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Tudo está conectado

Filme-A-Viagem

Por Geraldo Campetti Sobrinho – Vice-Presidente da FEB

O filme “A viagem: tudo está conectado” não é espírita; porém, divulga claramente princípios adotados pelo Espiritismo: a imortalidade da alma; a reencarnação; a lei de causa e efeito; a pluralidade dos mundos habitados; e a lei de evolução, além de percorrer a questão da crença no auxilio espiritual superior e a influência negativa de espíritos temporariamente voltados ao mal.

Com produção hollywoodiana e atores famosos, como Tom Hanks e Halle Berry, excelente direção, efeitos especiais admiráveis, a película, de cenas fortes e violentas, que retratam os equívocos cometidos ao longo de sucessivas experiências, apresenta valioso conteúdo moral para reflexão.

Para quem assistiu aos filmes de cunho eminentemente espírita de produção nacional, como Nosso Lar, E a vida continua, Chico Xavier, As mães de Chico, O filme dos espíritos e Bezerra de Menezes, poderá não se sentir confortável com o que verá nas telonas em A viagem.

É um filme de ação, que tem o grande mérito de informar que as ações passadas determinam o presente e que, do momento atual, pode-se escrever o futuro, feliz ou infeliz.

Por mais que tentemos, não fugiremos de nosso caminho, embora tenhamos a liberdade de escolha na origem das ações. Tudo se conecta perfeitamente segundo os propósitos de uma lei superior que rege nossos destinos.

Se pudéssemos fazer um mergulho no passado de nossas existências corporais, provavelmente não teríamos um cenário muito diferente do mostrado no filme: enganos, equívocos, maldades, crimes são a tônica de boa parte das cenas, com devem ter sido a de nosso pretérito.

Entretanto, o que deve ficar em nosso entendimento da obra cinematográfica não são as intermediações, mas, sim, o intento final. O sacrifício de mártires para o bem da Humanidade ou de uma coletividade, preservando a pureza e a assertiva de que a liberdade é um direito inalienável do ser. Abusos e preconceitos devem ser obstados, mesmo à custa de revoluções, das quais nossa história é rica em detalhes, nem sempre os mais agradáveis.

Hoje, com a mensagem clarificada do Evangelho de Jesus, à luz do Espiritismo, compreendemos que todos somos irmãos e devemos nos amar uns aos outros. Somos convocados a doar o melhor de nós para o bem de todos.

Fonte: http://www.febnet.org.br/?s=filme+a+viagem&x=0&y=0

A maldição de Amélia

O título* nos faz pensar e imaginar que se refere a um filme de terror; entretanto, com certeza, se refere a um filme, mas, não de terror, e sim de mais uma história que nos exibe o que não é visível aos olhos corporais, porém, apenas, para aqueles dotados de uma mediunidade específica, “a vidência”.

Retrata a luta inconsciente de um espírito, que se mantém ligado ao corpo material, por não compreender e aceitar, e ao mesmo tempo temer a travessia para o outro lado, ou seja, o plano espiritual. E nesta luta, ele vive com a consciência voltada ao passado, praticando e fazendo tudo como antes, sem ter noção do que estar a acontecer realmente ao seu redor. Não é um filme de rápida assimilação, pois no seu decorrer, passamos o tempo todo tentando analisar e compreender certos procedimentos dos personagens para se chegar a uma conclusão lógica, plausível e coerente com o a doutrina espírita. E isso faz com que ele nos mantenha presos até a última parte; quando a luz da compreensão se faz para nosso entendimento, tirando e dando fim as nossas dúvidas e questionamentos. Quanto à questão do título, A maldição de Amélia, com certeza, está em contradição com a história. Quem assistir verá.

E para tanto nos faz necessário explicar determinados procedimentos, sem interferir na supresa do filme.

– Que espera o homem desencarnado, diretamente, nos seus primeiros tempos de vida de além-túmulo? A alma desencarnada procura naturalmente as atividades que lhe eram prediletas nos círculos da vida material, obedecendo aos laços afins, tal qual se verifica nas sociedades do vosso mundo.

– A morte violenta proporciona aos desencarnados sensações diversas da chamada “morte natural”? Quase sempre, em tais circunstâncias, a criatura não se encontra devidamente preparada e o imprevisto da situação lhe traz emoções amargas e terríveis. (Livro ‘O Consolador’)

Foi o que aconteceu com os personagens do filme, e o que geralmente acontece com a maioria de nós quando desencarnados.

