Arquivo mensal: dezembro 2019

Feliz 2020: 366 dias é muito tempo…

Bom dia, 31/XII/2019.

E a Terra redonda já iniciou o seu derradeiro giro em torno do próprio eixo, no ano de 2019, conforme calendário gregoriano adotado a partir de 1582, por ordem do Papa Gregório XIII.

O que deu pra fazer, deu. O que não, não deu.

Só que 2020 tem um presente: um dia a mais! Serão 366.

Logo, você não terá a desculpa da falta de tempo pra não fazer o que tem que fazer. 😄😉

Feliz 2020, com 366 dias!!! 🙌🏼

Fenômenos físicos e espiritismo

Allan Kardec já alertava para os riscos dessa modalidade de mediunidade e os cuidados necessários para lidar com esses tipos de fenômenos.

Não bastassem os riscos envolvidos, é a modalidade que mais atrai a atenção e é a mais fácil de fraudar. Não se pode negar que os fenômenos físicos estão no surgimento da doutrina espírita. Chamaram a atenção do Prof. Rivail. Mas superada a fase da curiosidade, o professor passou a dar primazia a fenômenos intelectuais: psicografia e psicofonia.

Logo a análise passou a se concentrar no conteúdo das mensagens e instruções, quanto à lógica e à coerência com o pensamento da maioria das comunicações (CUEE) e do que a ciência e a filosofia já ofereciam.

Ideias são muito mais difíceis de fraudar e mais difíceis de analisar também e não é atraente para as massas, o que normalmente afasta os prestidigitadores.

No Brasil, o espiritismo enveredou por uma característica típica dos povos latinos: culto a personalidade. Kardec sabia que a exposição da mediunidade poderia (e pode) por a perder um medium e isso já era um problema em sua época, por isso omitia os nomes e não confiava as comunicações a um único médium, portanto, os espíritas brasileiros tem muito a aprender com as obras básicas do espiritismo.

De outro lado, não se pode avaliar o trabalho de Kardec como pseudociência pois não existiam as técnicas e os métodos que hoje conhecemos. Cesare Lombroso, por exemplo, da mesma época, acreditava fazer ciência em seus estudos sobre criminologia.

É preciso sempre ter mente que uma pessoa é o que é em função de suas experiências e do que existe e acontece no seu tempo.

O trabalho de Kardec foi um esforço respeitável na tentativa de análise e compreensão de fenômenos psíquicos partindo praticamente do nada, quase zero, numa época em que tais fenômenos eram coisas de padre. Não por acaso a doutrina espírita foi duramente criticada e combatida pela Igreja.

O mesmo equívoco há na tentativa de dogmatizar os achados de Kardec e os seus métodos. Muito do material que ele trabalhou, hoje está na psicologia, na psiquiatria e na sociologia (ramos que sequer existiam). Outra parte serve apenas como fonte histórica.

Kardec fez um grande esforço no sentido de conciliar religião com filosofia e ciência. Não se pode afirmar que tenha tido pleno sucesso, afinal, faltou quem desenvolvesse o método e a abordagem para acompanhar o desenvolvimento das técnicas e do conhecimento científico.

Sabemos, por exemplo, dos enxertos que a doutrina espírita passou a sofrer após sua morte, não obstante o esforço de muitos para tentar protegê-la das influências de doutrinas exóticas e proto-religiosas.

Aliás, o próprio Kardec recomendou: se uma tese apresentada pelo espiritsmo não se encaixar ou for negada pela ciência, fica com esta. Infelizmente, os espíritas costumam não levar a sério a recomendação.

O esforço foi nobre, incipiente, somente 10 anos de trabalho, mas relevante. Infelizmente o “religiosismo” tomou conta do espiritismo por aqui, da mesma forma que o exoterismo a dominou no continente europeu e norteamericano.

O sincretismo no Brasil é tão evidente que os centros espíritas acabaram por assumir feições de templo e as práticas, em muitas casas, adotaram aspectos místicos e ritualísticos.