A maldição de Amélia

O título* nos faz pensar e imaginar que se refere a um filme de terror; entretanto, com certeza, se refere a um filme, mas, não de terror, e sim de mais uma história que nos exibe o que não é visível aos olhos corporais, porém, apenas, para aqueles dotados de uma mediunidade específica, “a vidência”.

Retrata a luta inconsciente de um espírito, que se mantém ligado ao corpo material, por não compreender e aceitar, e ao mesmo tempo temer a travessia para o outro lado, ou seja, o plano espiritual. E nesta luta, ele vive com a consciência voltada ao passado, praticando e fazendo tudo como antes, sem ter noção do que estar a acontecer realmente ao seu redor. Não é um filme de rápida assimilação, pois no seu decorrer, passamos o tempo todo tentando analisar e compreender certos procedimentos dos personagens para se chegar a uma conclusão lógica, plausível e coerente com o a doutrina espírita. E isso faz com que ele nos mantenha presos até a última parte; quando a luz da compreensão se faz para nosso entendimento, tirando e dando fim as nossas dúvidas e questionamentos. Quanto à questão do título, A maldição de Amélia, com certeza, está em contradição com a história. Quem assistir verá.

E para tanto nos faz necessário explicar determinados procedimentos, sem interferir na supresa do filme.

– Que espera o homem desencarnado, diretamente, nos seus primeiros tempos de vida de além-túmulo? A alma desencarnada procura naturalmente as atividades que lhe eram prediletas nos círculos da vida material, obedecendo aos laços afins, tal qual se verifica nas sociedades do vosso mundo.

– A morte violenta proporciona aos desencarnados sensações diversas da chamada “morte natural”? Quase sempre, em tais circunstâncias, a criatura não se encontra devidamente preparada e o imprevisto da situação lhe traz emoções amargas e terríveis. (Livro ‘O Consolador’)

Foi o que aconteceu com os personagens do filme, e o que geralmente acontece com a maioria de nós quando desencarnados.

Estamos sempre nos preparando para festas, viagens, passeios, divertimentos e atividades de lazer; preocupamo-nos com o nosso futuro, nosso trabalho, nossos negócios, e tudo mais que a vida pode nos oferecer e dar; e o que também dela podemos tirar. Mas, quando a nossa porta bate a doença, vem logo o desespero, a aflição e a angústia; e quanto à morte! Ah! O nosso despreparo, muitas vezes, é lamentável; quando deveria ser consciente, pois, sabemos que tudo na vida tem um começo e um fim. O que não se acaba, e não podemos deixar, são as lembranças, as histórias que devem ser descritas no limiar dos anos por todos nós, mantendo vivias as tradições, não só das famílias, como também, da nossa cidade, do nosso País.

É primordial salientar que a cartomancia descrita no filme, pode enquadrar-se nos fenômenos psíquicos, mas não na doutrina espírita, onde cada um busca a sua própria iluminação interior, através do trabalho constante de sua transformação em todos os sentidos. Não o deixe de assistir, porque o destino está sempre a nos advertir.

Texto de Teresa Cristina Soares (membro do Centro Espírita O Codificador) publicado no Jornal do Commercio de 18/11/2012.
* O título original é “O outro lado dos trilhos”, mais condizente com o tema abordado na película. Em português cairia bem o título “O outro lado” ou “O outro lado da linha”, já que por aqui é comum referir-se à ferrovia como “linha do trem”.
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