Reflexões Natalinas

Dezembro é mês festivo e não é de hoje. A razão é óbvia: o inverno, pelo menos na parte do planeta que dominou o mundo e propagou sua cultura e tradições. Outras regiões, América do Sul, por exemplo, refletem apenas a assimilação cultural-colonial.

E assimilação é o que não falta na festa do Natal. Esse processo é antigo. Cada civilização dominante sobrepõe suas tradições e crenças às culturas dominadas e com o passar do tempo perde-se o significado original da celebração, pelo menos em teoria é assim. Jerusalém é um exemplo. As escavações nos antigos templos demonstram em camadas os períodos de predomínio hebreu, islâmico e e cristão.

O solstício de inverno possuía várias celebrações em diferentes regiões do planeta. O Natal ocidental marcado por pinheiros, troca de presentes, mesa farta, são o resultado de várias tradições européias, greco-romanas e regiões do oriente médio.

A celebração do deus Sol (Natalis Solis Invicti) era dedicada ao deus Mitra, da Pérsia, e que era muito popular junto ao povo romano. Existia para marcar a vitória do sol perante a escuridão, já que na luta diária, a escuridão (no inverno os dias claros vão ficando mais curtos e o auge ocorre no solstício) vai avançando pouco a pouco sobre a luz, mas no dia do solstício começa a virada e o sol volta a ganhar força.

Como cultura dominante globalizada, a ICAR precisava se sobrepor a essas velhas tradições, porém sem entrar em confronto, ou seja, sobrepor a cultura e tradição católicas às práticas locais. Surge o Natal como celebração do nascimento de Jesus, sem afastar as práticas então vigentes, introduzindo-as no interior da igreja e procurando redifinir-lhes os significados. Necessário era cristianizar a data, já que abolir seria altamente custoso.

Era o século IV e a ICAR estava só no começo. Suas bases ainda não estavam sólidas. Existia muita discussão no meio clerical sobre diversos pontos e um deles era o dia do nascimento do Salvador. A época da morte e ressurreição não deixava dúvidas: foi no período da Páscoa. Mas e o nascimento?

A data atual foi, por essas razões, a escolhida, como vocês já sabem. Essa mesma estratégia deu origem a muitas outras festas cristãs, entre elas: páscoa, festas juninas, dia de finados e o de todos os santos – todas elas eram festividades pagãs que foram incorporadas pela Igreja.

Na idade média o Natal cristão já era considerada a festa mais importante da Europa. No entanto, após a reforma de Lutero começaram a surgir questionamentos em virtude da sua origem pagã. Por isso, ainda hoje é possível encontrar certas denominações de origem protestante que não celebram o Natal e outras efemérides que se originaram da assimilação cultural do paganismo pelo cristianismo.

Uma coisa é certa, a data se tornou global graças a ICAR, ao império romano e às expansões territoriais notadamente do período colonial. Agora se conseguiu emplacar o significado cristão, deixo ao senhores essa avaliação.

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