Já não há justificativa para o erro

Infelizmente, nós seres humanos, ao que parece, ainda vivemos como há 100 anos, quando o assunto é: decisões racionais.

Só que os seres humanos de 1918 não tinham 1% da informação que hoje temos. Não se trata somente de dados. Mas de ciência, método, drogas, capacidade de ação etc.

Hoje temos os dados, inclusive os dados deles, de 1918. Sabemos o que enfrentaram e o que fizeram no enfrentamento da Pandemia de Gripe. Hoje podemos utilizar a estatística. Na época a estatística não era 0,1% do que é hoje. Eles não tinham computadores para tratar toneladas digitais de dados e modelos matemáticos que produzem informações e resultados quase instantâneos.

A ciência médica era praticamente ciência veterinária melhorada e adaptada. A diferença básica entre essas profissões era – grosso modo – de caráter anatômico. Hoje temos a Internet, as comunidades globais estão conectadas, centros acadêmicos interconectados num esforço conjunto para otimizar recursos e esforços, compartilhando a produção de conhecimento, elevando exponencialmente a produtividade.

Em 1918 a comunicação era feita por papel e as distâncias eram vencidas pelo telégrafo – um luxo – e pelos navios. Telefone, então, era novidade que não alcançava nem 1% da humanidade.

Mas na hora de decidir, o espírito do “vamos fazer” toma conta e praticamente jogamos fora toda a vantagem acumulada. Opta-se por fazer, fazer e fazer, ainda que irracionalmente. Opta-se por decidir sem usar informações coerentes, sem usar os dados que dispomos. Decidir sem os métodos desenvolvidos ao longo de décadas para gerar informação com segurança e eficiência.

Como há 100 anos, a credulidade é matriz dos pensamentos e guia das mentes de boa parte da população. E não é monopólio de pessoas sem escola. São profissionais, doutores, gente da academia que teve o privilégio de frequentar o ensino superior e agora na hora que mais precisam da ciência a descartam.

É lamentável. 100 anos de progressos desprezados em nome da fé cega, do fanatismo e do interesse mesquinho, ao custo de vidas, muitas vidas.

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