Tiago e as tentações

Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.

Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.

Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. – Tiago (1:12-14)

Tiago, o Menor, filho de Alfeu, irmão de outro discípulo, Judas (não o Iscariotes, mas Judas Tadeu), é autor de uma única epístola incluída na Bíblia, dividido em cinco capítulos (nas versões católica e protestante).

O outro discípulo de nome Tiago, irmão de João – o Evangelista – , ambos filhos de Zebedeu e Salomé, também é chamado “Tiago, o Maior”, a fim de diferençá-lo do primeiro Tiago, autor da epístola. Junto com seu irmão e Pedro, compunha o trio mais íntimo de Jesus de Nazaré.

Teria deixado um evangelho, mas é considerado apócrifo.

Entre as lições e exortações de Tiago, registradas em sua epístola, destaca-se a passagem em que fala das tentações.

Basicamente, Tiago nos mostra que, ao contrário do senso comum, a tentação é positiva para nossa evolução. Sem as tentações não tomaríamos consciência das nossas verdadeiras aquisições no campo moral, não saberíamos a nossa real posição evolutiva. A tentação, portanto, seria inerente a nossa condição evolutiva e não uma imposição divina, ou seja, ele deixa claro que a tentação não vem de Deus, decorre mesmo de nossas imperfeições, vícios e defeitos morais.

Um espírito que já conquistou o autocontrole e o domínio de suas paixões, em uma determinada situação em que a maioria das pessoas se sentiria como “tentada”, para ele é apenas um fato, um acontecimento sem maiores consequências.

As situações da vida em que podemos nos sentir tentados são muitas, podem variar ao infinito.

Tomemos o seguinte caso hipotético: no trânsito, após cometer uma infração e ser flagrado pelo agente de trânsito, este insinua uma “maneira” de resolver a situação.

No caso hipotético acima, muitos se sentirão tentados a aquiescer, porém vão resistir, superando a imperfeição moral. Haverá aquele em que a ideia de praticar o ilícito sequer será cogitada e provavelmente se sentirá profundamente ofendido com a insinuação. No entanto, permanece a possibilidade de que um terceiro, imediatamente ou após construir mentalmente suas “justificativas”, não veja problema algum em aceitar a oferta, afinal a multa pela infração é bastante pesada e o dinheiro “economizado” poderá ser utilizado de forma mais inteligente.

Pois bem, um cristão verdadeiramente comprometido com os valores que Cristo nos ensina jamais concordará em ter parte com o ilícito. Jesus é o exemplo, o modelo, e não simplesmente um símbolo ou divindade que se cultua à distância. Um verdadeiro cristão se esforça para sentir o Cristo, principalmente nas horas difíceis em que as tentações batem à porta e mesmo que venha a fraquejar não tardará em sentir-se arrependido suplicando do Alto forças para recomeçar.

Para finalizar, citamos mais algumas palavras de Tiago, para nossa reflexão:

E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.
Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural;
Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era.
Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. – Tiago (1:22-25)
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