Perguntas dirigidas aos Espíritos

No Capítulo XXVI de “O Livro dos Médiuns”, Kardec aborda a complexa questão do diálogo com os Espíritos.

Na introdução, o Codificador cuidou de tecer comentários que podem ser considerados como um manual ético e técnico dessa atividade que deve ser algo comum nos Centros Espíritas, considerando que um dos pilares da Codificação é justamente a comunicabilidade com os Espíritos.

Conforme descrito na obra “Estudando o Livro dos Médiuns“, editado pela LEAL – Livraria Espírita Alvorada – Kardec destaca dois aspectos: a forma e o fundo. Quanto à forma, aconselha clareza e precisão, evitar temas complexos e ordenar as perguntas. Quanto ao fundo, destaca que a natureza da pergunta pode ser a causa de uma resposta falsa ou verdadeira, ou seja, aquele que indaga deve bem formular sua pergunta, com clareza, demonstrando a razão do esclarecimento de que necessita.

No tempo de Kardec e nos anos seguintes ao surgimento da Doutrina Espírita, a necessidade de buscar esclarecimentos junto aos Espíritos era grande, considerando que a nova doutrina estava nos seus primeiros anos, fixando suas bases.

Atualmente, o banco de dados de que já dispõe a doutrina espírita, através de obras psicográficas ou não, já constitui farto acervo para quem se dispõe à pesquisa séria e comprometida, sem esquecer do próprio Evangelho de Jesus, que constitui inesgotável manancial de sabedoria e de rotas seguras para o direcionamento de nossas atitudes.

O diálogo com espíritos nos dias atuais deveria se pautar mais pela mútua colaboração, seja no socorro aos desencarnados em perturbação, seja em diálogos fraternos com mentores que muitas vezes se fazem presentes para lembrar-nos das lições evangélicas que temos dificuldade em fixar.

Quanto à qualidade das perguntas, encontramos a seguinte passagem: “os Espíritos sérios sempre respondem com prazer às que têm por objetivo o bem e os meios de progredirdes. Não atendem às fúteis.

Isso pode parecer um desestímulo, pois sempre ficará alguma dúvida quanto à qualidade de um questionamento. No entanto, devemos ter em conta que o que mais vale para os Espíritos é a intenção séria e sincera de obter instrução, de outra forma, aprender. Ao contrário do que pode parecer, os guias espirituais da humanidade jamais iriam reprimir o ato de questionar, ato inerente a quem tem consciência da própria ignorância e sente necessidade de progredir. O que não aprovam são questões que envolvem problemas particulares, da vida do cotidiano, sobre vidas passadas, sobre o futuro, sobre relacionamentos amorosos e assuntos de domínio geral, ou seja, não estão aí para servirem de consultores.

Não se pode perder de vista que a comunicabilidade com os espíritos têm um propósito sério, que é o progresso do ser humano em suas múltiplas potencialidades. Jamais façamos dessa possibilidade um meio de satisfação da curiosidade ou de obtenção de vantagens ou facilidades indevidas.

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