Arquivo da categoria: Autoajuda

Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará

Ajuda-te. Busca e acharás. No Evangelho de Mateus, capítulo 7, encontramos valiosas recomendações. Mas, como ajudar a si mesmo? O pressuposto da ação de ajudar alguém é perceber que esse alguém está necessitando de algo ou quando essa pessoa manifesta uma necessidade na intenção de obter ajuda. Como, então, perceber em si mesmo uma necessidade? Como pedir ajuda a si mesmo? Como manifestar a necessidade de ser ajudado a si mesmo?

Sabemos, pelo que encontramos nas obras espíritas, que egoísmo e orgulho são as chagas da humanidade, as bases fundamentais de todos os males que afligem o ser humano (q. 759, LE). Parece óbvio que orgulho e necessidade são “coisas” antagônicas. Quantas pessoas conhecemos que recusam uma ajuda ou fazem de tudo para não parecer que precisam de uma mãozinha? Muitas. O orgulho é tão comum quanto o sono, a sede ou a fome. É básico.

Se somos todos portadores de egoísmo e orgulho, nota-se aí uma grande dificuldade a ser superada para então sermos capazes de ajudarmos a nós mesmos: superar o orgulho e admitir que somos portadores de necessidades.

Parece, então, que a primeira ajuda que temos a dar a nós mesmos é justamente reconhecer que somos necessitados, que precisamos não só da ajuda dos outros, mas principalmente da nossa autoajuda. Esse reconhecimento significa a remoção da primeira dificuldade para se praticar a máxima “ajuda-te a ti mesmo”; é um pressuposto, pois, sem esse ato prévio, preparatório, como poderá o céu operar a nosso favor se não nos “autoajudamos” por achar que não temos necessidades, que não precisamos de ajuda?

Esse rodeio todo é para chegarmos à ideia de humildade. O oposto de orgulho. Sua antítese.

Assim, podemos admitir que a primeira coisa que podemos fazer por nós mesmos, a autoajuda primordial, é procurar afastar o orgulho que nos domina e nos trás a ilusão de que somos infalíveis, que temos as melhores ideias, que somos autossuficientes, que nosso ponto de vista é o melhor, que sempre estamos certos, que nunca vamos ficar doentes, que conseguiremos tudo que o desejarmos, e assim por diante. O orgulho é uma paixão e como tal nos cega.

Essa “autocegueira” é uma consequência inevitável do orgulho e nos expõe repetidamente a situações que drenam nossas energias, que nos deixam exaustos, que nos ferem a autoestima e, por consequência, não permitem que admitamos que as escolhas que fazemos, ainda que não sejamos totalmente responsáveis por elas, pois somos todos mais ou menos ignorantes, estão na gênese dessas sensações que não queremos sentir. Como não enxergamos em nós mesmos as causas dessas situações que nos desagradam, procuramo-las nos outros: é o colega do trabalho que é irritante, é o vizinho que faz barulho e não me deixa estudar, é o filho problema que me preocupa e não me deixa pensar direito, é o pai que não me entende e não me apoia e por isso me sinto frustrado e incapaz, é o chefe que é incoerente e que me persegue e que por isso não consigo dar o meu melhor, e por aí vai.

Isso não quer dizer que nenhuma dessas situações inexistam ou sejam fantasias. Podem ser reais, e quase sempre são, mas a base do problema está na falta de humildade que nos impede de procurar uma maneira de contornar tudo isso ou pelo menos diminuir o poder que têm de nos afetar. O orgulho nos impede de entender que somos nós que temos que mudar nossa atitude diante dos fatos para melhor lidarmos com eles. O orgulhoso acredita, meio que inconscientemente, que pode e tem o dever de modificar as pessoas e o mundo para que se adéquem ao que ele acha que deve ser, que as pessoas e situações ao seu redor devem se encaixar no seu ponto de vista. O orgulhoso, por também ser egoísta, pensa, crê e exige que o mundo gire em torno de si mesmo. Como isso nunca vai acontecer, sofre.

Então, a conclusão a que se pode chegar é que a primeira e mais importante ajuda que podemos dar a nós mesmos é nos esforçarmos para reconhecermos que somos pessoas necessitadas da virtude da humildade e procurar meios de cultivá-la e fazê-la crescer dentro de nós. Para isso, cabe-nos buscar firmemente pensamentos e ações que se oponham ao orgulho. Reconhecer que não somos infalíveis, que outros pontos de vista podem ser melhores que o nosso, que outras pessoas podem ter habilidades superiores e que por isso podem nos ajudar.

