2012 e a Profecia Maia

Já faz alguns anos que ouvimos e assistimos a reportagens tratando do ano de 2012 e que virou até título de filme hollywoodiano. Numerologia, Astrologia, Astronomia, Geologia e diversos outros ramos do conhecimento humano têm posto suas cotas de contribuição sobre o tema. O motivo disso tudo é a tal “Profecia Maia”. A Civilização Maia floresceu e se desenvolveu na região hoje correspondente à América Central. Povo e cultura que praticamente se extinguiram com a chegada dos europeus às Américas, sendo encontrados nos dias hoje apenas fragmentos e resquícios misturados às aquisições culturais decorrentes do intercâmbio com os conquistadores espanhóis (principalmente no campo religioso, com a assimilação da doutrina católica).

Segundo estudiosos, os Maias teriam surgido em torno do ano 1000 a. C., atingindo seu auge entre 250 e 900 d. C. Estudos recentes de arqueologia revelaram uma civilização relativamente avançada, até para os padrões europeus (ao que parece não eram lá muito desenvolvidos em arte e ciência bélicas, tanto que foram quase dizimados). Seguiam um calendário baseado no movimento solar, considerado altamente preciso, algo que a Europa só alcançou em 46 a. C. com o calendário juliano, instituído por Júlio César, corrigido e aperfeiçoado diversas vezes, chegando no século XVI ao atual calendário gregoriano, instituído em 1582, pelo Papa Gregório XIII, o qual demorou mais de três séculos para ser plenamente adotad (curiosamente, a adoção deste calendário pela Suécia foi tão problemática que até gerou o dia 30 de fevereiro. Nos países de tradição religiosa diversa – hindu, muçulmano, budista, católico ortodoxo etc. – demorou mais ainda. Na China, em 1912, Na Bulgária, 1917, na Rússia em 1918, na Romênia em 1919, na Grécia em 1923 e na Turquia em 1927).

Bom, voltemos à tal profecia, que, na verdade, não existe. O que existem são interpretações baseadas no modo peculiar como os Maias contavam o tempo. Tudo começou quando, em 1957, o astrônomo Maud Worcester Makemson escreveu que “a realização do Grande Período de 13 b’ak’tuns será da maior importância para os maias.” O b’ak’tun’ é o nome que se dá aos ciclos no calendário Maia e que, segundo este, o 13º ciclo deverá completar-se no solstício de inverno de 2012 (verão para nós, sulamericanos).

Nove anos depois, Michael D. Coe, mais ambiciosamente, afirmou que o “Armageddon degeneraria todos os povos do mundo desde a sua criação, e que no dia do décimo-terceiro e último b’ak’tun, o universo seria aniquilado, no dia 24 de dezembro de 2012 (depois revisada para 23 de dezembro de 2012) quando o Grande Ciclo da contagem chega a sua conclusão.” Pronto! Estava lançada a teoria da “Profecia Maia”, misturando-se às crenças católicas, e de outras culturas, cabendo à mídia e às editoras – sequiosas por vendas – realizarem o trabalho de massificação.

A ideia de um evento mundial que ocorreria em 2012, baseado em qualquer tipo de interpretação do calendário de contagem longa, é rejeitada e considerada como pseudociência pela comunidade científica internacional. Susan Milbrath, curadora de Arte e Arqueologia Latino-Americana no Museu de História Natural da Flórida, declarou: “nós não temos nenhum registro ou conhecimento de que [os maias] pensavam que o mundo chegaria ao fim em 2012”. “Para os antigos maias, isso era uma grande celebração que seria feita até o fim de um ciclo”, diz Sandra Noble, diretora executiva da Fundação para o Avanço dos Estudos Mesoamericanos em Crystal River, Flórida, Estados Unidos. A escolha de 21 de dezembro de 2012 como o dia de um evento apocalíptico ou de um momento cósmico de mudança, diz ela, é “uma completa invenção e uma chance de lucro para muitas pessoas.” “Haverá um novo ciclo”, diz E. Wyllys Andrews V, diretor do Instituto de Pesquisas Mesoamericanas da Universidade de Tulane, em Nova Orleans, Louisiana. “Nós sabemos que os maias pensavam que houve um antes, o que implica que eles estavam confortáveis com a ideia de um outro depois.”

Portanto, tais teorias apocalípticas não têm qualquer fundamento, seja na tal “Profecia Maia”, seja em outra profecia qualquer. Que a vida é feita de ciclos, isso ninguém duvida, estão por toda a parte: o ciclo das estações, os ciclos lunares, os ciclos solares, o ciclo da vida – nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. Logo, cabe a quem busca crescer espiritualmente, compreender que a vida não se limita a comer, dormir, acordar… A intensa preocupação com catástrofes, cataclismos e quejandos, demonstra como ainda enxergamos a vida de forma imatura. Já aconteceu antes. A história registra esse “fenômeno coletivo” que se repete de tempos em tempos. Foi assim na virada do segundo para o terceiro milênio. Na virada do primeiro para o segundo. Na virada do primeiro. E por aí vai… (publicaremos outros posts sobre este tema, especificamente.)

Busquemos na razão o apoio para a paz de espírito lastreada numa fé que não vacila e não se deixa levar por boatos, que cria as condições para o amadurecimento espiritual e moral. Muito se tem dito acerca da necessidade de crescermos espiritualmente através do desenvolvimento do sentimento e da educação do sentir. Concordamos. Mas, de outro lado, muitos alimentam medos e pavores baseando-se em crenças desprovidas de qualquer fundamento, o que se mostra contraditório; pois, como pode alguém educar e desenvolver seus sentimentos e evoluir espiritualmente se sua mente está aturdida por cenas apocalípticas povoadas de criaturas fantásticas que vêm espalhar pela face da terra terror e destruição? Por “alertas” e “avisos” que mais apavoram do que esclarecem? Será que Jesus concordaria com algo desse jaez?

Então, que neste ano que se inicia – pelo menos segundo o calendário gregoriano – possamos chegar mais perto do equilíbrio entre o pensar e o sentir,  a fim de agir de forma menos desequilibrada. Possamos compreender a Lei do Progresso que nos impele para frente e para o alto e tomemos consciência de que o “frio na barriga” é natural diante dos desafios do crescimento. Deixemos as teorias fantásticas de lado (lembrando que para o Espiritismo, o fantástico não existe, em seu significado comum) e busquemos caminhar confiantes de que Jesus, Guia e Modelo, estará sempre ao nosso lado, e que não está em Seus planos povoar nossos corações e mentes de medos e pavores.

Se você acredita e confia no Mestre Amoroso, sabe que o ano que se inicia será primoroso, será um ano de crescimento e aquisições, e também de superação das dificuldades, sem significa que estejamos isentos das dores que lhes são inerentes.

Não há progresso sem dor! É a oração diária dos atletas. Achamos que eles estão com a razão.

Fontes:
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