Não se pode servir a Deus e a mamon

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Baseado em texto de Caroline S. Treigher

Mamon era uma palavra do aramaico para designar dinheiro. No cristianismo recebeu uma conotação negativa aproximando-se de cobiça, avareza. Pode-se, então, traduzir da seguinte forma as suas palavras: “Não se pode servir a Deus e ao dinheiro” ou, analiticamente, “não se pode ser um servo de Deus e ao mesmo tempo possuir cobiça pelos bens e riquezas materiais”.

Isso nos deixa um pouco assustados, porque parece, num primeiro momento, que Jesus está dizendo que o dinheiro é um mal que se opõe a Deus. Parece colocar o dinheiro e Deus como mutuamente excludentes, não sendo possível ter os dois ao mesmo tempo em nossas vidas.

Tal interpretação gera mal estar em muita gente, porque afinal o dinheiro é uma necessidade e nos proporciona muitas coisas na vida, apesar de não ser tudo o que importa. Chega a provocar um sentimento de culpa relacionado à riqueza e isso está tão impregnado em nossa cultura que, contraditoriamente, enquanto se cultua tanto o dinheiro e se deseja tanto possuí-lo, ser rico é quase um motivo de vergonha, por estar associado à luxúria.

Mas que mal há no dinheiro?

O mal, na verdade, não está nele, mas no que fazemos dele e como nos relacionamos com ele.

Quando Jesus esclarece que não se pode servir a Deus e ao dinheiro, podemos interpretar suas palavras metaforicamente. De tal perspectiva ele não estaria falando de Deus e dinheiro propriamente, mas das dimensões espiritual e material da vida. Deus remete a tudo que é espiritual e eterno, e mamon ao que é material e passageiro.

Em outro momento Jesus, utilizando-se de metáforas semelhantes, comunica ser importante cuidar destes dois aspectos existenciais. Ele diz: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” César certamente é o material e Deus o espiritual. Deve-se, então, cuidar de ambos.

Compreendamos, porém, que no trecho em questão Jesus não fala de cuidado, mas de subserviência. Ele afirma que não é possível servir a Deus e a mamon ao mesmo tempo. Ora, servir implica uma relação de subordinação.

E é diferente servir ao dinheiro de ter o dinheiro a nosso serviço!

Jesus nos pede para optar, então, entre nos subordinar ao dinheiro, ao mundo material, que é o mundo das coisas perecíveis, e o mundo espiritual, que é eterno.

O mundo material implica não só em riqueza, mas em determinas regras também.

A grande realidade é que vale mais à pena servir a Deus, enquanto símbolo da espiritualidade.

Ter Deus como referência, como centro de nossas vidas – e não falo de um Deus antropomórfico, porém dessa força criadora à qual se referiu magistralmente Léon Denis: o ser absoluto mas sem forma e limites – é bem mais seguro.

Tudo isso nos faz lembrar um dia em que Jesus foi criticado por realizar cura aos sábados, quando era proibido aos judeus trabalhar neste dia. Ele então redarguiu: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”. Verdade! O mundo material foi feito para o Espírito e não o Espírito para o mundo material! Tudo o que temos, neste mundo que habitamos temporariamente, está a nosso serviço, e não o contrário. Mas alguns de nós agimos como se não fosse assim, e invertemos a ordem de importância das coisas. A aparência acaba se tornando mais importante que a essência…

É bem diferente quem serve a Deus. Quem se foca nos bens do Espírito. A mãe, por exemplo, se estiver centrada no amor, e não na presença ou na vida do filho, mas no afeto que lhe tem, terá muito mais facilidade em encarar as mudanças de sua vida, em entregá-lo ao mundo, como ele precisa que seja. Justamente porque, por amor, ela saberá respeitá-lo, e respeitar suas decisões. Uma pessoa centrada na esperança não ficará totalmente desorientada se perder o emprego, se atravessar algum revés. Um espírita centrado na caridade terá a mesma postura ética onde quer que vá, porque age na convicção de que a caridade é realmente vital, e não uma mera formalidade.

Pessoas que aprenderam o valor da caridade não se sentem praticando um bem, porque fazê-lo é como respirar. Não contabilizamos nossa respiração. Ela acontece porque sem ela não vivemos. Assim a mais autêntica caridade não é precebida por quem a pratica, pois ela é espontânea e necessária. Um gesto de caridade não espera retribuição nem dos homens nem de Deus. Quem é caridoso já sente, no bem que pratica, o benefício. Sua consciência tranquila é seu maior tesouro! E isso, este tesouro, jamais poderá ser roubado, como nenhum tesouro espiritual: a fé, o conhecimento, a esperança, o amor, a verdade, a compaixão, a idoneidade.

Estar centrado no eixo espiritual da vida é, de fato, mais seguro, o melhor investimento. Por isso disse Jesus: “Não ajunteis tesouros na terra, cuidai antes de ajuntar tesouros no céu.” Por isso recomenda construamos nossa casa sobre a rocha, onde as ondas batem, mas não derrubam, como acontece com a casa construída sobre a areia.

Jesus se desdobra em metáforas que nos advertem para o que realmente importa na vida. Como um semeador, semeia no mundo a consciência dos valores espirituais, elencando-os na inesquecível poesia do Sermão da Montanha.

Bem aventurados, portanto, os que servem a Deus, porque terão sempre pelo que viver!

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