As mães de Chico Xavier – O filme

maes_chico_xavier

A sensibilidade mediúnica não é boa nem má em si, depende da utilidade que o médium dê a ela. Alguns médiuns a canalizam para ganhar uns trocados, outros tentam fugir das percepções e fingem que nada sentem, há, porém muitos que tentam direcioná-la para ajudar aos outros. Independentemente da inclinação filosófica ou religiosa, o médium pode decidir ser instrumento dos bons espíritos, colocar-se à disposição para que o bem flua através da sua atuação. Foi assim pensando que o médium Francisco Cândido Xavier, no século passado, observando o sofrimento das pessoas ante a perda dos seus entres queridos, decidiu abrir a casa espírita que trabalhava para permitir-se receber relatos dos “mortos” que servissem de conforto para seus familiares e amigos. Deu certo. Milhares de pessoas, durante mais de cinco décadas, foram para Pedro Leopoldo e depois Uberaba, em Minas Gerais, na busca de uma carta de um filho, um pai, uma mãe, alguém amado. Quando havia merecimento das duas partes, o relato do “além” confortava o coração daqueles que ficaram no “aquém”. Na tentativa de elucidar o mecanismo afetivo-emocional das cartas consoladoras é que foi lançado o filme As mães de Chico Xavier.

O filme conta a história de três mães. A primeira sofre com o suicídio do filho viciado em drogas. A segunda tenta segurar a barra do casamento depois da morte de seu filho ainda criança. A terceira é uma quase-mãe que, por pouco, não cometeu  o abortamento. Carregado de muita emoção torna-se improvável não derramar lágrimas em algum momento da película. Mais do que emocionar, o filme trata de duas temáticas de interesse de todos: a sobrevivência após a morte e a possibilidade de comunicação dos espíritos.

Afora aqueles que creem que “morreu-acabou”, a maioria das pessoas, instintivamente, acredita serem indestrutíveis. O corpo se corroi, mas algo continua intacto. Uns chamam de espírito, outros de consciência, o que seja, tanto faz. O que Chico Xavier exercitou por tanto tempo, neste caso pelas cartas, foi estimular esta crença e consequentemente a esperança que a vida continua, de outro jeito, mas continua. Quantas famílias emocionalmente em pedaços foram reequilibradas? Quantos pais sem gosto de viver tiveram novo ânimo para tocar a existência? Quantos incrédulos reviram seus paradigmas da vida?

Um fato que somente os envolvidos sabiam, um apelido comum usado intimamente, um pedido de desculpas, uma confissão, uma situação desconhecida, uma palavra comumente dita, e tantas outras constatações reveladoras são provas inequívocas de que há algo de real atrás do véu de Ísis.

O sentimento, porém, das mães é indescritível. Um filho que volta antes da mãe é um pedaço dela extirpado de seu próprio corpo para muitas delas, até porque a maioria das mães defende que fossem elas primeiro do que as suas próprias crias, tamanho amor contido em seus corações, corações divinos de mãe.

Neste contexto da imortalidade do ser, convém lembrar a música de Milton Nascimento e Fernando Brant quando, como numa súplica, diziam para que “mande notícias do mundo de lá, diz quem fica, me dê um abraço venha me apertar, estou chegando. Coisa que gosto é poder partir sem ter planos, melhor ainda é poder voltar quando quero. Todos os dias é um vai-e-vem, a vida se repete na estação [Terra]. Tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais. (…). E assim, chegar e partir são só dois lados da mesma viagem [nascimento e morte]. O trem [espírito] que chega é o mesmo trem da partida. A hora do encontro [na espiritualidade e aqui] é também de despedida.

Até uma próxima oportunidade, então.

Carlos Pereira (texto publicado no Jornal do Commercio de 14-08-2011)
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s