Arquivo mensal: janeiro 2015

Indonésia e Pena de Morte – um exemplo?

A morte decretada e executada de um brasileiro na distante Indonésia, país situado na Ásia, tomou espaço na grande mídia e pautou as redes sociais.

No geral, muitos comentários, talvez a maioria, foram no sentido de aprovação e até elogios ao governo daquele país. Afinal, foi dito repetidamente, não passava de um traficante. Dura lex, sed lex.

A bem da verdade, o cidadão não passava de “mula”, que no jargão policial indica a pessoa, normalmente de classe social menos favorecida, que leva pequenas quantidades de substância entorpecente ilícita de um país a outro utilizando-se dos meios de transportes comuns. Já os barões do tráfico, esses continuarão impunes e recrutando outras tantas mulas, principalmente nos países com graves problemas sociais, ficando o lucrativo comércio intacto.

As loas que se multiplicaram nas redes sociais é preocupante e só pode ser atribuída à falta geral de cultura, conhecimento e compreensão dos valores – caríssimos – que a sociedade brasileira vem tentando realizar, sendo o principal deles a Vida.

A legislação penal da Indonésia ao prever pena de morte para uma simples mula do tráfico, é pura expressão da barbárie na forma de lei, comparável somente às antigas prescrições mosaicas que a Bíblia registra e traz para o nosso tempo, em que praticamente todo desvio era punido com a morte (basta passar a vista no Levítico para se ter uma amostra).

Ficou evidente no episódio que a vida em muitas culturas não ocupa ainda o seu devido lugar no espectro dos valores que a humanidade busca e deve realizar. Mais especificamente em nosso país, signatário que é da ONU e das convenções internacionais que buscam realizar os direitos humanos, marco da civilização, é motivo de preocupação ver tanta gente – 95% cristãos, diga-se de passagem, de acordo com as estatísticas – quase que celebrando um assassinato “em nome da lei”.

Em ‘O Livro dos Espíritos’, na questão 796, encontramos um comentário deixado pela espiritualidade superior que pode muito bem lançar luz sobre o fato. Kardec faz a seguinte pergunta: no estado atual da sociedade, a severidade das leis penais não constitui uma necessidade?

Resposta. “Uma sociedade rude certamente precisa de leis duras. Infelizmente, essas leis mais se destinam a punir o mal depois de praticado, do que lhe secar a fonte. Só a educação poderá reformar os homens, que, então, não precisarão mais de leis tão rigorosas.”

Em questão anterior, sobre Pena de Morte, encontramos em “O Livro dos Espíritos” a questão número 760: Desaparecerá algum dia, da legislação humana, a pena de morte?

Resposta: “Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Não mais precisarão os homens de ser julgados pelos homens. Refiro-me a uma época ainda muito distante de vós.”

Época distante, é bem verdade, mas se não começarmos agora o esforço para que esse mundo se torne realidade, tal era nunca chegará.

Em que momento evolutivo nossa sociedade se encontra? Temos realmente o que admirar no episódio infeliz em que uma vida humana foi ceifada? Será que nós, brasileiros, já não estamos evoluídos o suficiente para deixarmos no passado as leis bárbaras que prescreviam a vingança e o castigo sem qualquer função reeducativa, integrativa ou ressocializadora?

Aprendemos no Espiritismo que o Espírito jamais retrograda na evolução. Oxalá, que as sociedades também.

“Há limites para liberdade de expressão”, diz Papa Francisco

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Pontífice fez declaração em seu discurso nas Filipinas. Vaticano tenta minimizar relatos de que ele é um alvo potencial dos extremistas islâmicos

 Após a visita de dois dias ao Sri Lanka, o papa Francisco conversou com os jornalistas – durante a viagem de avião até as Filipinas, nesta quinta-feira (15) e afirmou que ninguém deve ridicularizar a fé dos outros.

“Você não pode provocar e insultar a fé dos outros, você não pode zombar da fé. Não se pode fazer das religiões dos outros um brinquedo. Essas pessoas provocam e algo pode acontecer.

“Liberdade de expressão é um direito, mas também é um dever”, disse o Pontífice se referindo aos ataques em Paris.

O líder da Igreja Católica destacou que “não se mata em nome de Deus”. Ele ainda disse que “o melhor modo para responder “os atentados é “ser humilde e não agressivo”. Francisco ainda destacou que a “reação” de quem é insultado por sua fé nunca deve “ser a violência”.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-01-15/ha-limites-para-liberdade-de-expressao-diz-papa-francisco.html

Paris, janeiro de 2015 – uma reflexão

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O que se tem atualmente é: não posso ferir uma crença atirando pedras no templo, mas posso desferir quantos golpes verbais desejar… Qual a diferença entre as duas formas de violência?
Agressão verbal, ridicularização sistemática, bullying midiático de grupamentos humanos, não serão violências?
A estupidez do fato ocorrido na França reflete a igualmente estúpida irresponsabilidade e desrespeito que “profissionais de mídia” dizem ser portadores. Livre expressão é uma forma de manifestação do valor “liberdade”, assim como a liberdade de crença também a é. Ofender uma crença e por tabela rotular seus seguidores como idiotas tem menos gravidade do que limitar o que pode ser publicado por um veículo de imprensa? Então, porque inibir a divulgação de ideias nazistas, racistas e quejandos? Existirão liberdades ilimitadas?
Um direito não pode ser exercido ao ponto de ameaçar o exercício de outros direitos.
Há que se estabelecer limites que permitam a convivência entres as liberdades sob pena de o exercício de determinado direito invadir e anular outros igualmente relevantes e protegidos pela sociedade civilizada.