Festejos Juninos

A origem das festividades juninas remonta às celebrações pagãs, anteriores ao Cristianismo, realizadas no solstício de verão – 21 de junho, no Hemisfério Norte – em que se comemoravam as colheitas. As celebrações, até então consideradas pagãs, foram revestidas pelo manto da Igreja Católica Apostólica Romana, graças à expansão e ao poder político do Império Romano, tornando-se festas dos santos católicos.

Na Europa era uma festa notadamente religiosa. No Brasil, recebeu várias influências e acréscimos, tais como: a quadrilha junina, a música, a dança e as vestes típicas.

Esse processo não é novo, nem exclusividade da Igreja. Os Hebreus passaram por esse processo quando assimilaram elementos culturais dos Egípcios e dos Persas nos períodos em que foram submetidos ao cativeiro.

Como em muitos outros casos, os cristãos mais fiéis aos princípios da sua fé e puristas em relação às celebrações não concordavam com essas adaptações e assimilações. Obviamente que a ICAR assim procedia tendo por objetivo melhorar a imagem perante os povos conquistados e principalmente perante o próprio povo romano, facilitando a assimilação dos seus postulados mediante a “cristianização” de antigas crenças e práticas.

Paulo de Tarso parece ser o grande responsável pela postura da Igreja. Suas epístolas demostram a necessidade de se fazer O Cristo conhecido, sua mensagem e seu exemplo deveriam se espalhar por toda parte. O discípulo Pedro compreendeu isso quando comendo com Gentios se alimentou com gêneros que os Judeus não recomendavam, porque compreendeu o sentido espiritual da palavra de Jesus que o libertou do apego às tradições.

Nos primeiros anos do cristianismo, os puristas não toleravam as “modernidades” da atuação paulina. Para eles, tornar-se seguidor de Jesus, significava abandonar a cultura mãe e adotar práticas e costumes dos judeus.

Assim sendo, é necessário concluir que as críticas dirigidas a esses festejos pelo fato de serem reminiscências de festividades pagãs não passam de arcaísmo purista que ignoram a realidade cultural como um processo dinâmico e a constante evolução da sociedade e seus costumes. Comportam-se em relação às práticas dos antigos cristãos que pretendem preservar, da mesma forma que os judeus-cristãos em relação às modernas interpretações do Apóstolo dos Gentios.

A doutrina espírita tem entre seus postulados a primazia da ciência e não somente as da natureza, como também, e principalmente, as humanas e psíquicas. Por isso, reconhece e considera a realidade cultural e em constante transformação das tradições e celebrações das sociedades mundo afora e sabe respeitá-las como autênticas manifestações do espírito humano.

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