Estamos sempre nos preparando para festas, viagens, passeios, divertimentos e atividades de lazer; preocupamo-nos com o nosso futuro, nosso trabalho, nossos negócios, e tudo mais que a vida pode nos oferecer e dar; e o que também dela podemos tirar. Mas, quando a nossa porta bate a doença, vem logo o desespero, a aflição e a angústia; e quanto à morte! Ah! O nosso despreparo, muitas vezes, é lamentável; quando deveria ser consciente, pois, sabemos que tudo na vida tem um começo e um fim. O que não se acaba, e não podemos deixar, são as lembranças, as histórias que devem ser descritas no limiar dos anos por todos nós, mantendo vivias as tradições, não só das famílias, como também, da nossa cidade, do nosso País.

É primordial salientar que a cartomancia descrita no filme, pode enquadrar-se nos fenômenos psíquicos, mas não na doutrina espírita, onde cada um busca a sua própria iluminação interior, através do trabalho constante de sua transformação em todos os sentidos. Não o deixe de assistir, porque o destino está sempre a nos advertir.

Texto de Teresa Cristina Soares (membro do Centro Espírita O Codificador) publicado no Jornal do Commercio de 18/11/2012.
* O título original é “O outro lado dos trilhos”, mais condizente com o tema abordado na película. Em português cairia bem o título “O outro lado” ou “O outro lado da linha”, já que por aqui é comum referir-se à ferrovia como “linha do trem”.

A vida continua mesmo!

– O Senhor crê na reencarnação?

– Não. Eu não creio, pois quem crê hoje, pode não crer amanhã. Eu sei.

Huberto Rohden

O professor Alfredo Marques de Oliveira Ramos, maçon e espírita, desencarnou em 11-04-2002. Ele nos contou que o escritor Huberto Rohden, de renome internacional, fora convidado para proferir palestra nu centro espírita. Um membro da instituição, não concordando que uma pessoa não espírita fosse falar naquele recinto, ficou inquieto. No dia marcado, com a chegada de Huberto, questionou:

– O senhor crê na reencarnação?
– Não.

A resposta seca deixou o nosso confrade mais preocupado. Ele nada podia fazer, nem mesmo que fosse o presidente da entidade, pois a decisão que deve predominar é a da maioria. Presidente não é ditador. Pedimos desculpas aos que têm outra interpretação. Esta é nossa singela opinião.

Alarmado, o nosso personagem comentou com os companheiros de ideal espírita, demonstrando muita inquietação e repetindo que não iria dar certo…

Após a reunião, o mestre Huberto Rohden, sabiamente, disse ao seu inquiridor:

– Eu não creio, pois quem crê hoje, pode não crer amanhã. Eu sei.

Uma grande lição do ilustre escritor, que é conhecido e respeitado pelos diversos segmentos culturais.

O notável escritor baiano Carlos Imbassahy afirmou não admitir a salvação , no sentido teológico, pois seria concordar com a perdição. Preferia o termo evolução.

Estas recordações servem de preâmbulo ao presente comentário. Morte, sobrevivência, reencarnação, são temas que interessam de perto a todos nós, embora as interpretações sejam diferentes.

Reencarnação não é uma questão de crença, mas de saber, de conhecimento, de pesquisa, de estudo, de interpretação profunda dos textos dos livros antigos.

Tanto no Antigo Testamento, como no Novo, existem evidências da sobrevivência da comunicabilidade dos espíritos e da reencarnação. Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, temos várias transcrições da Bíblia.

Quando Jesus estava encarnado, todos comentavam que o profeta Elias voltaria e que os profetas antigos poderiam voltar, ou seja, reencarnar. Até Herodes, o Tetrarca, acreditava e, sendo assim, mandou cortar a cabeça de João, o Batista, como narram os evangelistas Marcos, 6:14 a 16; e Lucas 9:7 a 9.

Após a transfiguração, os discípulos interrogaram a Jesus:

– Por que dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias? Jesus lhes respondeu: É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas: – mas, eu vos declaro que Elias já veio e eles não o reconheceram, antes fizeram com ele tudo quanto quiseram. Então os discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara. (Mateus, 17:10 a 13; Marcos 9: 11 a 13)

Para se compreender a vida, a morte e a reencarnação, como lei de Justiça de Deus, precisamos estudar o assunto. Na Primeira Epístola de Paulo a Timóteo, 2:4, temos:

– Deus deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

Que preciosidade! Deus quer. E assim será. A vontade Dele se cumprirá. A lei é de amor, bondade, justiça e misericórdia, pois justiça sem misericórdia é crueldade.

Vimos o filme E a vida continua…, baseado no livro do mesmo nome, psicografado por Chico Xavier, do espírito André Luiz. Excelente! Mostra o que acontece depois da morte do corpo. Fácil de compreender. Não fique falando sem conhecer. Veja o filme, leia o livro, pois a vida continua mesmo! Acredite! Está na lei de Deus.

Nilton Santos, membro do Núcleo Espírita Bittencourt Sampaio, Monteiro, Recife-PE. texto publicado no Jornal do Commercio de 23 de setembro de 2012.