Arquivo mensal: agosto 2013

Não se pode servir a Deus e a mamon

image

Baseado em texto de Caroline S. Treigher

Mamon era uma palavra do aramaico para designar dinheiro. No cristianismo recebeu uma conotação negativa aproximando-se de cobiça, avareza. Pode-se, então, traduzir da seguinte forma as suas palavras: “Não se pode servir a Deus e ao dinheiro” ou, analiticamente, “não se pode ser um servo de Deus e ao mesmo tempo possuir cobiça pelos bens e riquezas materiais”.

Isso nos deixa um pouco assustados, porque parece, num primeiro momento, que Jesus está dizendo que o dinheiro é um mal que se opõe a Deus. Parece colocar o dinheiro e Deus como mutuamente excludentes, não sendo possível ter os dois ao mesmo tempo em nossas vidas.

Tal interpretação gera mal estar em muita gente, porque afinal o dinheiro é uma necessidade e nos proporciona muitas coisas na vida, apesar de não ser tudo o que importa. Chega a provocar um sentimento de culpa relacionado à riqueza e isso está tão impregnado em nossa cultura que, contraditoriamente, enquanto se cultua tanto o dinheiro e se deseja tanto possuí-lo, ser rico é quase um motivo de vergonha, por estar associado à luxúria.

Mas que mal há no dinheiro?

O mal, na verdade, não está nele, mas no que fazemos dele e como nos relacionamos com ele.

Quando Jesus esclarece que não se pode servir a Deus e ao dinheiro, podemos interpretar suas palavras metaforicamente. De tal perspectiva ele não estaria falando de Deus e dinheiro propriamente, mas das dimensões espiritual e material da vida. Deus remete a tudo que é espiritual e eterno, e mamon ao que é material e passageiro.

Em outro momento Jesus, utilizando-se de metáforas semelhantes, comunica ser importante cuidar destes dois aspectos existenciais. Ele diz: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” César certamente é o material e Deus o espiritual. Deve-se, então, cuidar de ambos.

Compreendamos, porém, que no trecho em questão Jesus não fala de cuidado, mas de subserviência. Ele afirma que não é possível servir a Deus e a mamon ao mesmo tempo. Ora, servir implica uma relação de subordinação.

E é diferente servir ao dinheiro de ter o dinheiro a nosso serviço!

Jesus nos pede para optar, então, entre nos subordinar ao dinheiro, ao mundo material, que é o mundo das coisas perecíveis, e o mundo espiritual, que é eterno.

O mundo material implica não só em riqueza, mas em determinas regras também.

A grande realidade é que vale mais à pena servir a Deus, enquanto símbolo da espiritualidade.

Ter Deus como referência, como centro de nossas vidas – e não falo de um Deus antropomórfico, porém dessa força criadora à qual se referiu magistralmente Léon Denis: o ser absoluto mas sem forma e limites – é bem mais seguro.

Tudo isso nos faz lembrar um dia em que Jesus foi criticado por realizar cura aos sábados, quando era proibido aos judeus trabalhar neste dia. Ele então redarguiu: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”. Verdade! O mundo material foi feito para o Espírito e não o Espírito para o mundo material! Tudo o que temos, neste mundo que habitamos temporariamente, está a nosso serviço, e não o contrário. Mas alguns de nós agimos como se não fosse assim, e invertemos a ordem de importância das coisas. A aparência acaba se tornando mais importante que a essência…

É bem diferente quem serve a Deus. Quem se foca nos bens do Espírito. A mãe, por exemplo, se estiver centrada no amor, e não na presença ou na vida do filho, mas no afeto que lhe tem, terá muito mais facilidade em encarar as mudanças de sua vida, em entregá-lo ao mundo, como ele precisa que seja. Justamente porque, por amor, ela saberá respeitá-lo, e respeitar suas decisões. Uma pessoa centrada na esperança não ficará totalmente desorientada se perder o emprego, se atravessar algum revés. Um espírita centrado na caridade terá a mesma postura ética onde quer que vá, porque age na convicção de que a caridade é realmente vital, e não uma mera formalidade.

Pessoas que aprenderam o valor da caridade não se sentem praticando um bem, porque fazê-lo é como respirar. Não contabilizamos nossa respiração. Ela acontece porque sem ela não vivemos. Assim a mais autêntica caridade não é precebida por quem a pratica, pois ela é espontânea e necessária. Um gesto de caridade não espera retribuição nem dos homens nem de Deus. Quem é caridoso já sente, no bem que pratica, o benefício. Sua consciência tranquila é seu maior tesouro! E isso, este tesouro, jamais poderá ser roubado, como nenhum tesouro espiritual: a fé, o conhecimento, a esperança, o amor, a verdade, a compaixão, a idoneidade.

Estar centrado no eixo espiritual da vida é, de fato, mais seguro, o melhor investimento. Por isso disse Jesus: “Não ajunteis tesouros na terra, cuidai antes de ajuntar tesouros no céu.” Por isso recomenda construamos nossa casa sobre a rocha, onde as ondas batem, mas não derrubam, como acontece com a casa construída sobre a areia.

Jesus se desdobra em metáforas que nos advertem para o que realmente importa na vida. Como um semeador, semeia no mundo a consciência dos valores espirituais, elencando-os na inesquecível poesia do Sermão da Montanha.

Bem aventurados, portanto, os que servem a Deus, porque terão sempre pelo que viver!

Anúncios

Investimentos

nossolar

O VALOR DA COOPERAÇÃO FRATERNA

Compreensível o espírito de previdência que induz o homem a se preservar contra a penúria.

A formação bancária na garantia comum, os estabelecimentos de segurança pública, as organizações de economia popular sem estímulo à usura e os institutos de proteção recíproca representam aquisições de inegável valor para a comunidade.

