Espiritismo e Política

Não há dúvida de que a tribuna espírita é destinada à discussão e à exposição da doutrina espírita e dos valores morais do Cristo (atenção: não estou a dizer “valores cristãos”).

Que cada um pode e deve se posicionar politicamente não temos dúvidas. Mas a tribuna espírita é coisa séria. Quando estamos nela somos porta-vozes do Espiritismo.

Que as preferências políticas e ideológicas devem ficar longe da tribuna, não parece haver dúvida. Porém, não se pode esquecer que o Espiritismo foi construído sobre os valores da liberdade, solidariedade, fraternidade, do livre pensar e do livre expressar.

Também está na base da construção da doutrina o permanente revisionismo dos seus postulados com base no CUEE: a garantia da perpétua compatibilidade com os fatos e com o mundo em constante transformação.

Como propagador dos valores do Cristo, o Espiritismo prega o respeito mútuo, prega a abominação ao preconceito sob todas as formas, à violência e à propagação do ódio.

Tenho certeza que dá pra defender esses postulados sem fazer proselitismo político-ideológico.

No entanto, causa pesar ver os “astros do espiritismo brasileiro” usando a tribuna espírita para se meter em assuntos que não dominam e em muitos casos fazer proselitismo político-ideológico sob pretexto de “defesa dos valores morais cristãos”.

A melhor forma de defender valores é exemplificando. É que nos ensina todos os manuais de boa conduta. Mas o que temos visto é algo lamentável.

Outro dia, um desses “popstar” comentava a tal “ideologia de gênero”. Qualquer pessoa medianamente informada sabe que a própria expressão já é uma fake news. Quanta bobagem.

Quem se der ao trabalho de estudar um pouco a ODS5 da ONU vai entender um pouco o que é essa questão das políticas de gênero, que na verdade se refere à necessidade de que governos desenvolvam políticas sociais voltadas à redução da desigualdade social e econômica correlacionada ao gênero.

Porém, nossas estrelas também são vítimas de todo esse processo muito relacionado a essa mania nossa de eleger astros, estrelas e heróis, dentro e fora do movimento. Kardec foi sábio e exemplar em evitar esse transtorno.

Concluímos, tendo Kardec como prova, que dá para defender os princípios do Espiritismo e os valores do Cristo sem necessariamente atacar as convicções de quem quer que seja.

Deixemos que eles reflitam nas palavras da doutrina espírita e nas do Evangelho, sem ataques. Quando se ataca ou se critica alguém dispara-se nele um mecanismo de defesa psicológica (ninguém gosta de admitir que está equivocado), que busca confirmar a crença na qual já se depositou confiança, tornando-o repelente a qualquer coisa que a infirme.

Expondo a doutrina corretamente e falando dos valores do Cristo com persistência, a resistência vai sendo minada e uma hora a ficha cai.

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