Quando estivermos certos de que estamos com a melhor ideia, com o melhor ângulo de visada diante de um problema, ter paciência e tentar demonstrar isso e se não for compreendido, seguir adiante na certeza humilde, na boa-vontade, de estar fazendo o que é melhor.

Autoajudar-se é buscar cultivar a abertura para a conexão criativa e positiva com as pessoas, desenvolver um espírito de colaboração e compartilhamento que irá, inevitavelmente, despertar idênticos sentimentos em todos ao nosso redor, alguns mais rapidamente, outros mais lentamente.

Desrespeito gera desrespeito. Gentileza gera gentileza. Ajuda-te que o céu te ajudará. Lei de causa e efeito.

Anúncios

Autossabotagem

auto-obsessão-espiritismo

O assunto, que é da alçada da psicologia, muito interessa aos curiosos e estudiosos dos fenômenos psíquicos e aos espíritas, especificamente.

Na literatura espírita encontramos trabalhos e escritos falando da auto-obsessão e o que encontramos encaixa-se quase que perfeitamente no tema deste escrito que colhemos e trazemos para a sua apreciação, leitor. Esperamos que goste e compartilhe.

Autossabotagem: o que falta para você começar?
Por Andre Lima
Existe algo dentro de nós que nos leva a agir de uma forma que parece pouco inteligente e que prejudica a nossa vida. É uma força interior que genericamente chamamos de “autossabotagem”.
Coisas que poderíamos fazer para melhorar nossas vidas, a maioria delas bem simples, muitas vezes adiamos indefinidamente: se alimentar melhor, dormir um pouco mais cedo, praticar meia hora de exercício por dia, beber água ao invés de refrigerante quando se tem sede etc. É muito estranho não agir da forma que sabemos racionalmente ser a melhor.
Vou explicar mais sobre o processo da autossabotagem.
Recentemente, recebi um e-mail que dizia: “olá, André. Gosto muito de ler seus artigos. Descobri, através deles, que tenho várias questões emocionais para resolver (mágoas, medos, ressentimentos, traumas… a lista é grande rsrsrs). Muitas coisas que eu não tinha a menor consciência até então. Ainda não comecei a praticar EFT (não li ainda o manual gratuito). Neste momento, estou sem condições financeiras de fazer um curso ou de investir no tratamento online. Como você poderia me ajudar?”
Parece-me que a melhor resposta seria perguntar “como você poderia se ajudar?” ou “o que falta pra você começar?” A orientação que dei para ela foi a mais óbvia: recomendei que lesse o manual e começasse a se autoaplicar EFT o quanto antes.

Precisamos ser relembrados, por nós mesmos ou por livros, professores e orientadores, de fazer as coisas mais simples e mais óbvias. Pagamos muitas vezes para ouvir o que já sabemos que temos que fazer e ficamos satisfeitos por ter alguém que preste esse serviço.

É muito interessante observar as coisas que fazemos e deixamos de fazer para nos sabotar. A mente, sob a influência das forças inconscientes sabotadoras, encontra razões para justificar ou dar desculpas para não realizarmos as coisas mais simples que nos seriam benéficas. Quando algo é bom, mas é pago, não fazemos porque é caro e aí pensamos “ah, se fosse mais barato ou, então, de graça…”. Mas aí, quando é gratuito, não fazemos porque não temos tempo, paciência ou porque dá muito trabalho.

Outra vez, um cliente agendou uma sessão de atendimento comigo. Queria tratar uma questão ligada à autossabotagem. Sabotou-se e faltou a sessão marcada.
Essa força interior sabotadora pode parecer que surgiu simplesmente do nada, mas, na verdade, ela é um somatório de sentimentos negativos acumulados durante a nossa vida: medos, ressentimentos, traumas, mágoas, frustrações, medo de sofrer o que já sofremos no passado. Essa energia se acumula e gera pensamentos negativos com relação ao futuro e nos deixa inseguros no dia a dia. A autossabotagem é um sintoma. Indica que temos uma série de fatores emocionais em conflito.
Esses sentimentos são gerados basicamente de quatro maneiras: 1. Experiências negativas que passamos (nos deixam emoções mal resolvidas não dissolvidas); 2. Coisas que ouvimos da família, religião, escola, jornal e sociedade em geral (medos e crenças que são ensinadas pelas palavras, de geração em geração); 3. Experiências negativas que observamos de terceiros e que acabam nos marcando emocionalmente em algum nível (nos deixam medo, raiva, tristeza, frustração) e; 4. Comportamentos negativos que observamos em terceiros e que também, em algum nível, nos passam sentimentos e nos marcam (aprendemos pelos exemplos).
Observe que todas as quatro formas acima citadas são mecanismos que nos deixam impregnados de emoções negativas. Por exemplo, se somos traídos por alguém (experiência negativa que passamos), guardamos mágoas e ressentimentos. Quando ouvimos crenças e palavras negativas dos nossos pais e da sociedade em geral, começamos também a sentir aquelas emoções de medo, raiva, frustração etc. Quando vemos alguém passando por situações difíceis (um amigo indo à falência nos negócios ou uma relação cheia de briga entre os pais) absorvermos também emoções de tristeza e outras. Ao observarmos comportamentos negativos, aprendemos a nos sentir e agir daquela forma.

