Apocalipse

O tempo está próximo!

A palavra é de origem grega – apokálypsis – e significa “revelação”. Já no sentido literal quer dizer “tirar o véu”. O mais conhecido e comentado pelo mundo ocidental, atribuído a João – discípulo de Jesus –, tem dado margem a inúmeras interpretações, graças à linguagem simbólica fartamente utilizada.

Diante de momentos difíceis, que normalmente antecedem grandes transformações, quando as pessoas se veem em situações extremas, surgem mensagens – revelações – visando preparar-lhes os espíritos para as dificuldades que se anunciam e fortalecê-las através da renovação da fé e da esperança.

Uma coisa é fato já aceito pela maioria: o apocalipse de João foi escrito quando ele esteve preso na ilha de Patmos, no auge da perseguição aos cristãos perpetrada pelo Império Romano.

Segundo alguns estudiosos, a besta citada no apocalipse seria o imperador Nero e o número a ela atribuído – 666 – seria uma maneira velada de citar o nome do imperador. Isso sugere o clima no qual foi escrito, aliás, como ocorreu com outros apocalipses. Essa linguagem, porém, não foi utilizada somente com o propósito de desviar-se da perseguição religiosa, também decorre do fato de João – e os profetas – ter relatado o que viu e ouviu, não com os olhos e ouvidos físicos – do corpo –, mas em espírito (Ap. 1:10).

Tem outros apocalipses? Sim, se tomarmos a palavra em sua acepção: revelação. Por exemplo, em Daniel 9 – da mesma forma como fez João, descrevendo “bestas simbólicas” – foi escrito quando os hebreus enfrentavam as agruras do exílio na babilônia e Daniel tratou de alertá-los para as dificuldades que haveriam de recrudescer, mas que tudo isso seria passageiro, pois a liberdade e o fim do tempo de sofrimento estavam próximos.

As revelações que vêm do mundo espiritual, através de espíritos de elevada moral e conhecimento, sempre se dão com os cuidados necessários ao respeito às leis divinas, entre as quais, a lei de liberdade (Livro dos Espíritos, Cap. X), da qual decorre o livre-arbítrio. A linguagem simbólica dá à revelação uma inexatidão que é salutar, pois se recebêssemos todo o roteiro pormenorizado do que devemos e precisamos fazer e sobre o que há de acontecer em nossas vidas, ficaríamos todos numa passividade que só serviria para atrasar nossa evolução (L. E., Pergunta nº 870); afinal, faz parte do evoluir ter o mérito das escolhas feitas (L. E., Pergunta nº 262).

O “final dos tempos” a que se refere o apocalipse não significa fim do mundo, é uma ilação equivocada. A esse respeito escreveu São Jerônimo que “não veremos outros céus e outra terra, mas os velhos e os antigos mudados para melhores”. Portanto, o apocalipse aponta para a mudança, o fim de um mundo velho, de velhas práticas, de velhos valores, de velhos hábitos, muitos dos quais destrutivos e insanos. Esse mundo velho morrerá, como muitos outros já morreram, para renascer como um mundo novo, uma nora era, mais aperfeiçoado, mais condizente com os – e por causa de – habitantes (espíritos) que já estão por aí reencarnados, e mais estarão reencarnando, a fim de estimular a mudança.

Então, se não estamos entre esses espíritos especialmente encarregados de encarnar na Terra para servirem de catalisadores do processo de transição, sejamos aqueles que atenderão ao chamado e ao apelo do nosso Divino Modelo, Jesus Cristo, que esses espíritos vêm transmitir.

Estejamos de olhos e ouvidos abertos, assim como de mangas arregaçadas, com sincero propósito de renovar em nós mesmos os hábitos, os valores e as práticas, para que o mundo ao perceber nossa mudança também seja contagiado, considerando que “você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo”.

Oxalá, chegue logo o mundo novo!

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