Começando pelo começo

doutrina

A campanha “Comece pelo Começo”, com fotos de vários livros de Allan Kardec e com destaque para o estudo da obra básica nos centros espíritas, é mantida há quarenta anos, pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE). Mais adiante, surgiram cursos para a infância e a juventude e, depois, o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE), pela Federação Espírita Brasileira, que está comemorando trinta anos.

Acrescente-se a tudo isso o grande número de eventos espíritas que acontecem no Brasil e no exterior e, então, pode-se compreender o Projeto 1868, apresentado por Kardec em Obras Póstumas.

“Recentemente, foi aprovada a inserção de uma antiga campanha da USE “Comece pelo Começo”, ou seja, comece pelas obras de Kardec. Nós vamos introduzi-la também dentro da FEB” 

Com essa declaração acima, o Presidente da FEB, Antonio Cesar Perri de Carvalho, comunicou a nacionalização da citada campanha, iniciada em São Paulo.

Segue abaixo alguns trechos da entrevista, tratando desse e outros temas:

Proliferam no mercado editorial e nos meios de comunicação, em especial a internet, obras ditas espíritas, de valor duvidoso, quando não atentatórias aos postulados doutrinários. Como a FEB, Casa-Mater do Espiritismo, encara essa realidade e como pretende atuar no bom combate?

A FEB vive um problema, digamos, muito complexo, pois há obras bastante duvidosas e muito divulgadas no meio espírita. Se de um lado a FEB apontar os deslizes doutrinários, vão dizer que a instituição vai passar ideias do Index Librorum Prohibitorum. Até mesmo na internet surgem informações afirmando que a FEB fez essa proibição, o que não é verdade. Então, o procedimento que adotamos é o seguinte: evitamos, como instituição, fazer críticas a qualquer obra, mas sugerimos a leitura das boas obras já consagradas, razão pela qual estamos difundindo cada vez mais a necessidade da leitura das obras de Kardec. Recentemente, foi aprovada a inserção de uma antiga campanha da USE “Comece pelo Começo”, ou seja, comece pelas obras de Kardec. Nós vamos introduzi-la também dentro da FEB, junto a vários cursos, inclusive o ESDE. Optamos por esse caminho para fazer a divulgação da Doutrina Espírita.

As obras psicográficas de André Luiz e, principalmente, as assinadas por Emmanuel têm sido recriminadas por alguns segmentos do Movimento Espírita. Qual a sua opinião sobre esse comportamento?

Temos que respeitar essas tendências, assim como a diversidade de opinião, mas eu particularmente admiro profundamente os dois autores espirituais. Considero o Espírito Emmanuel o maior comentador do Novo Testamento. São nove livros publicados especificamente comentando os versículos do Novo Testamento, cinco deles pela FEB. É um aprofundamento à luz do Espiritismo que está disponível na Editora da FEB.

 Os romances históricos dele também recuperam fatos, tendo sempre como pano de fundo o Cristianismo, e estão sendo pesquisados hoje por alguns companheiros nossos. Algumas informações históricas divulgadas foram confirmadas, datas e fatos, por exemplo. Na obra Paulo e Estêvão e no livro Renúncia, temos casos de uma pessoa que vem fazendo pesquisa exaustiva, comprovando que determinadas descrições que Emmanuel faz de Paris no séc. XVII e no séc. XVIII conferem com os registros da época. Como é que Chico Xavier, uma pessoa que cursou apenas o antigo grupo escolar, morando numa cidade do interior, na década de 30 e década de 40, que não tinha acesso a comunicação nenhuma, saberia disso? Emmanuel nos presenteou com uma literatura monumental.

Sobre André Luiz, ele não só detalha a relação entre mundo corpóreo e incorpóreo nas suas dimensões, como desde o livro Nosso Lar traz informações que são antecessoras de eventos científicos e de várias inovações. Na literatura de André Luiz encontramos não só o melhor entendimento da relação do psiquismo humano com o espírito imortal, e hoje a medicina vem estudando sobre isso, mas encontramos também a antecipação de inovações científicas e tecnológicas, com vários aparelhos e equipamentos que começaram a ser desenvolvidos a partir dos anos 50. Nós admiramos profundamente a obra de André Luiz e a obra de Emmanuel, e conseguimos estabelecer uma vinculação clara com a obra de Kardec, e isso é o mais importante.

Allan Kardec comenta no item 334, cap. XXIX, d´O Livro dos Médiuns, que a formação do núcleo da grande família espírita um dia consorciaria todas as opiniões e uniria os homens por um único sentimento: o da fraternidade. Estaria aqui o Codificador formulando alguma programação doutrinária visando à unidade dos espíritas por intermédio de instituições colegiadas?

