Quid est Veritas?

A pergunta que Pilatos fez a Jesus, título deste post, ressoa pelos séculos e continuamos a questionar: que é a Verdade? Vivemos num mundo de muitas verdades, muitas com pretensões de absolutas. No campo das crenças religiosas, poucas assumem sua parcialidade, seu limite e sua relatividade.

Esse modo peculiar de tratar a verdade se repete no campo individual. Temos a tendência de defender um ponto de vista, “a velha opinião formada sobre tudo” – diria o poeta -, como sendo a medida exata e única que explica com exclusão de quaisquer outros pontos de vista, a verdade sobre os fatos, sobre os comportamentos, enfim: sobre tudo! E a imprensa tem exercido um papel relevante e preocupante nesse processo, tendo em vista que o tratamento da informação se faz, por ela, predominantemente se utilizando deste modo peculiar de tratar “a verdade”.

A filosofia, ramo importantíssimo do pensar e do conhecimento humano, ameaçado de ser expulso do currículo das escolas, nos oferece oportunidade de pensar – e repensar – sobre o tema que instigava Pôncio Pilatos há dois mil anos. Afinal que é a verdade? Jesus, na ocasião, ficou em silêncio. Alguns poderão imaginar que Ele preferiu não dar uma resposta. Mas o Seu silêncio foi A Resposta.

Sobre o tema e sua vertente mais atual e moderna, a pós-verdade, recomendamos muitíssimo a leitura deste artigo de Marcos de Aguiar Vilas-Bôas, cujo trecho que mais se destaca, em nosso opinião, é o seguinte:

Se há alguma verdade, ela não é deste plano. No nível de consciência atual do ser humano, ele apenas pode apreender perspectivas limitadas dos fenômenos e objetos. A verdade, aquela compreendida como a correspondência entre o fato em linguagem e o evento, entre aquilo que se diz e aquilo que se tem na realidade, não existe na Terra. Se não há essa correspondência, pois há apenas padrões sociais (ex. cultura) e naturais (ex. os sentido humanos) que delineiam a comunicação, não há verdade tal qual concebida ao longo da história humana.

Também não há verdade relativa, normalmente compreendida como aquela que surge na comunicação (verdade por consenso), pois também não há correspondência entre o fato pensado em linguagem por uma pessoa e o pensado por outra. Cada qual molda a sua realidade de uma forma, ainda que submetida por eventos objetivos em si, mas sempre sujeitos à subjetividade de cada ser humano, por mais simples que sejam os eventos.

Para o artigo completo, acesse: Pós-verdade: o conceito político da moda é equivocado

Boa leitura!

 

 

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