A autossabotagem cresce na medida em que essas emoções vão se acumulando. Em um nível mais baixo de acúmulo, o reflexo em nossas ações e pensamentos será sutil e pouco prejudicial. Nos níveis mais altos, essa força cresce de forma a causar preguiça, procrastinação, pessimismo, depressão. Inconscientemente, agimos negativamente prejudicando nossos relacionamentos, vida profissional e saúde física.

Certa vez atendi uma moça que não conseguia manter relacionamentos por muito tempo. Sentia tanto ciúme e insegurança que ela mesma resolvia acabar o relacionamento. Depois ficava frustrada, mas, ainda assim, repetia o mesmo comportamento no relacionamento seguinte.
Utilizamos a EFT para trabalhar e dissolver um sentimento de abandono que ela guardava da infância. O pai havia abandonado a família quando ela era muito pequena e isso gerou uma grande insegurança. Após resolver essa questão emocional, seu comportamento mudou profundamente no relacionamento seguinte e todo o ciúme e insegurança foram embora.
Antes ela não conseguia entender a razão daquele comportamento tão sabotador. Agir daquela maneira parecia uma coisa irracional, sem a mínima lógica, mas, na verdade, havia todo um fundamento emocional inconsciente. Ela não sabia que tinha aqueles sentimentos guardados naquela intensidade e nem tinha noção de que aquilo era o gerador de tantos comportamentos negativos.
Em outra oportunidade atendi um homem com um padrão de comportamento que o levava a autos e baixos constantes nos negócios. Ele dizia que, quando tudo começava a ir muito bem, surgia um sentimento de acomodação e preguiça. Isso o levava a perder clientes e tomar atitudes estranhas que prejudicavam muito seu trabalho. Perdia tudo, ficava endividado e depois se recuperava e repetia o ciclo. Após algumas sessões onde trabalhamos medos, situações da infância, sentimentos de fracasso de experiências anteriores, o comportamento sabotador reduziu até desaparecer.
Sempre há uma causa ou várias que nos levam a agir de forma sabotadora. Nunca é por acaso. Cada ser humano tem a sua “coleção” emocional negativa que é a base que gera a autossabotagem. É preciso investigar para descobrir e dissolver com a EFT.

Fonte: http://www.eftbr.com.br/content/autossabotagem-o-que-falta-pra-voc%C3%AA-come%C3%A7ar. Acessado em 19 out. 2015.

Sugere-se, também, o seguinte artigo: http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/noticias/autossabotagem-o-medo-de-ser-feliz

