Mas segui sempre o bem…

Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos. (I Tes., Cap. 5-15)

Paulo de Tarso, na carta enviada aos cristãos de Tessalônica, cidade grega construída em 316 a.C, relembra a lição do Cristo: o Amor.

A exortação é atualíssima, pois nos encontramos ainda envolvidos pela embriaguez da vaidade, submissos à ditadura do ego dominador. Carregamos inúmeros sinais das experiências primitivas do ser, resquícios da animalidade, diria Edgard Armond, dos tempos em que estagiamos nos processos de individualização, necessários à aquisição da autonomia, da consciência e do livre-arbítrio, habilitando-nos como corresponsáveis pelo que acontece em nosso redor.

Atingido o status de seres conscientes, somos levados à autopercepção – penso, logo, existo – que leva à autoanálise, a olhar para si e, como não poderia deixar de ser, ficamos maravilhados, extasiados e nos apaixonamos por nós mesmos. Deve ser um processo incrível, algo semelhante – guardadas as devidas proporções – ao que se passa com o personagem principal do filme “mãos talentosas” – que conta a história de Ben Carson – quando, ainda criança, descobre o que é imaginação.

Esse deslumbramento deve contribuir para a grande dificuldade que é lutar contra o egoísmo, o narcisismo e tudo o que nos leva a sermos vingativos e egocêntricos. No épico “Maabárata“, o personagem Arjuna vai à guerra e se vê diante do dilema de lutar contra seus amigos e parentes. Krishna, seu cocheiro e conselheiro na batalha, o esclarece e diz que ele deve não somente lutar contra eles, como também será necessário matá-los para vencer a guerra.

Essa é a dor de todo espírito em evolução, o dilema que todos precisamos superar, nossa guerra inevitável. Daí decorre nossa relutância em dar combate às imperfeições, em exercitar o desapego, em não ficar ofendido, não retribuir mal por mal, esforçar-se por ser sempre bondoso, mesmo com aqueles que nos machucam  e fazem sofrer.

Sabemos que a tarefa não é simples e que será longa a caminhada, porém, que isso não sirva de pretexto para ficarmos sentados à beira do caminho. Caminhemos sempre, apesar das nossas limitações, cultivando sempre o bem, seguindo sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos, tendo em Jesus Cristo nossa referência e nosso modelo.

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