Há Espíritos?

Pergunta esquisita para um blog espírita, não?

A realidade espiritual é a base fundamental desta crença. Sem acreditar que a vida continua para além da morte (já que a expressão “vida após a morte” soa-nos contraditória) a conversa nem começa, a doutrina espírita e as religiões em geral sequer existiriam. Não por acaso, Allan Kardec inicia “O Livro dos Médiuns” com esta questão:

há espíritos?

Vejamos, então, as razões expostas para esse questionamento:

A dúvida, no que concerne à existência dos Espíritos, tem como causa primária a ignorância  acerca  da  verdadeira  natureza deles.  Geralmente,  são  figurados  como seres à  parte  na  criação  e  de  cuja  existência  não está  demonstrada  a  necessidade. Muitas pessoas,  mais  ou  menos  como  as que só conhecem  a  História  pelos romances, apenas os  conhecem  através  dos  contos fantásticos com  que  foram acalentadas em criança.
Sem  indagarem  se  tais  contos,  despojados dos  acessórios  ridículos, encerram algum fundo de verdade, essas pessoas unicamente se impressionam com o lado absurdo que eles revelam. Sem se darem ao trabalho de tirar a casca amarga, para achar a amêndoa, rejeitam o todo, como fazem, relativamente à religião, os que, chocados por certos abusos, tudo englobam numa só condenação.
[…]
Assim, pois, os Espíritos não são senão as almas dos homens, despojadas do invólucro corpóreo. Mais hipotética lhes seria a existência, se fossem seres  à parte. Se, porém, se admitir que há almas, necessário também será se admita que os Espíritos são simplesmente as almas e nada mais (L.M., Cap. I).

Os espíritos não são seres criados à margem, são simplesmente pessoas, não no sentido jurídico-legal, mas suas consciências que sobrevivem ao desfazimento do veículo físico, o corpo carnal. Conservam, mais ou menos: traços de personalidade, bagagem intelectual, gostos, opiniões, afeições, aspirações, qualidades e imperfeições. Assim é, geralmente. Logo, não se deve dar mais crédito, ou esperar deles, mais do que se faria em relação a uma pessoa encarnada. Aí reside a causa de muitos equívocos e enganos. Os incautos, ainda que de boa-fé em maioria, acabam adentrando o chamado “mundo invisível” sem se darem conta primeiro de como são as coisas, como se dão essas relações, quais leis as governam. Por isso que Allan Kardec fez publicar “O Livro dos Médiuns“.

A natural ansiedade humana faz com que muitos queiram travar contato com os que vivem “do lado de lá” sem primeiro entender a utilidade e o valor desse intercâmbio. Muitos questionam: se são só pessoas, para que falar com eles, ter relações? Responderemos, questionando: por que nos relacionamos? Por que sentimos necessidade de iniciar aquela conversa com o vizinho ou com alguém que também aguarda na fila de um banco? Para e por que nos relacionamos uns com os outros das mais variadas formas, como são exemplos as redes sociais que tomaram conta da internet? Sem querer generalizar, isso decorre de uma qualidade, ou característica, nossa: o ser humano é um “ser de relação”. Sem os relacionamentos, perdemos o que nos faz “seres humanos”.

Lembram do filme “O náufrago“, com o ator Tom Hanks? Pois bem, o personagem agindo instintivamente, para não enlouquecer, fez de uma bola um companheiro – Wilson -, com quem conversava todos os dias… A cena nos remete aos pintores rupestres. Não terá sido alguma dessas pinturas obra de um caçador que, desgarrado do grupo, vendo-se a só e desprotegido, buscou “companhia” nas imagens traçadas na rocha e hoje encontradas em diversas grutas pelo mundo afora? Imaginam a alegria de um caçador primitivo, solitário, muitas vezes acuado pelo medo, adentrando uma caverna qualquer e encontrando pinturas feitas por outras pessoas?

Uma pergunta: você, leitor, ao deixar o corpo, continuaria ou não sendo um ser de relações? Se a vida não cessa com a morte, não gostaria de continuar podendo cultivar hábitos, adquirir novos, fazer amizades, conhecer pessoas com e sem corpo físico?

As relações entre os dois mundos, o visível – esse em que vivemos atualmente – e o invisível, só reforçam a solidariedade e a interdependência que existem entre os seres humanos no Universo – isso porque sabemos que a humanidade não se restringe ao nosso pequeno planeta azul.

Influenciamos uns aos outros em praticamente tudo e essas relações não se estancam com a morte. Os habitantes desse mundo, que estamos pouco a pouco conhecendo e compreendendo como funciona, não estão fazendo mais do que exercer um dos nossos “instintos humanos” mais básicos: ter relações.

O que mais motiva os espíritos a buscarem o relacionamento com os que ficaram, principalmente aqueles que denominamos superiores, é o sentimento de solidariedade e de compaixão para com nossos padecimentos, nossas misérias, nossas dúvidas, nossos desesperos, nossas angústias.

Vindo até nós, querem, e têm conseguido, dar-nos provas de que somos seres imortais vivendo uma experiência nisto que chamamos matéria.

Levar consolo, renovar a esperança e a fé no futuro, desvanecer as dúvidas, demonstrar a importância da fraternidade e do amor para alcançar a libertação de tudo o que nos aflige, são alguns de seus objetivos. Porém, eles não são perfeitos, como imaginamos ou queremos acreditar. Também têm dúvidas, angústias e, como nós, também sentem necessidade de renovação constante, o que alcançam sendo úteis.

Emmanuel, guia espiritual de Francisco Cândido Xavier, escreveu, na obra que leva seu nome, as seguintes linhas:

Os guias invisíveis do homem não poderão, de forma alguma, afastar as dificuldades materiais dos seus caminhos evolutivos sobre a face da Terra.
O Espaço está cheio de incógnitas para todos os Espíritos.
Se os encarnados sentem a existência de fluidos imponderáveis que ainda não podem compreender, os desencarnados estão marchando igualmente para a descoberta de outros segredos divinos que lhes preocupam a mente.

As palavras de Emmanuel decepcionam muita gente. Normalmente, busca-se entre os espíritos conceitos infalíveis, fórmulas fantásticas que pretendem curar os mais diversos males físicos, sugestões para bem conduzir os negócios, revelações bombásticas sobre o futuro, o segredo para a paz mundial e assim por diante.

E quem procura, acha! Diz o dito popular. Por isso, não faltarão espíritos “pretensamente superiores” que atenderão a tais chamados e muitos dirão e farão crer que estão fazendo o bem e dizendo a verdade.

Questionemos, porém: é fazer o bem comprometer o desenvolvimento e a evolução de alguém?

Há espíritos?

Para nós, sem dúvida! Essa certeza encontramos principalmente nas obras básicas do espiritismo. Por isso, recomendamos:

Leiam “O Livro dos Médiuns“!

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