Semear é preciso; arar o solo é fundamental

A estes doze enviou Jesus, dando-lhes estas instruções, dizendo: Não procureis os gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos; mas ide antes às ovelhas que perecem, da casa de Israel. E pondo-vos a caminho, pregai, dizendo que está próximo o Reino dos Céus. (Mateus, X: 5-7)

Muitas vezes, quem procura uma religião ou uma doutrina de viés religioso está, decerto, motivado por questões íntimas ou forte desejo de contribuir para o bem-estar geral, resultado de valores aprendidos ao longo de milênios de evolução.

Não se pretende falar aqui de religião enquanto crença ou doutrina, mas do sentimento religioso, e isso até um ateu e materialista pode desenvolver, bastando ser detentor das premissas básicas: a empatia e a compaixão. As religiões, quando bem dirigidas e compreendidas, também realizam esse mister.

Ouve-se sempre vozes se levatarem para asseverar a necessidade da vivência da solidariedade, da colaboração mútua, da vida fraterna, da conscientização para conservação do meio ambiente e para o uso racional dos recursos naturais e assim por diante. Porém, como incutir tais valores, como semear esses ideais e princípios num meio em que predomina o egoísmo, a luta individualista pelo destaque pessoal, em que se busca amealhar o máximo possível de recursos, não importando quanto custe ao planeta?

É impossível dar certo! O terreno é árido e impedirá que ideias como essas frutifiquem.

Não foi sem razão que o Cristo ressaltou a importância de semear em terreno preparado. Em sua mensagem aos discípulos recomendou levar a Boa Nova antes às ovelhas desgarradas de Israel, por ser um povo já preparado, dotado dos princípios básicos necessários à compreensão dos valores e princípios transformadores que Ele estava semeando. Os gentios, os samaritanos e todos os povos que desconheciam tais princípios não seriam capazes de absorver e fazer frutificar as sementes novas que a bondade divina permitiu chegassem por aqui. Era necessário arar o solo espiritual e os discípulos ainda não estavam prontos para a árdua tarefa. Mais tarde, Paulo de Tarso iria iniciar esse processo.

Então o que fazer para que a sociedade assimile, desenvolva e frutifique os nobres ideais da vida consciente, fraterna e colaborativa? Somente preparando o terreno com a charrua e o arado da empatia e da compaixão, sem os quais nenhum sentimento nobre é capaz de florescer.

Um bom começo seria desestimular práticas que excitam o egoísmo e o orgulho; reconhecer e valorizar atitudes colaborativas; incentivar o compartilhamento de ideias e recursos, premiar o mérito do desapego.

Vamos pensar um pouco: posso viver bem, de verdade, quando a maioria das pessoas vive mal? Posso ser feliz, em plenitude, quando tenho notícias de que muitas pessoas passam pela vida conhecendo apenas dores e amarguras? O que posso fazer para ser realmente feliz e viver bem?

Reflitamos!

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