As adversidades x reações humanas

tronco

Dia 8 de junho, fui com uma querida amiga assistir a uma peça teatral com o título de Murro em ponta de faca, com texto de Augusto Boal e direção de Paulo José.

No palco, seis atores representando três casais de mundos completamente diferentes, mas que são obrigados a viver juntos enquanto estão exilados na época da ditadura militar. A peça mostra como cada um reage  às situações adversas a que são submetidos, ao medo de serem pegos, à sensação de perigo permanente, às condições insalubres em que são obrigados a viver.

A forma como cada pessoa reage à situação é o “grande mote” do texto. E de onde menos se espera vem as reações mais inesperadas possíveis. Ao final da peça me lembrei de uma história usada como analogia para representar a forma como reagimos às coisas, baseada no pó de café, na cenoura e no ovo e como eles reagem quando são colocados sob o mesmo ambiente: a água fervente. A simbologia é a seguinte.

Quando colocados sob o choque da água fervendo esses três elementos, o ovo, a cenoura e o café reagem cada um de uma forma diferente. Diante do fogo o ovo endurece. A cenoura sob a pressão da alta temperatura amolece. Já o café, quando colocado sob o impacto da fervura, nem endurece, nem amolece, ele se adapta, se dilui fazendo sair daquela temperatura agressiva algo saboroso.

Na vida real nós também nos assemelhamos a eles.

Todos nós, vez ou outra, somos colocados sob “o calor do fogo”, às vezes, “no meio da água fervente”. Parece que vamos morrer cozinhados ou sufocados pelos problemas que surgem. Algumas pessoas se queimam por dentro, pelo sentimento de menos valia, de culpa, de desamor que criam dentro de si devido à falta de amor pelo que são. Esse fogo é mais complicado de apagar, já que o bombeiro está dentro da pessoa também, só ela pode fazer isso.

Há aqueles que endurecem. Se tornam secos, agressivos, querem agredir o mundo, do qual se acham vítimas. Desejam machucar aos outros como uma forma de compensação pela dor que sentem. Aqui encontramos as pessoas que usam da rebeldia, da raiva, da mágoa diante dos fatos infelizes que ocorrem em sua vida. Se afastam de tudo e de todos. Possuem baixa tolerância à dor, agridem para se defender. Esses “endurecem” e “adoecem” no sentimento.

Outros são como a cenoura, amolecem. Se sentem incapazes de lutar, de persistir, desistem da luta no meio do caminho. Também agem como vítimas, assumem o ar de “coitadinhos”. Essas pessoas se acomodam a situações que as magoam, algumas vezes por sentimentos de culpa, outras devido à baixa autoestima. Se acham incompetentes para mudar a situação, para darem a “volta por cima” e fazerem diferente. As vezes precisam chegar ao fundo do poço para descobrir que só há um caminho a tomar: o da saída, lutar por si.

Há, entretanto, aqueles que diante das adversidades não endurecem, nem amolecem. Pelo contrário, saem delas mais fortalecidos, transformados. Essas pessoas são aquelas que aproveitam o momento difícil para tirar o aprendizado necessário ao seu crescimento e buscam não lutar contra, mas sim, buscar os meios de resolver a dificuldade com resignação, serenidade e, acima de tudo, confiança. E alcançam, se perseveram, seus objetivos tornando-se mais fortalecidos, mais plenos, mais maduros. Estes nem agridem, nem se sentem vítimas do destino. Sabem que tudo chega com um propósito e aproveitam a ocasião para fortalecer a sua fé e sua determinação.

Alexandra Torres, palestrante espírita e jornalista. Texto publicado no Jornal do Commercio de 16 de junho de 2013.
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