Espíritos Superiores, Guias e Mentores

Os espíritos superiores, também denominados guias espirituais ou mentores, são guias e superiores em quê?

Percebe-se grande confusão entre espíritas, simpatizantes e críticos do espiritismo quanto à compreensão que se deve ter acerca da expressão “espíritos superiores” ou “guias espirituais”.

O senso comum apontará no sentido de que tais espíritos integram algo como uma hierarquia superior e, como tal, os que se encontram “abaixo” lhes devem respeito e um certo temor reverencial. No entanto, segundo a codificação espírita não é bem assim.

Abordando o tema, ao comentar “O Livro dos Espíritos”, Miramez – espírito que já tem considerável volume de textos e livros presentes em praticamente todo centro espírita dotado de razoável biblioteca – registrou apontamentos em sua obra “filosofia espírita” que valem a pena ser transcritos:

Somos todos iguais, sabemos disso, porém, situados em lugares diferentes e com idades variáveis diante do Nosso Pai. Somos como frutos da grande árvore, Deus, e como os frutos de uma árvore não amadurecem de uma só vez, assim são os Espíritos, mas nenhum se perde. Como filhos de um Pai de amor, não haverá órfãos.
Novamente falamos em escala espírita, para teres uma ideia e te esforçares no aprimoramento, cultivando todas as virtudes e desenvolvendo todos os dons do saber. O que interessa ao espírito já consciente da verdade é se libertar da ignorância, porque onde existe ignorância, existem dor e problemas sem conta.

Allan Kardec, visando esclarecer a classificação adotada, deixou o seguinte comentário: a classificação dos Espíritos se baseia no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que ainda terão de despojar-se. Esta classificação, aliás, nada tem de absoluta. Apenas no seu conjunto cada categoria apresenta caráter definido.

Observa-se, portanto, que nós mesmos podemos ser tidos como superiores em relação a espíritos ainda muito primitivos, iniciantes no processo evolutivo, assim como há outros que vão a nossa frente e que, neste momento, poderão ser considerados superiores e servirem de guias ou mentores. Essa condição, aliás, não lhes dá quaisquer privilégios sobre os demais, trata-se tão somente de um encargo que assumem, como um orientador, um preceptor. A ascendência que podem exercer decorre tão só de suas qualidades morais, sem quaisquer intenções de controle ou domínio.

Não faz sentido, portanto, a submissão que por vezes se vê alhures, por parte de médiuns e frequentadores de centros espíritas. Paradoxalmente, críticos da doutrina espírita acreditam que deva ser assim, demonstrando que muitos não estudaram a doutrina o suficiente para uma análise acurada.

Os espíritos ditos guias e mentores não são perfeitos (como ensinam os Espíritos superiores, o exemplo de perfeição que Deus nos oferece para nossa inspiração é Jesus), podem ser mais experientes, vividos, situação que lhes credencia ao encargo. No entanto, isso não os torna senhores absolutos da verdade, infalíveis. Podem, e normalmente isso ocorre, ter seus próprios sistemas e crenças e serve de exemplo o próprio Emmanuel que através da psicografia de Chico Xavier, na obra “O Consolador“, defendeu a crença na teoria das “almas gêmeas“, tendo, porém, a humildade de ressalvar tratar-se de sua opinião particular, afinal chocara-se com a posição da maioria dos espíritos registrada em “O Livro dos Espíritos“, segundo entendimento da editora responsável pela publicação do trabalho.

Portanto, os espíritos superiores, guias e mentores cumprem papel relevantíssimo na evolução da humanidade, através da inspiração de bons propósitos e valores que buscam dignificar a condição humana, não estando entre suas atribuições resolver os problemas que são nossos, proteger-nos dos acontecimentos que se fazem necessários ao nosso crescimento e acúmulo de experiências. Eles não são infalíveis, ainda têm imperfeições a burilar, podem ser bastante evoluídos em um aspecto e serem ignorantes em outro, competindo a nós que nos propomos ao intercâmbio com esse mundo o cuidado de saber separar o que é da opinião geral, apto a ser considerado como tal, das opiniões ou sistemas particulares, ainda que incontestavelmente bem intencionados, para não cairmos em equívocos que poderão criar transtornos à nossa caminhada evolutiva.

Como saber? Qual a bússola que aponta a rota segura? A resposta é: estudemos as obras básicas da doutrina espírita!

Portanto, recomendamos a você, leitor, que procure um centro espírita que dá primazia à codificação espírita (pois assim deve ser uma casa que se propõe ser espírita) e a põe no seu devido lugar, na base, e, antes de tudo, não se contente com interpretações prontas, nem com “resumo dos resumos”; busque você, através do esforço próprio, a compreensão dessa doutrina que lhe ajudará na compreensão de suas dificuldades íntimas, de seus pensamentos, de suas dúvidas e sentimentos muitas vezes conflituosos.

Antes de mais nada, seja questionador! Isso se a meta de desenvolver as asas que permitirão sair da posição de imaturidade e ignorância em direção à luz estiver nos seus planos. O tempo e o esforço investidos valerão à pena, não tenha dúvida.

Bons estudos!

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