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Câmara de Vereadores aprova Bíblia nas escolas da rede pública e privada

A câmara de vereadores de Petrolina (PE) aprovou proposta de lei que autoriza as escolas públicas e privadas a adotarem o uso diário da Bíblia antes do início das atividades escolares. 

Segundo o texto aprovado, as escolas vão poder, antes do início das atividades, fazer a leitura de um versículo do Livro Sagrado do Cristianismo.

A proposta em si não tem nada de mal, exceto pelo fato de terem os nobres vereadores, a exceção de dois que se abstiveram por encontrarem vícios na proposta, terem esquecido de incluir no texto a possibilidade de tal leitura poder ser feita com outra fonte, conforme a crença de preferência, por exemplo: o Ghita, o Alcorão, a Torá, um verso de uma música de Bob Marley ou dos Beatles. 

No quesito crença nosso país optou por ser plural e se não houver respeito à pluralidade na esfera pública, com imposição de uma crença sobre outra, essa pluralidade passa a ficar ameaçada.

Parabéns aos vereadores que não concordaram com a matéria. 

Fonte: http://pontocritico.org/29/03/2017/vereador-prof-gilmar-santos-justifica-abstencao-em-projeto-que-autoriza-leitura-da-biblia-nas-escolas-de-petrolina/

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2017 – O ano que não começou bem

Na Turquia, atentado terrorista no dia da confraternização universal.
Dias depois, nos Estados Unidos, tiros em aeroporto da Flórida.

Simultaneamente, no Brasil, presidiários em cadeias superlotadas se matam às dezenas.

E tudo nos remete à formação do caráter: educação.

Só a educação pode salvar este país (e qualquer outro) das manifestações da ignorância que produz cadeias superlotadas, matanças e chacinas; que está na gênese da intolerância religiosa e de gênero; está na raiz do desrespeito aos idosos, às crianças e às mulheres; está na origem dos desvios do dinheiro público, da sonegação e da corrupção; e, também, é quem produz a crença de que os fins justificam os meios. Não existe acaso, nem acidentes. Está tudo conectado. 

Ética, moral e respeito são valores superiores e tudo que é superior pede uma base, um suporte, uma sustentação que, nesse caso, é justamente a educação (a arte de formar o caráter).

A educação não é papel isolado da família, nem somente da escola: é responsabilidade da coletividade amalgamada no que chamamos sociedade.

Educação é um bem comum e como tal deve fazer parte do patrimônio de cada indivíduo. Deve ser prioridade de qualquer país que tenha cidadãos minimamente conscientes de suas responsabilidades perante seus semelhantes, seus irmãos.

A educação é o único processo capaz de permitir  à humanidade alçar-se a patamares mais elevados de evolução.

Divaldo Franco e Jô Soares: eu respeito mais um ateu digno do que um religioso hipócrita

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A frase acima é de Divaldo Pereira Franco, por ocasião da entrevista no Programa do Jô Soares, que foi ao ar em 1º de setembro deste ano.

A frase gerou algumas polêmicas. Provavelmente motivada por duas razões: isolou-se a frase do contexto da entrevista ou é fruto de uma interpretação algo maniqueísta. Divaldo em nenhum momento defende uma postura e ataca a outra. Ele faz uma comparação, uma valoração, que uma conduta é mais adequada (ou menos inadequada) do que a outra, ou seja, pôs numa escala.

Há que se considerar que a frase pisa ao mesmo tempo em dois pilares difíceis de combinar. Um pé está apoiado na visão prática da vida, o outro, na pura. Conforme Kant, o ideal é que essas duas realidades não se misturem, filosoficamente, mas reconhece que um filósofo comum tende a transitar de um mundo ao outro sem muito critério.

Poderíamos reescrever a frase mais ou menos assim: você preferiria conviver com um vizinho ateu digno ou com um religioso hipócrita? Dependendo do ponto de apoio (de visão) filosófico, as duas escolhas são perfeitamente válidas. Pela razão prática, a primeira hipótese é preferível. Quem escolhe a segunda, o faz de acordo com sua verdade a priori, que vale por si e dispensa validação empírica.

Todo Ser humano, só por sê-lo, tem a dignidade em si, algo como inerente à condição humana. Mas o autor da frase talvez se refira não a dignidade do Ser humano, mas a do agir, e é nesse campo que Divaldo parece querer tratar a questão, o da conduta intersubjetiva. A dignidade no agir pode e deve ser objeto de valoração. Talvez, ouvindo a entrevista completa, seja possível a devida contextualização e compreensão.

Assistam a entrevista: https://youtu.be/bIrnAZOgAyY