tudo. Faça cada qual a sua prece de acordo com as suas convicções, e de maneira que mais lhe agrade, pois um bom pensamento vale mais do que numerosas palavras que não tocam o coração.”

Na mesma obra, capítulo 17, item 3, tem o homem de bem um comentário importante em pouco mais de duas páginas, que começa afirmando: “O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza.” E, mais adiante: “O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque vê todos os homens como irmãos.”

Após valiosas considerações, arremata: “Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão às leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus.”

Na desencarnação (falecimento) de uma pessoa, como nós, espíritas, sabemos, existe um período de perturbação, que pode ser de algumas horas, meses ou muitos anos. Em O Livro dos Espíritos, na Segunda Parte, capítulo 3, que trata do retorno à vida espiritual, este tema está bem elucidado. Na questão 165, Kardec indaga:

O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração maior ou menor da perturbação?

“Uma grande influência, pois o espírito já compreendia antecipadamente a sua situação. Mas, a prática do bem e a pureza de consciência são o que exercem maior influência.”

Nota: O livro A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, completou 145 anos. Sugestão: ler e estudar.
 
 
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Curiosidades do mediunato de Divaldo P. Franco

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Por Washington Luiz Nogueira Fernandes

Quando Divaldo esteve na Guatemala em 1985, acorreram à sua palestra muitas pessoas, que lotaram o salão. Esteve presente uma senhora, que foi a responsável pela presença de muitos. Quando soube disso, curioso e através de um intérprete, Divaldo perguntou a ela por qual motivo ela levara tantas pessoas, ao que ela respondeu: Um Espírito me disse que levasse à palestra muitos necessitados para escutar um “emissário do Senhor”. Divaldo teve uma profunda emoção.

Quando Divaldo esteve em Angola, África, em setembro de 1971, para realizar palestras espíritas, ele conheceu um médium ancião que tinha ido ouvi-lo. Terminada a palestra, o ancião quis falar a Divaldo, confidenciando-lhe: Os Espíritos anunciaram-me, há alguns anos, que antes de eu morrer teria oportunidade de ver alguém trazer a Mensagem da Verdade a estas terras. E realmente a profecia se cumpriu.

Outro acontecimento no Exterior ocorreu em Salazar, África, em 1975, quando lá se encontrava para fazer palestras. Ele hospedou-se num prédio, em que havia uma escola e, em dado momento, por várias circunstâncias, acabou travando contato com a professora da escola. Havia cartazes anunciando a palestra de Divaldo à noite e quando Divaldo explicou que era espírita, ela logo perguntou se ele era o feiticeiro que diziam iria abalar a cidade. Surpreso, Divaldo disse que era somente um médium, que fazia preleções espíritas. Entendendo ou não, a professora acabou arrebanhando o prédio todo para a palestra.

Outro fato, que está registrado, ocorreu no Rio de Janeiro, em 1997, no Colégio Militar, presentes milhares de pessoas, num feirão pró-Mansão do Caminho. Uma senhora venezuelana, que estava passando em frente ao Colégio Militar, e não sabia o que estava acontecendo, e nem era espírita, ouviu uma voz que lhe disse: Entra e fala com o homem. Ela nada entendeu, mas quando viu faixas com o nome de Divaldo, pensou que devia ser ele de quem as vozes falavam. Então, entrou no feirão, encontrou com um organizador do evento e contou o que aconteceu. Ele lhe deu uma senha para falar com Divaldo. O certo é que ela estava com sérios problemas e necessitava urgentemente de orientações. Conseguiu falar com Divaldo e recebeu dele as orientações, que a deixaram muito refeita e reconfortada, graças a essa intuição espiritual.

Por fim, certa ocasião, um fato mais pitoresco. Em 1970, o voo atrasou e Divaldo estava em cima da hora para a palestra. Do aeroporto pegou um táxi e foi diretamente para a conferência. O motorista de táxi conduziu-o ao endereço e estava muito acabrunhado porque teve que substituir um colega, logo naquele dia que ele queria ouvir uma palestra de um baiano que disseram ter o diabo no corpo. Quando chegaram ao local, surpreso,o taxista disse que era naquele local que aconteceria a palestra a que se referira, ao que Divaldo retrucou: E sou eu o baiano que tem o diabo no corpo!!! O motorista acabou assistindo a palestra e tornaram-se amigos.

