Arquivo mensal: setembro 2016

Suicídio: “Conectar, Comunicar, Cuidar”

Esse é mote da campanha “Setembro Amarelo”, que visa chamar a atenção para a problemática do suicídio.
10 de setembro é o “Dia Mundial da Prevenção do Suicídio”, cujo lema é “Conectar, Comunicar, Cuidar”.

Este dia, instituído em 2003 pela Associação Internacional para a “Prevenção do Suicídio” e pela “Organização Mundial da Saúde” (OMS), tem como objetivo prevenir o ato do suicídio, mediante a adoção de estratégias pelos governos.

Todos os anos morre um milhão de pessoas por suicídio e entre 10 a 20 milhões tentam o suicídio.

A Organização Mundial de Saúde estima que o suicídio é a 13ª causa de morte no mundo, sendo uma das principais entre adolescentes e adultos até os 35 anos. A taxa de suicídio é maior entre os homens do que entre as mulheres. Neste dia, tenta-se estender a mão a quem se isola ou acender uma vela pelas almas suicidas.

Documento OPAS

O novo documento da OPAS intitulado “Prevenção da conduta suicida” fornece informações essenciais para entender melhor as condutas suicidas e as principais estratégias para a sua abordagem, tendo em conta as experiências nas diversas regiões.

O livro apresenta um amplo panorama do suicídio no mundo, a partir dos dados da OMS, e um resumo do relatório sobre mortalidade por suicídio nas Américas, além dos relatórios da América Central, República Dominicana, Chile, Cuba, Guiana, México, Nicarágua e Porto Rico.

O suicídio é um tema complexo, com uma multiplicidade de fatores e facetas. Por isso, a publicação do volume inclui capítulos sobre fatores associados à conduta suicida, onde são tratados temas como religião e espiritualidade, uso de substâncias e o papel da personalidade no tratamento e na prevenção do suicídio entre adolescentes.

De acordo com a OMS, o suicídio é um problema de saúde pública em países de alta renda e um problema emergente em países de baixa e média renda; é uma das principais causas de morte no mundo, especialmente entre os jovens. O número de vidas que se perdem a cada ano por suicídio supera o número de mortes por homicídios e guerras juntos.

Em “O Livro dos Espíritos”, na questão 949, ao final da resposta, encontramos: “se abolirdes os abusos da vossa sociedade e os vossos preconceitos, não tereis mais suicídios.”

Portanto, confirma-se o aspecto multifacetado do suicídio. Problema de saúde pública em alguns países, problema social em outros.

Resta-nos pesquisar, ler e aprender mais sobre o tema.

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Divaldo Franco e Jô Soares: eu respeito mais um ateu digno do que um religioso hipócrita

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A frase acima é de Divaldo Pereira Franco, por ocasião da entrevista no Programa do Jô Soares, que foi ao ar em 1º de setembro deste ano.

A frase gerou algumas polêmicas. Provavelmente motivada por duas razões: isolou-se a frase do contexto da entrevista ou é fruto de uma interpretação algo maniqueísta. Divaldo em nenhum momento defende uma postura e ataca a outra. Ele faz uma comparação, uma valoração, que uma conduta é mais adequada (ou menos inadequada) do que a outra, ou seja, pôs numa escala.

Há que se considerar que a frase pisa ao mesmo tempo em dois pilares difíceis de combinar. Um pé está apoiado na visão prática da vida, o outro, na pura. Conforme Kant, o ideal é que essas duas realidades não se misturem, filosoficamente, mas reconhece que um filósofo comum tende a transitar de um mundo ao outro sem muito critério.

Poderíamos reescrever a frase mais ou menos assim: você preferiria conviver com um vizinho ateu digno ou com um religioso hipócrita? Dependendo do ponto de apoio (de visão) filosófico, as duas escolhas são perfeitamente válidas. Pela razão prática, a primeira hipótese é preferível. Quem escolhe a segunda, o faz de acordo com sua verdade a priori, que vale por si e dispensa validação empírica.

Todo Ser humano, só por sê-lo, tem a dignidade em si, algo como inerente à condição humana. Mas o autor da frase talvez se refira não a dignidade do Ser humano, mas a do agir, e é nesse campo que Divaldo parece querer tratar a questão, o da conduta intersubjetiva. A dignidade no agir pode e deve ser objeto de valoração. Talvez, ouvindo a entrevista completa, seja possível a devida contextualização e compreensão.

Assistam a entrevista: https://youtu.be/bIrnAZOgAyY