Evoluir e amadurecer

E eu, irmãos, não vos pude falar como a [seres] espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, porque ainda sois carnais (I Cor., 3: 1-3)

Na primeira carta aos Coríntios, o Apóstolo dos Gentios deixa clara a necessidade de se compreender o momento em que se encontra o aprendiz, assim como em João 14: 26, o Cristo deixou claro aos discípulos que nem tudo pôde ser ensinado naquele momento e, portanto, ainda haveria o que ensinar.

Paulo de Tarso também percebeu que não podia falar aos irmãos de Corinto com a mesma clareza e transparência como conversava com outros discípulos e outros grupos já iniciados em certos princípios, da mesma forma que não se pode falar a uma criança como se fala a um adulto. Para deixar claras as razões de seu proceder, fez um paralelo, uma comparação, com o sistema digestório, demonstrando que as pessoas que ainda não desenvolveram suas capacidades de compreensão e entendimento das coisas do espírito não vão conseguir “digerir” certos conteúdos – como crianças… com leite vos criei…

A falta dessa percepção causa muitos transtornos que podem ser comparados a “indigestões psíquicas”, consistindo num mal-estar ou numa “confusão mental” decorrente do apressamento em “ingerir” certos conteúdos. Assim, como não se pode responsabilizar a uma criança que, deixada a só, ingere algo que seu organismo não suportará, não se pode responsabilizar àquele que na avidez por informação e conhecimento acaba por nutrir-se de elementos para os quais ainda não está apto.

É nesse ponto que se faz útil um orientador, alguém que lhe permitirá os primeiros passos com relativa segurança, indicando o “cardápio” seguro para o seu organismo espiritual em desenvolvimento. Isso explica e justifica a vida em sociedade, onde a cada um é dada a oportunidade de influir positivamente nas rotas evolutivas que a misericórdia de Deus nos oferece, de forma que tudo conspira no sentido do crescimento e da evolução espiritual de todos nós.

Ter vontade de voar para alcançar altitudes sempre mais elevadas é algo natural que trazemos dentro de nós como “instinto”, mas um plano de voo se faz necessário, assim como saber pousar em segurança.

Em “O Livro dos Espíritos”, q. 628, Kardec pergunta: porque a verdade não foi sempre posta ao alcance de todos? Os espíritos encarregados da missão de nos trazer as bases da doutrina espírita, responderam: “importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: o homem precisa habituar-se a ela, pouco a pouco; do contrário, fica deslumbrado.

Mas daí surge outro questionamento: que é a verdade?

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