Fonte: Jornal Mundo Espírita – Fevereiro/2008

O argueiro e a trave no olho

Por que vês tu, pois, o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? Ou como dizes a teu irmão: Deixa-me tirar-te do teu olho o argueiro, quando tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeira a trave do teu olho, e então verás como hás de tirar o argueiro do olho de teu irmão. (Mateus, VII: 3-5)

Como ler o texto acima e não pensar em reforma íntima? É disso que fala a passagem evangélica. Trata também de nosso comportamento perante as imperfeições dos nossos semelhantes, nossos irmãos. Uma leitura apressada poderia sugerir que o Mestre Jesus condena qualquer conduta no sentido de apontar ou indicar a alguém alguma imperfeição sua, no campo moral, notadamente.

Será esse um raciocínio correto? Vejamos como Allan Kardec abordou o tema em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Cap. X – Bem-aventurados os misericordiosos, com esclarecimentos do Espírito São Luiz (item 19 e seguintes):

Ninguém sendo perfeito, seguir-se-á que ninguém tem o direito de repreender o seu próximo?
Certamente que não é essa a conclusão a tirar-se, porquanto cada um de vós deve trabalhar pelo progresso de todos e, sobretudo, daqueles cuja tutela vos foi confiada. Mas, por isso mesmo, deveis fazê-lo com moderação, para um fim útil, e não, como as mais das vezes, pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a repreensão é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda seja cumprido com todo o cuidado possível. Ao demais, a censura que alguém faça a outrem deve ao mesmo tempo dirigi-la a si próprio, procurando saber se não a terá merecido. – S. Luís. (Paris, 1860.)
Será repreensível notarem-se as imperfeições dos outros, quando daí nenhum proveito possa resultar para eles, uma vez que não sejam divulgadas?
Tudo depende da intenção. Decerto, a ninguém é defeso ver o mal, quando ele existe. Fora mesmo inconveniente ver em toda a parte só o bem. Semelhante ilusão prejudicaria o progresso. O erro está no fazer-se que a observação redunde em detrimento do próximo, desacreditando-o, sem necessidade, na opinião geral. Igualmente repreensível seria fazê-lo alguém apenas para dar expansão a um sentimento de malevolência e à satisfação de apanhar os outros em falta. Dá-se inteiramente o contrário quando, estendendo sobre o mal um véu, para que o público não o veja, aquele que note os defeitos do próximo o faça em seu proveito pessoal, isto é, para se exercitar em evitar o que reprova nos outros. Essa observação, em suma, não é proveitosa ao moralista? Como pintaria ele os defeitos humanos, se não estudasse os modelos? – S. Luís. (Paris, 1860.)
Haverá casos em que convenha se desvende o mal de outrem?
É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se toma apelar para a caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes. – São Luís. (Paris, 1860.)

Como bem explicou São Luiz, tudo é uma questão de intenção e modos de fazer. Enxergar em alguém suas imperfeições não está vetado, demonstrá-la ao seu detentor pode até ser um ato de caridade. Mas é necessário ter habilidade para tal, saber se será bem compreendido, buscando conhecer a pessoa e suas susceptibilidades (sensibilidade à crítica). Para tanto, algumas empresas e organizações ministram treinamentos aos funcionários, ensinando a arte da crítica bem feita, o famoso feedback. Imagine como seria difícil para uma instituição estimular o desenvolvimento e a evolução de seus funcionários se a crítica e o feedback fossem proibidos para evitar susceptibilidades?

Também faz parte desse aprendizado a auto-análise, buscar conhecer a si mesmo, procurar saber se a imperfeição que se quer apontar no outro também não se encontra em si mesmo (e quase sempre está lá), a fim de realizar a auto-crítica com amor, com indulgência, buscando compreender porque ela, a imperfeição, faz-se presente no íntimo. Fazendo isso, entendendo seus próprios processos mentais e psicológicos, algo possível se a auto-análise é sincera, abre-se a oportunidade chegar no próximo, apontar-lhe o cisco do olho com amor e compreensão.

Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o em particular; se te ouvir, ganhaste a teu irmão [Mateus 18:15]

Sem esse processo, é melhor nem arriscar a crítica, para não dar ensejo à mágoas e desentendimentos. É recomendável, antes de tudo, aprender a auto-análise e a autocrítica, dominar suas técnicas a contento e, quem sabe, fazer um curso de feedback (com certeza irá ajudar).

Uma crítica bem feita, com amor e compreensão, não magoa nem ofende, ao contrário, é sinal de verdadeira e sincera amizade.