Arquivo mensal: outubro 2013

Céu e inferno

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Por Isabelle Sarmento – voluntária do Lar Espírita Chico Xavier

Ao contrário do que muita gente pensa, o umbral não é o inferno do espírita, tampouco as colônias espirituais, o Céu. Não é, simplesmente, uma mudança de nomenclatura, como substituir o “amém” pelo “assim seja”. A forte influência de religiões tradicionais faz com que o novato no Espiritismo (ou aquele que não se habituou a estudá-lo) conceba a nova crença apenas como transferência de rituais e dogmas de outras denominações religiosas, uma mera troca da hóstia pelo passe.

Allan Kardec, responsável por organizar pedagogicamente os postulados da Doutrina dos Espíritos, explica que o Espiritismo busca, sobretudo, a renovação e a transformação das almas a partir do amor ao próximo, da benevolência e do perdão das ofensas. E essa reforma íntima dá-se a partir da compreensão da justiça e da providência divinas, das leis de evolução e de causa e efeito, ancoradas pelo esclarecimento da preexistência e sobrevivência da alma, da vida futura e da reencarnação.

Palavra usada no movimento espírita pela primeira vez por André Luiz, médico desencarnado que escreveu a série Nosso Lar através da mediunidade de Chico Xavier, umbral é o “estado ou lugar transitório por onde passam as pessoas que não souberam aproveitar a vida na Terra”. O sentido primeiro do termo é o de “entrada, limiar”. Seria uma região espiritual (não necessariamente circunscrita) imediata ao mundo material, uma perturbação inicial após o desencarne, cuja duração equivale ao estado moral do Espírito. Se endividado e em desequilíbrio, permanece perturbado por mais tempo, se consciente e prudente, a perturbação assemelha-se a breve confusão mental.

O Espírito após a morte não será castigado pelo Deus dos Exércitos com o Inferno ou premiado pelo Pai Amantíssimo com o Céu, mas receberá as recompensas proporcionais ao seu estado de desgraça ou ventura. Jesus nos ensinou que “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. Se ainda não colhemos o que plantamos – de bom ou de ruim – nessa vida, receberemos o fruto da semeadura no futuro, seja no mundo espiritual ou numa próxima oportunidade na Terra. Como ensina Kardec, “a certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à passagem desta para a outra vida. Há muita gente que teme não a morte, em si, mas o momento da transição”.

O inferno e o Céu não passam de estados de espírito, tornando-se condições de sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os Espíritos por suas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos. Não é demais lembrar que Espíritos somos todos nós, encarnados e desencarnados, experienciando nossos infernos e paraísos particulares. A diferença é que estamos “presos nessa cela de ossos, carne e sangue”, no mais, somos absolutamente iguais a eles, com alegrias e frustrações, virtudes e defeitos, medos e desejos. Aos interessados em conhecer mais sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, as penalidades e recompensas futuras, os anjos e demônios, sugerimos a leitura de O Céu e o inferno ou A justiça divina segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

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Diálogos que libertam

CARTAZ-VII-CONFESP

O professor José Herculano Pires, ou J. Herculano Pires, como é mais conhecido, é considerado por muitos como o maior escritor espírita brasileiro, vai ser lembrado durante um ano. As homenagens vão prosseguir até o dia 25 de setembro de 2014, quando ele completaria cem anos. Ficou conhecido como o Zelador do Espiritismo, por sua vigilância, firmeza e defesa intransigente dos postulados espíritas.

Herculano foi repórter, redator, secretário, cronista e crítico literário dos Diários de São Paulo, uma coluna espírita com o pseudônimo de Irmão Saulo. Chico Xavier, durante anos, recebeu, em Uberaba (MG), a visita de pessoas de inúmeras cidades. Antes das reuniões públicas, todos conversavam. E, no bate-papo, sempre predominava um tema: familiares difíceis, aborto, pena de morte, casamento, divórcio, tragédias, etc. Logo depois, na reunião, as lições estudadas, geralmente, se relacionavam com o assunto predominante. No decorrer da mesma, Chico Xavier psicografava uma mensagem que elucidava a questão que, então, mais preocupava os visitantes. Algum tempo depois, o médium dizia em carta o que ocorreu e, anexando a mensagem, solicitava que Herculano Pires fizesse um comentário e divulgasse tudo na seção espírita, dominical, no Diário de São Paulo, a qual ele assinava como Irmão Saulo.

O Grupo Espírita Emmanuel (GEEM), de São Bernardo do Campo-SP, reuniu esse material em quatro livros: Chico Xavier pede licença, Na era do espírito, Astronautas do além e Diálogo dos vivos. Autores em parceria: Francisco Cândido Xavier, J. Herculano Pires e Espíritos Diversos, com cartas, comentários e mensagens, respectivamente. Essas obras são importantes, pela diversidade dos assuntos e pelo conteúdo doutrinário.

Na apresentação do livro Diálogo dos vivos, em 18/04/1974, Emmanuel diz que Moisés, com o diálogo, obteve o Livro dos Mandamentos. E Jesus “dialoga com os discípulos, e o Evangelho brilha até hoje, traçando as normas do Reino do Amor para a elevação da Humanidade.”

