Arquivo da categoria: Emmanuel

Domingo de Páscoa

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“Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas da casa onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus e pôs-se no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco.” (JOÃO 20: 19.)

Desde o dia da ressurreição gloriosa do Cristo, a Humanidade terrena foi considerada digna das relações com a espiritualidade.

O Deuteronômio proibira terminantemente o intercâmbio com os que houvessem partido pelas portas da sepultura, em vista da necessidade de afastar a mente humana de cogitações prematuras. Entretanto, Jesus, assim como suavizara a antiga lei da justiça inflexível com o perdão de um amor sem limites, aliviou as determinações de Moisés, vindo ao encontro dos discípulos saudosos.

Cerradas as portas, para que as vibrações tumultuosas dos adversários gratuitos não perturbassem o coração dos que anelavam o convívio divino, eis que surge o Mestre muito amado, dilatando as esperanças de todos na vida eterna. Desde essa hora inolvidável, estava instituído o movimento de troca, entre o mundo visível e o invisível. A família cristã, em seus vários departamentos, jamais passaria sem o doce alimento de suas reuniões carinhosas e íntimas. Desde então, os discípulos se reuniriam, tanto nos cenáculos de Jerusalém, como nas catacumbas de Roma. E, nos tempos modernos, a essência mais profunda dessas assembléias é sempre a mesma, seja nas igrejas católicas, nos templos protestantes ou nos centros espíritas.

O objetivo é um só: procurar a influenciação dos planos superiores, com a diferença de que, nos ambientes espiritistas, a alma pode saciar-se, com mais abundância, em vôos mais altos, por se conservar afastada de certos prejuízos do dogmatismo e do sacerdócio organizado.

Reuniões Cristãs
Caminho, Verdade e Vida
– Cap. 9

Francisco Cândido Xavier (Emmanuel)

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Perdão das ofensas

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Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” no Capítulo X – Bem-aventurados os que são misericordiosos – encontramos explanação de um espírito que se identifica como Simeão, cujo título é Perdão das Ofensas, na qual conclama os espíritas, dizendo:

Espíritas, jamais vos esqueçais de que, tanto por palavras, como por atos, o perdão das injúrias não deve ser um termo vão. Pois que vos dizeis espíritas, sede-o. Olvidai o mal que vos hajam feito e não penseis senão numa coisa: no bem que podeis fazer. Aquele que enveredou por esse caminho não tem que se afastar daí, ainda que por pensamento, uma vez que sois responsáveis pelos vossos pensamentos, os quais todos Deus conhece. Cuidai, portanto, de os apagar de todo sentimento de rancor. Deus sabe o que demora no fundo do coração de cada um de seus filhos. Feliz, pois, daquele que pode todas as noites adormecer, dizendo: Nada tenho contra o meu próximo. Simeão. (Bordéus, 1862.)

As palavras de Simeão, apesar de dirigidas aos espíritas, servem a todo e qualquer Cristão, pois se trata da aplicação da moral ensinada pelo Cristo. Além de saúde espiritual, fazer esforço para eliminar quaisquer pensamentos ou sentimentos de mágoa trará profundos benefícios à saúde corporal, o que é muito importante, considerando que se trata de instrumento dado por Deus para ser utilizado em nosso aprimoramento. Porém, não se trata de tarefa fácil.

Para um cristão, perdoar deve ser a primeira coisa em que se pensar quando do registro de uma ofensa ou mágoa. Quem perdoa ou sente a necessidade de perdoar está confessando que sua alma foi atingida por algum tipo de agressão e que ficou ressentida. O ideal seria sequer registrar a ofensa, deixá-la passar como um fato qualquer, uma intercorrência banal. Mas nossos egos são demasiado sensíveis para tal.

O ato de perdoar, para quem sente necessidade de passar por esse processo – e se você não é um espírito da envergadura de Gandhi ou Madre Tereza, terá que em algum momento pô-lo em prática -, só é alcançado de verdade pela compreensão daquele que ofende. Afinal, perdoar é, também, um exercício de tolerância.

O ofendido precisará refletir sobre a conduta daquele que ofende, questionando: qual sua realidade? Por quais problemas estará passando? Que traumas sua vida registrou? Como foi sua vida afetiva durante a infância? E, outra questão fundamental que deve ser feita: eu, nas condições em que o(a) irmão(ã) se encontra ou passando pelo que ele(a) passou, poderia agir de forma semelhante?

Portanto, perdoar torna-se inerente ao exercício do processo de compreender. Não tem nada com esquecer, estamos longe disso. Em nossa condição evolutiva, esquecer pode ser mais uma forma de evitar o problema, menosprezá-lo. Muitos procuram enganar a própria consciência, dizendo: esqueci, já perdoei! Mas a simples lembrança ou o contato com o autor, reacende a mágoa.

Quem registra uma ofensa e quer por em prática as lições de Jesus, fará um esforço por compreender o fato, fará aquele exame de consciência que o Mestre Divino impôs à turba que pretendia apedrejar a mulher acusada de adultério: “…quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”.

Poderia ter dito: examina tua consciência e procura verificar se tu também não estás merecendo uma pedrada!?

Fontes consultadas: Fonte Viva (Fraternidade; Se Soubéssemos; Desculpa Sempre; Aprendamos com Jesus) – Emmanuel (psicografia de Chico Xavier)

Investimentos

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O VALOR DA COOPERAÇÃO FRATERNA

Compreensível o espírito de previdência que induz o homem a se preservar contra a penúria.

A formação bancária na garantia comum, os estabelecimentos de segurança pública, as organizações de economia popular sem estímulo à usura e os institutos de proteção recíproca representam aquisições de inegável valor para a comunidade.

Ninguém deve menosprezar o ensejo de se resguardar contra a exigência imprevista. Essa realidade, patente no plano material, não é menos tangível no reino do espírito.

Urge depositar valores da alma, nas reservas da vida, considerando as nossas necessidades de amanhã.

A interdependência guarda força de lei, em todos os domínios do Universo.

Caridade é dever, porque, se os outros precisam de nós, também nós precisamos dos outros. Não esperes, porém, pelo poder ou pela fortuna terrestres a fim de cumpri-la.

Faze os teus investimentos de ordem moral com o que tens e com o que és.

Começa agora.

Quotas pequeninas de força monetária totalizam grandes créditos. Migalhas de bondade formam largos tesouros de amor.

Relaciona algumas das possibilidades ao alcance de todos:

    • o minuto de cortesia;
    • o testemunho de gentileza;
    • o momento de tolerância, sem nenhum apelo à crítica;
    • a referência amistosa;
    • a frase encorajadora;
    • a demonstração de entendimento;
    • a desculpa espontânea, sem presunção de superioridade;
    • a conversação edificante;
    • a pequenina prestação de serviço;
    • o auxílio além da obrigação…

No capítulo da propriedade, lembra-te da própria alma – a única posse inalienável de que dispões – e, recordando que precisas e precisarás de recursos sempre maiores e sempre novos para evoluir e elevar a própria vida, não te esqueças de que podes, a todo instante, trabalhar e servir, investindo felicidade e cooperação com ela.

Do livro Encontro Marcado – Emmanuel/Chico Xavier