A morte do justo

“A morte do homem de quem vos ocupais neste momento foi a de um justo, isto é, acompanhada de calma e de esperança. Assim como o dia sucede naturalmente à aurora, a vida espírita sucedeu, para ele, à vida terrestre, sem abalos, sem dilaceramento, e seu último suspiro foi exalado num hino de reconhecimento e de amor. Bem poucos atravessam assim essa rude passagem! Bem poucos, após os entusiasmos e os desesperos da vida, concebem o ritmo harmonioso das esferas!
Assim como o homem saudável, mutilado por uma bala, ainda sofre dos membros dos quais está separado, a alma do homem, que morre sem fé e sem esperança, se dilacera e palpita ao ir se escapando do corpo, e se lançando, inconsciente de si mesma, no espaço.
Rogai por essas almas perturbadas; rogai por todo aquele que sofre; a caridade não está restrita à humanidade visível: ela socorre e consola também os seres que povoam o espaço. Tendes a prova tocante desse fato pela conversão tão inesperada desse espírito, comovido pelas preces feitas junto ao túmulo do homem de bem, que deveis interrogar, e que deseja vos fazer progredir no bom caminho. O amor não tem limites; ele preenche o espaço, dando e recebendo alternadamente suas divinas consolações. O mar se desenrola numa perspectiva infinita; seu limite parece confundir-se com o céu, e o espírito está deslumbrado pelo magnífico espetáculo dessas duas grandezas. Assim é o amor, mais profundo que as ondas, mais infinito que o espaço, ele deve reunir a todos, vivos e espíritos, na mesma comunhão de caridade, e realizar a admirável fusão do que é finito e do que é eterno.

Pelo Espírito Georges, em “O Céu e o Inferno”
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