Espiritualistas-materialistas?

O Forespe/2011 foi muito estimulante e emocionante. Poder ouvir de novo as colocações e ponderações de palestrantes deste e de outros estados, já era esperado; poder constatar que o movimento espírita continua produzindo talentos, talvez tenha sido a melhor impressão. O trabalho de seareiros como Clóvis Nunes, Frederico Menezes, Gezsler West e outros que já vão com mais de duas décadas dedicadas à doutrina espírita e a sua divulgação, está com a continuidade garantida, o futuro está garantido.

Entre esses novos talentos (pelo menos para nós), chamou a atenção as ponderações expostas pelo expositor Alexandre Simão. Não o conhecíamos, nem havíamos lido nada dele ou sobre ele. Causou uma positiva impressão, em razão das afinidades logo percebidas, o que pôde ser confirmado após os debates em que nos foi dada a oportunidade de participação.

Em sua palestra, destacou-se o que ele classificou de espiritualistas-materialistas. Falando especificamente dos espíritas, ressaltou o fato de quase sempre as casas espíritas que se envolvem com o trabalho de promoção social, o fazem seguindo os tradicionais modelos assistencialistas. Nessa maneira de conduzir as coisas, o cidadão que procura o Centro assume o papel de “assistido”, enquanto os que estão à frente da Casa e seus colaboradores se vêem como os “socorristas” que atendem aos “necessitados”.

Nesse modelo, o outro é visto numa relação vertical, de inferioridade, material ou moral. É alguém que precisa ser “socorrido” e “educado” e sua condição social é sempre vista como algo difícil de ser vencido. Simão deixou claro que pobreza não é problema, problema é a vida sem dignidade, sem respeito, sem perspectiva de crescimento.

Para Simão, os Centros Espíritas, seus dirigentes e colaboradores, terão muito a aprender se partirem para um relacionamento de coexistência e convivência, em que se coloquem uns aos lados dos outros, tarefeiro e frequentador, como pessoas em crescimento, em autoaperfeiçoamento, aptas a crescerem elaborando seus próprios valores, num processo de trocas em que ambos evoluem, sem aquele comportamento típico das classes melhor dotadas de recursos materiais, enfim, afastar-se da ideia fixa de  que as pessoas mais simples só têm necessidades.

Possamos refletir mais sobre o tema e buscar os esforços necessários à mudança de nossa forma de pensar, de sentir e de agir, não deixando de fazer o necessário autoexame: estou sendo um espírita-espiritualista ou espírita-materialista?

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