Céu e inferno

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Por Isabelle Sarmento – voluntária do Lar Espírita Chico Xavier

Ao contrário do que muita gente pensa, o umbral não é o inferno do espírita, tampouco as colônias espirituais, o Céu. Não é, simplesmente, uma mudança de nomenclatura, como substituir o “amém” pelo “assim seja”. A forte influência de religiões tradicionais faz com que o novato no Espiritismo (ou aquele que não se habituou a estudá-lo) conceba a nova crença apenas como transferência de rituais e dogmas de outras denominações religiosas, uma mera troca da hóstia pelo passe.

Allan Kardec, responsável por organizar pedagogicamente os postulados da Doutrina dos Espíritos, explica que o Espiritismo busca, sobretudo, a renovação e a transformação das almas a partir do amor ao próximo, da benevolência e do perdão das ofensas. E essa reforma íntima dá-se a partir da compreensão da justiça e da providência divinas, das leis de evolução e de causa e efeito, ancoradas pelo esclarecimento da preexistência e sobrevivência da alma, da vida futura e da reencarnação.

Palavra usada no movimento espírita pela primeira vez por André Luiz, médico desencarnado que escreveu a série Nosso Lar através da mediunidade de Chico Xavier, umbral é o “estado ou lugar transitório por onde passam as pessoas que não souberam aproveitar a vida na Terra”. O sentido primeiro do termo é o de “entrada, limiar”. Seria uma região espiritual (não necessariamente circunscrita) imediata ao mundo material, uma perturbação inicial após o desencarne, cuja duração equivale ao estado moral do Espírito. Se endividado e em desequilíbrio, permanece perturbado por mais tempo, se consciente e prudente, a perturbação assemelha-se a breve confusão mental.

O Espírito após a morte não será castigado pelo Deus dos Exércitos com o Inferno ou premiado pelo Pai Amantíssimo com o Céu, mas receberá as recompensas proporcionais ao seu estado de desgraça ou ventura. Jesus nos ensinou que “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. Se ainda não colhemos o que plantamos – de bom ou de ruim – nessa vida, receberemos o fruto da semeadura no futuro, seja no mundo espiritual ou numa próxima oportunidade na Terra. Como ensina Kardec, “a certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à passagem desta para a outra vida. Há muita gente que teme não a morte, em si, mas o momento da transição”.

O inferno e o Céu não passam de estados de espírito, tornando-se condições de sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os Espíritos por suas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos. Não é demais lembrar que Espíritos somos todos nós, encarnados e desencarnados, experienciando nossos infernos e paraísos particulares. A diferença é que estamos “presos nessa cela de ossos, carne e sangue”, no mais, somos absolutamente iguais a eles, com alegrias e frustrações, virtudes e defeitos, medos e desejos. Aos interessados em conhecer mais sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, as penalidades e recompensas futuras, os anjos e demônios, sugerimos a leitura de O Céu e o inferno ou A justiça divina segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

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