Em seguida, afirma: “Kardec chega ao mundo, dialoga com os espíritos sábios e benevolentes que lhe dirigem a Obra, e O Livro dos Espíritos surge por alicerce da doutrina espírita que renova o pensamento religioso da Terra, libertando e esclarecendo, confortando e instruindo as criaturas.

Herculano Pires, no prefácio da mesma obra, chama o trabalho de Chico Xavier, junto aos espíritos, de “os diálogos da preparação”. Fala da importância do diálogo e remonta à antiguidade grega. Cita Sócrates, fala do diálogo de Pitágoras com Orfeu. Lembra o diálogo perturbador dos Sofistas. Diz que Kardec na França, em Paris, em papel semelhante ao de Sócrates, que dialogava com os homens e com os espíritos. Ambos, portanto, dialogavam com os vivos da Terra e os vivos da além.

Esse intercâmbio serve para libertar o espírito da ignorância.

Participe do VII Confesp – Confraternização Espírita em Pernambuco -, no dia 26 de outubro, das 9h às 16h, no SEST/SENAT, na Avenida Beberibe, 3.620, Beberibe, Recife-PE. Tem parque aquático, futebol, futsal, vôlei, jogos de mesa. Atrações: polo infantil com Banda Cordelândia, José Paulino, Boneco Ronaldinho, palhaço, mágico, perna de pau, pula-pula, piscina de bola. Realização: Brincantes da Luz. Apoio: FEP – Federação Espírita Pernambucana – e CEE – Comissão Estadual de Espiritismo. Ingressos: R$5,00 (crianças menores de 10 anos não pagam). Informações: 8508.2696 e 9897.7072, com Joaquim Canuto.

Por Nilton Santos, membro do Núcleo Espírita Bittencourt Sampaio, Monteiro, Recife.

Aflições

aflições

No íntimo de todas as criaturas existe o desejo de ser feliz e de afastar os sofrimentos.

Ninguém gosta de sofrer.

No entanto, Jesus cristo nos disse: “no mundo só tereis aflições.”

São variadas as causas das aflições. Podemos, para melhor compreensão, separá-las entre as que têm origem em nossa intimidade e aquelas próprias da natureza em que vivemos.

Assim temos várias dores que somente têm a ver com o mundo em que nos encontramos.

Por exemplo, a dor causada pelo nascimento do siso, o último dos molares, é um impositivo da biologia humana. A dor pela picada de um mosquito ou de uma agulha, da mesma forma.

São dores próprias de um mundo material. São dores comuns a que estão sujeitos os seres que habitam o planeta.

O sofrimento faz parte de nossa vida, uma vez que em tudo existe a necessidade de ação.

Nossa mente pensa, nossa vontade almeja. Mas o corpo precisa executar.

Toda vez que desejamos alguma coisa, quando aspiramos algo, a necessidade de trabalhar para realizar nossos sonhos gera um certo sofrimento.

Quem deseja bater recordes, vive aflições. São horas intermináveis de exercícios, disciplina rígida, com intuito de superar as próprias limitações físicas.

Dores físicas, preocupação com a classificação, um revés de última hora. Aflições de toda sorte.

Quem deseja passar no vestibular, apesar do grande esforço aplicado no estudo, se aflige ante a perspectiva de não conseguir a vaga pretendida.

E se esquecer tudo na hora da prova? E se não conseguir a vaga? E se precisar fazer outro vestibular?

Quem deseja ser cantor, ator, engenheiro, médico passa pelas aflições das horas estafantes de estudo, estágio, aprendizagem, esforço,testes.

Reveses. Inquietudes. Aflições.

Em tudo há sofrimento pois em tudo existe a necessidade do esforço material, de conformidade com o nível evolutivo do mundo em que vivemos.

No mundo só teremos aflições!

São os sofrimentos desse mundo, os empeços materiais que se apresentam.

Também existem os sofrimentos causados por nós mesmos. É o resultado originado de nossas intenções, de nossas atitudes, do estado geral da nossa mente e do nosso coração.

Quando tomamos decisões desequilibradas, sofremos.

Quando agimos de forma negativa, teremos que recolher adiante o resultado dessas ações infelizes.

Quando pensamos somente em nós, num egocentrismo doentio, sofremos.

Quando desejamos que as coisas não passem, não mudem ou não terminem, sofremos novamente.

Tudo passa. As paisagens mudam. Os momentos bons terminam, e os maus também.

Procurando entender a mensagem de Jesus poderemos vencer os sofrimentos do mundo, vendo-os como realmente se apresentam.

Ou seja, como empeços materiais numa realidade relativa. Alargando nosso ponto de vista poderemos vencer a melancolia e a aflição.

Sem visão pessimista, venceremos os obstáculos próprios ao meio em que nos encontramos.

E se optarmos por seguir Jesus, não haverá aflição que resista ao bendito remédio da fé.

***

Todos desejamos ser feliz. Sejamos ricos ou pobres, instruídos ou não, todos desejamos evitar os sofrimentos.

Assim, procuremos vencer as tribulações de cada dia e encontrar razões para felicidade em coisas pequenas.

Ser grato pelo que temos, pelo que usufruímos.

Aprender com os pássaros a saudar o dia com um cântico de esperança.

Eis uma boa fórmula para superar as aflições e começar a ser feliz, desde hoje.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 10 do livro O despertar da alma, de Cristian Macedo, Sociedade Espírita Esperança.