A boa solidão acautela o ser humano contra a vida solitária

Por Jorge Hessen

Pesquisa realizada por John Cacioppo, cientista e professor de psicologia da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, sugere que o isolamento impacta e acelera o extermínio “prematuro” do idoso solitário. Para Cacioppo há fatores de risco em face do sentimento de solidão, dentre os quais estão a interrupção frequente do sono, elevação da pressão arterial, aumento do cortisol (hormônio do estresse), alteração do sistema imunológico e aumento da depressão(1). Talvez realmente a solidão seja preocupante enfermidade dos dias de hoje.
As invenções tecnológicas, avançando em uma velocidade vertiginosa, propõem “democratizar” as relações sociais. Tais recursos vêm disponibilizando recursos sedutores, a saber: a TV digital, os smartphones com suas múltiplas funções, os vídeos e filmes de alta definição, os notebooks, os tablets, a internet, as redes sociais, os jogos eletrônicos virtuais; eis aí uma lista mínima do que a tecnologia tem proporcionado.
Há uma respectiva quebra da necessidade de se estar fisicamente “junto”, a fim de conversar, ampliar amizade, trocar emoções. Consegue-se através do aplicativo whatsapp, por exemplo, dialogar, trocar mensagens, vídeos, fotos, de qualquer lugar, horário e distância, conectando-se todos a tudo. Viabiliza-se resgatar amizades perdidas no tempo, reencontrar familiares que a distância afastou e refazer relacionamentos que se submergiram pelos caminhos. Entretanto, paradoxalmente, a tecnologia que nos cerca externamente pouco preenche interiormente. De tal modo que não será a tecnologia que nos afastará da “má solidão”, aliás, característica dos que não vivem valores da solidariedade, da compaixão, da fraternidade.
Vive-se hoje a estranha sensação de que não se está sozinho na multidão. Indivíduos cercados por pessoas em ônibus, metrôs, aviões, estádios, localidades de trabalho, avenidas, ruas. Contudo, nessa selva de pedras existem muitos sujeitos solitários. E quanto mais são cercados de gente, de barulho, de tarefas, mais se agrava a sensação de que estão sozinhos. Parece contraditório? Será a “maligna solidão” a ausência de companhia, de pessoas à volta de certos solitários? Consistiria em estar longe das civilizações?
Mas será que toda solidão é malfazeja? Notemos a rocha que sustenta a planície costuma viver isolada e o Sol que alimenta o mundo inteiro brilha sozinho. Lord Byron dizia que “na solidão é quando estamos menos só.” (2) Para certas horas a saudável solidão é para o espírito o que a dieta é para o corpo. Muitas vezes, para ouvirmos a voz sincera da consciência precisamos saber fazer silêncio em torno de nós e dentro de nós. Há momentos em que é imprescindível a busca da benéfica solidão para nos encontrarmos conosco, em um reencontro com a própria alma, de maneira tranquila e serena, sabendo que guardamos em nossa intimidade a chave para nossa ascensão espiritual. É nesses momentos de introspecção que conseguimos analisar atitudes, valores e sentimentos. Sob esse ponto de vista, a meiga solidão será oportuna companheira a ser buscada, para que possamos nos encontrar e nos conhecer.
Não esqueçamos que em nossa marcha rumo à luz imperecível cultivamos diálogos que dizem respeito somente a nós mesmos. Nada nos impede, pois, com regularidade, evadirmo-nos do mundo, buscando momentos de magna solidão, em que teremos apenas nós mesmos para viajar em torno da consciência, pois quando silencia o mundo à nossa volta conseguimos ouvir a voz da consciência e até mesmo escutar o nosso “EU” histórico. Serão esses espaços de abençoada solidão que nos consentirão reavaliar comportamentos para, nas próximas experiências, evitar que repitamos os mesmos desacertos, em análogas ocasiões. A sós, diariamente, alguns momentos para meditar a respeito do que fazemos, como fazemos, nos permitirá marchar por estradas íntimas e nos desvendar em profundidade.
Há quem use a prodigiosa solidão como tempo de inspiração, análise e programação. Quando fazemos silêncio exterior, damos vazão ao mundo interno, intenso e palpitante. Há tanta gente mergulhada em alaridos indigestos, dominada por conversas maledicentes ou pelo estrondo de risadas burlescas; há tanta gente rodeada de pessoas, mas com a alma amargurada, oprimida, oca. Lembremos que tudo tem o seu tempo determinado, conforme narra o Eclesiastes: “Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar, tempo de colher, tempo de chorar e tempo de sorrir; tempo de falar e tempo de silenciar também.”(3) Então, por que temer a santa solidão? Se a vida nos oferece a bondosa solidão, saibamos abrigá-la como um tesouro. Aproveitemos cada instante para meditações. Encaremos tudo e todas as circunstâncias como ensejo de aprendizado.
Obviamente Deus nos criou para viver em sociedade. Não nos ofereceu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação humana. É natural que o “isolamento absoluto” seja contrário à lei da Natureza, até porque por instinto buscamos a sociedade e devemos concorrer para o progresso, auxiliando-nos mutuamente. Ora, completamente isolados, não dispomos de todas as faculdades. Falta-nos o contato com os outros de nós. No isolamento incondicional ficamos brutos e morremos (4). Por essas criteriosas razões é importante caracterizar as distintas solidões – aquela que significa fuga definitiva do convício social daquela outra que nos abastece a alma a fim de que jamais constemos no rol dos seres solitários.

Texto publicado na página do GEAE – Grupo Espírita Abrigo da Esperança.
Notas:
(1) Disponível em http://oglobo.globo.com/saude/solidao-aumenta-em-14-as-chances-de-idosos-morrerem-de-forma-prematura-11609030#ixzz2yAIPeewV acesso em 05/04/2014
(2) George Gordon Byron, comumente conhecido como Lord Byron; foi um escrito/poeta inglês do século XIX.
(3) Eclesiastes 3:1-8
(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questões 766,767 e 768, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000