O alvorecer de uma nova era

Muitos escritos têm sido publicados sobre o que se convencionou denominar “nova era”.

Entre os textos que tratam do assunto, alguns são dotados de profunda sobriedade, outros nem tanto. Entre os primeiros, merece ser destacado o Capítulo XVIII do livro “A Gênese”, publicado por Allan Kardec.

Em breves linhas, com a sobriedade que lhe era peculiar, A. Kardec resumiu o ensino geral dos espíritos, demonstrando o que vem a ser a tal “nova era”:

O progresso da Humanidade se cumpre, pois, em virtude de uma lei. Ora, como todas as leis da Natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é efeito dessas leis resulta da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Quando, por conseguinte, a Humanidade está madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus, como se pode dizer também que, em tal estação, eles chegam para a maturação dos frutos e sua colheita (A Gênese, Cap. 18.2)

É fato que a humanidade vem dando sinais de “maturação”. O progresso intelectual e científico é um deles, pois, conforme resposta dada pelos espíritos, o progresso moral decorre do progresso intelectual (L.E., p. 780).

Muitos podem até discordar dessa afirmação, mas a argumentação é convincente e na resposta seguinte conclui-se dizendo que o progresso intelectual gera a compreensão do bem e do mal e o desenvolvimento do livre­-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.

Outros sinais podem ser percebidos no amadurecimento das instituições, nos movimentos pela transparência e pela ética nas relações humanas, nos movimentos supranacionais que visam a adoção de regimes de governo mais participativos e na pressão crescente pela valorização do ser humano, principalmente no seu aspecto espiritual.

Não contente, A. Kardec questiona o porquê de existirem povos instruídos e ao mesmo tempo corrompidos. A conclusão da resposta não deixa dúvidas: o progresso completo é o objetivo. O ser humano pode até se utilizar da inteligência para fazer o mal, mas isso ocorre por força de um senso moral pouco desenvolvido. O moral e a inteligência são duas forças que só se equilibram com o tempo

Para concluir, citamos mais uma vez o livro “A Gênese”, na passagem na qual Allan Kardec deixa claro para quem quiser “ver” que a nova era não é resultado de uma imposição divina, pela qual a humanidade passará por uma transformação “mágica”, mas uma consequência natural da evolução:

A Humanidade tem realizado, até ao presente, incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral. Não poderiam consegui-lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas, restos de outra idade, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave. Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho (A Gênese, Cap. 18.5).

 

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