Ninguém deve menosprezar o ensejo de se resguardar contra a exigência imprevista. Essa realidade, patente no plano material, não é menos tangível no reino do espírito.

Urge depositar valores da alma, nas reservas da vida, considerando as nossas necessidades de amanhã.

A interdependência guarda força de lei, em todos os domínios do Universo.

Caridade é dever, porque, se os outros precisam de nós, também nós precisamos dos outros. Não esperes, porém, pelo poder ou pela fortuna terrestres a fim de cumpri-la.

Faze os teus investimentos de ordem moral com o que tens e com o que és.

Começa agora.

Quotas pequeninas de força monetária totalizam grandes créditos. Migalhas de bondade formam largos tesouros de amor.

Relaciona algumas das possibilidades ao alcance de todos:

    • o minuto de cortesia;
    • o testemunho de gentileza;
    • o momento de tolerância, sem nenhum apelo à crítica;
    • a referência amistosa;
    • a frase encorajadora;
    • a demonstração de entendimento;
    • a desculpa espontânea, sem presunção de superioridade;
    • a conversação edificante;
    • a pequenina prestação de serviço;
    • o auxílio além da obrigação…

No capítulo da propriedade, lembra-te da própria alma – a única posse inalienável de que dispões – e, recordando que precisas e precisarás de recursos sempre maiores e sempre novos para evoluir e elevar a própria vida, não te esqueças de que podes, a todo instante, trabalhar e servir, investindo felicidade e cooperação com ela.

Do livro Encontro Marcado – Emmanuel/Chico Xavier

Dolorida ocorrência

image

Por Orson Peter Carrara

Agora que a poeira assentou, dirijo-me aos leitores que me perguntaram sobre o lamentável e duro episódio de Santa Maria-RS. Também, como qualquer ser humano, comovi-me às lágrimas diante do episódio tão comovente e cortante ao coração.

As especulações foram muitas, as notícias fartamente exploradas, muita bobagem foi dita tentando explicar o acontecimento. O fato é que vários fatores, e nem é preciso repetir aqui, desencadearam a tragédia. E não adianta agora procurar culpados, é um fato consumado. Deixemos que o tempo responda às nossas dúvidas doídas.

O que é importante nesse momento é a vibração amiga em favor dos pais, cortados pela dor que não podemos imaginar. A prece em favor deles é, aliás, nosso dever, para que sintam ao menos o conforto da solidariedade.

Não temos condições de fechar a questão, pois nos faltam informações que fogem à alçada de simples mortais e limitada condição humana. Por mais que tentemos explicar, sempre faltará um componente cuja origem desconhecemos. Aliás, todos desconhecemos a história de cada vítima, de cada família, de cada jovem que ali sucumbiu. E não me refiro à história presente, mas à bagagem trazida de outras experiências.

As razões, pois, são muitas.  Estão presentes no episódio quadros de provas (degraus  de crescimento para pais e filhos), de consequências do passado (também para pais e filhos) e necessidade de aprendizados (igualmente para todos os envolvidos), que não temos como definir quais especificamente, nem para quem.

É muita leviandade declarar que todas as vítimas estão pagando erros do passado. Claro que há casos assim, mas como definir? Muitos deles podem inclusive ter solicitado passarem por tais situações para algum aprendizado que não temos como alcançar. E muitas vezes alguns casos foram para despertar familiares, a sociedade, e há casos em que não havia tais necessidades citadas, mas foram vividas por circunstâncias que nos escapam completamente.

Como, pois, querer explicar fechando a questão? Não temos acesso às razões de Deus, que são sábias, justas e misericordiosas. Aliás, a misericórdia de Deus está sempre presente em qualquer situação, socorrendo os filhos. Estes, normalmente, em casos assim, nada sentem, porque são amplamente amparados por equipes espirituais especificamente preparadas para essa finalidade.

Deus permite tais casos para nos despertar dessa letargia de insensibilidade, para promover o progresso moral que surge espontâneo na solidariedade e igualmente impacta a sociedade com providências normalmente esquecidas pela leviandade humana, de cidadãos ou autoridades.

O que nos deve nortear o pensamento e a emoção é pensar na Bondade de Deus, que nunca abandona seus filhos. As vítimas e suas famílias estão amparados, apesar do momento muito doloroso. Confiar, pois, aguardar o tempo, sem guardarmos revolta. E ao mesmo tempo nos lembrarmos carinhosamente de todos eles, já acolhidos bondosamente em estâncias superiores de socorro.

Se algo podemos fazer, isso sim, é manter atenção aos locais que frequentamos ou dirigimos, como funcionários ou proprietários, para sempre pensar na questão da segurança pessoal daqueles que ali frequentam, pois o episódio igualmente nos mostra isso.

Em linhas gerais, notemos que o episódio provocou impacto material e moral em toda a sociedade brasileira. É a sabedoria de Deus que permite tais fatos, nunca por capricho ou abandono, mas como lições necessárias ao nosso crescimento. O impacto maior fica por conta da quantidade de vítimas, mas o corpo nada mais é que uma veste. O espírito é o ser principal e que sobrevive à morte do corpo. Há razões que podemos especular, mas nunca poderemos fechar questão pois nos faltam itens históricos que não temos acesso. Então, respeitemos a ocorrência, tirando as lições que nos cabem. Estamos todos aprendendo.

Todos voltarão um dia à pátria de origem. Todo dia tem gente voltando ou chegando. Aprendamos a enxergar além das aparências e unamos os pensamentos em prece em favor de todos os envolvidos nesse triste episódio da história brasileira, que, embora muito dolorido no presente, deixa lições vivas para todos, para um futuro de felicidade e harmonia. E não nos deixemos impressionar por especulações em fundamento.