Allan Kardec trabalhou exatamente a ideia colegiada, e fala da fundamentação, do vínculo da fraternidade. Mas percebemos, igualmente, em “Obras Póstumas”, que ele nos orienta sobre o funcionamento das instituições. Anota sobre uma comissão não centralizada numa única pessoa e essa experiência que nos sugere foi uma ideia que serviu de referência para a atualidade. Notemos que a noção de presidencialismo, não só na questão político-partidária, como ocorre no Brasil, mas igualmente nas instituições espíritas, é um presidencialismo que às vezes excede o conceito do termo presidencialismo em si; muitas vezes chega a se confundir com o autoritarismo.

Allan Kardec chega a propor que as decisões institucionais sejam colegiadas; que se discuta, que se troquem ideias, e nós estamos vivenciando essa experiência aqui na FEB. Desde que assumimos primeiramente de forma interina em maio de 2012, e atualmente eleito, trabalhamos em conjunto com todos os diretores da FEB, fazendo reuniões com periodicidade muito curta e tratamos todos os assuntos e decidimos em nível de diretoria. Entendo que é uma experiência enriquecedora, facilita a tomada de decisões e evita, às vezes, determinadas tendências pessoais.

Os princípios institucionalizados da Unificação inibem o ideário da união espontânea entre os espíritas?

A rigor, não. Em 1949 foi definido através do Pacto Áureo um itinerário de ação, dando origem ao CFN – Conselho Federativo Nacional, que é composto pelas entidades federativas estaduais com base na obra de Allan Kardec. Hoje em dia, dentro do contexto da ideia de união e de unificação, podemos perfeitamente estabelecer propostas de união e de parceria entre várias instituições, somando esforços, e portanto não há necessidade, desde que haja propósitos comuns, de ficarmos na dependência de conceitos antigos de controles. Essa é a ideia.

O Pacto Áureo ainda pode ser avaliado como o grande marco da Unificação?

Pode ser considerado, sim, pois ele é genérico. Ele define a obra de Allan Kardec e decide também com base na obra “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”. Os membros do Pacto chegaram à conclusão que esse livro mostrava qual seria a missão do Espiritismo no Brasil e qual a missão espiritual do Brasil também. É esse o roteiro que ele oferece. O Pacto não entra em detalhamentos, mas fala da União e criou o Conselho Federativo Nacional. Para o CFN funcionar ele foi primeiramente introduzido no Estatuto da FEB. Com a instalação do CFN, a área federativa da FEB é corporificada com a ação do CFN – é importante que saibamos disso. Então o CFN é que traz a orientação geral e define planos para o Movimento Espírita Nacional. Esse Conselho é presidido pelo presidente da FEB, mas é integrado pelas representações dos 27 estados.

Quais os grandes desafios vistos para o Movimento Espírita Brasileiro?

Nós estamos vivendo vários desafios. A ideia de difundirmos o Espiritismo, na sua pureza, é um grande desafio, pois, como ficou claro, de várias orientações de Allan Kardec, sempre haveria alguma tendência natural de se valorizar pessoas, de se personalizar, e com isso, o que nós assistimos atualmente é que há uma diferença entre a proposta de Kardec e algumas práticas. Por exemplo, na apresentação de O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec explica que optou por não colocar o nome dos médiuns junto às mensagens e apenas colocou o nome dos Espíritos, a cidade e a data. Para Kardec era mais importante o conteúdo das mensagens do que o nome do médium. Infelizmente, notamos que hoje em dia muitas pessoas, antes de ler o texto, querem saber primeiro quem é o médium, ou seja, inverte-se a situação.

Urge buscar-se mais a coerência doutrinária e maior compatibilidade com a base da Codificação ao invés de ficarmos exaltando ou levantando fileiras em torno de médiuns A, B, C ou D, ou seja, temos que somar, independente de quem seja o médium, desde que a mensagem tenha coerência e esteja fundamentada nas obras de Kardec; esse é o grande desafio.

Suas palavras finais.

As nossas palavras finais são de sugestão aos espíritas para que aproveitemos o momento que nós estamos vivendo, que é o período, segundo Emmanuel, de aferição de valores, e é um momento bastante delicado e sensível, porque nós temos os compromissos individuais e compromissos coletivos, e, com relação ao Movimento Espírita, é muito importante lembrar o nosso trabalho respaldado no propósito de união, de concórdia e de benevolência recíproca. Então é isso que deve animar a nossa atuação conjunta no Movimento Espírita e no relacionamento com a própria sociedade.

Fonte:

http://www.oconsolador.com.br/ano7/311/entrevista.html

http://www.oconsolador.com.br/ano7/312/entrevista.html

P.S.: Já no espírito da campanha – sem mesmo saber dela, pois só tomamos conhecimento com a entrevista acima – disponibilizamos os atalhos para as obras básicas do espiritismo em nossa página de forma permanente. Acesse, leia e conheça, começando pelo começo, a doutrina ensinada pelos espíritos que está colaborando para mudar o mundo para melhor.
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