Igualdade entre homens e mulheres

Em “O Livro dos Espíritos”, nas questões n. 817 e seg., Kardec aborda o tema da igualdade entre os gêneros. A atualidade das respostas surpreende se levarmos em conta que foram dadas há mais de 150 anos.

Na questão n. 822, lê-se: “A emancipação da mulher segue o progresso da civilização, sua subjugação marcha com a barbárie. Os sexos, aliás, existem apenas no corpo físico; uma vez que os Espíritos podem encarnar em um ou outro, não há diferença entre eles nesse aspecto e, consequentemente, devem desfrutar dos mesmos direitos.”

Fica fácil perceber que as legislações e culturas que teimam em manter e submeter o elemento feminino da sociedade sob o domínio do masculino são indícios claros e incontestáveis do pouco progresso civilizatório e espiritual.

Em muitos casos, utilizam, sem antes deturpar e descontextualizar, textos religiosos para darem ares de autoridade aos preconceitos (e privilégios) que insistem em conservar. Podemos claramente afirmar, por exemplo, que a misoginia pode até ter algo de bíblico (que se reproduz até hoje na proibição ou de se ordenar mulheres ou na dominação masculina que se vê na maioria das religiões), mas não se pode dizer que essa concepção comportamental seja Cristã.

O Cristo, conforme registros dos evangelhos, deu várias demonstrações de que não aprovava o tratamento dado às mulheres de seu tempo. Em muitas passagens do velho testamento percebe-se a condição feminina análoga a de uma propriedade ou semovente (no decálogo, por exemplo, numa série sequencial, a mulher é citada junto de alguns bens no mandamento que condena a cobiça. Não precisa ser especialista em linguística…).

Isso serve para refletirmos o momento em que vivemos. Várias são as manifestações públicas, antes ocultadas pela vergonha, de comportamentos misóginos e machistas, sob pretexto de conservar os valores fundamentais da família.

De onde tiram a concepção de conservar a família é fazer voltar as tradições arcaicas que Jesus tanto combateu?

Porque de todas os argumentos apresentados por religiosos fundamentalistas não se encontram palavras do Cristo?

Porque se revoltam quando exemplos de machismo, misoginia e redução da mulher à condição de objeto (como está no Velho Testamento), muitas vezes dissimulados de livre expressão, são denunciados?

A verdade é que em muitos casos muitas mulheres são por imposição e assimilação cultural levadas a acreditar que não são discriminadas, que não existe esse preconceito, que essa objetificação denunciada é um exagero. Demonstram até conforto com a situação.

Isso nos lembra que a pior forma de combate à opressão e ao abuso é justamente aquela em que o oprimido/abusado a aceita como sendo natural e até inevitável e não enxerga sua real condição.

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