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Allan Kardec racista! Será?

Circula por aí, em conversas e artigos publicados na rede mundial (um dos artigos você pode conferir aqui), que Allan Kardec era um racista brutal.

O argumento parte do seguinte trecho do livro “A Gênese”:

O progresso não foi, pois, uniforme em toda a espécie humana; raças mais inteligentes naturalmente progrediram mais que as outras, sem contar que os Espíritos, recentemente nascidos na vida espiritual, vindo a se encarnar sobre a Terra desde que chegaram em primeiro lugar, tornaram ainda mais sensíveis a diferença do progresso. Com efeito, seria impossível atribuir a mesma antiguidade de criação aos selvagens que mal se distinguem dos macacos, que aos chineses, e ainda menos aos europeus civilizados” (Allan Kardec, A Gênese, p. 187)

Pelo trecho, isoladamente, realmente, Kardec era racista. Essa conclusão só é possível graças a uma técnica de interpretação muito comum: retirar as palavras do contexto. Técnica essa muito utilizada pelas pessoas inexperientes e desacostumadas com a leitura atenta e, também, pelas mal intencionadas.

Se você tem alguns “calos” adquiridos no exercício da leitura, percebeu o sentido jocoso dado, acima, à palavra “técnica”. Essa é uma das maravilhas – e perigos – da comunicação.

Vamos ampliar… O trecho especificado (n. 32) está no Capítulo XI – “Gênese espiritual”. Regra básica de hermenêutica manda observar o local em que se encontra o texto numa determinada obra. Esta regra acabamos de aplicar.

E aí? Do que trata o capítulo, especificamente? Trata-se da abordagem e análise de teorias sobre a gênese (criação, surgimento) do espírito numa perspectiva paralela à gênese orgânica (do corpo biológico).

Outra recomendação da hermenêutica é situar o texto no tempo. A época em que Kardec traz à luz a obra (1868) fervilhava em teorias e as descobertas das semelhanças anatômicas e fisiológicas do corpo humano com os animais, em especial os primatas, excitava os intelectos.

Outra regra de hermenêutica é situar o autor no seu tempo e na cultura na qual estava imerso. Allan Kardec era um homem europeu e sua visão do mundo, portanto, eurocêntrica.

E, finalmente, outra regra de hermenêutica manda conhecer bem o pensamento do autor (lendo suas obras) para fazer uma interpretação coerente. Cuidado deve ser redobrado no caso de obras traduzidas.

Voltando ao trecho (n. 32), vemos nos tópicos anteriores, que Kardec apresenta o resumo de várias teorias publicadas na revista espírita. Revista de caráter científico, não fazia censura sobre as hipóteses que eram apresentadas. O debate era a regra.

Kardec expõe, assim, as teorias materialistas e as espiritualistas e depois começa a análise. No item 32 Kadec está no ponto em que justamente demonstra que, sem a hipótese espírita, as diferenças entre as raças – palavra que na época tinha significado mais amplo podendo significar, inclusive, cultura, e estava em alta nos meios acadêmicos – poderia justificar a superioridade de umas em relação a outras, que haveria superioridade de uma raça.

Lendo os itens antecedentes ao destacado (n. 32), observa-se que Kardec parte da teoria de que as “raças” na verdade são agrupamentos de espíritos de origem comum (teoria da transmigração entre mundos) que teriam reencarnado em bloco, por exemplo, e assim apresentariam tendências uniformes e certas habilidades inatas. O clima (questão também abordada em outras partes do livro) teria a capacidade de estimular habilidades ou mitigá-las.

Logo, certas habilidades podem originar vantagens competitivas na área da tecnologia, por exemplo, e fazer com que certos agrupamentos humanos – “raças” – apresentem-se como sendo “superiores”, levando-as, graças a inferioridade moral, a submeter as que estivessem em desvantagem.

Na visão eurocêntrica, isso se caracterizava no fato de que civilizações americanas e africanas eram tidas como inferiores à europeia, que era a visão comum de um europeu materialista e até mesmo espiritualista, nos idos de 1860.

Se as grandes “descobertas” territoriais tivessem ocorrido 500 anos antes, os árabes teriam essa impressão. Se 1000 anos antes, os chineses teriam elaborado essa concepção.

Assim, Kardec não está corroborando a teoria racista, ao contrário, seu objetivo foi mostrar que na visão materialista da época a teoria da superioridade racial se impõe e na interpretação espírita é afastada. Isso está bem delineado nesta passagem, no item n. 36, Cap. I:

Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas

Fica claro que Kardec não está, no item n. 32 do Capítulo XI, defendendo a teoria da superioridade racial. Está demonstrando a teoria. De fato, não faria o menor sentido dizer o que disse no Capítulo I e depois defender teoria de “superiodade de raça” mais adiante.

Parece defender a tese de que a aparente e momentânea superiodade de um determinado povo ou “raça” seria simples questão de experiências acumuladas, da vivência dos espíritos de determinados agrupamentos, como um aluno do último ano que pode aparentar “superioridade” ou “mais inteligência” do que o novato.

Assim, Kardec apresenta a teoria espírita (crença reencarnacionista) como argumento para refutar a teoria da raça superior. Como propagador do Espiritismo, era natural que apresentasse a concepção espírita (tendo a reencarnação como sendo um postulado básico, universal) como superior à concepção materialsta.

Usando diversas técnicas argumentivas (p.e., a prova por contradição ou prova pelo absurdo), mostrou que na visão espírita a suposta superioridade racial é ilusória, porque se observa a questão – o objeto – de forma estática e sob a perspectiva de rejeição à hipótese/crença da reencarnação.

Observando os povos e agrupamentos de forma dinâmica, estendendo o olhar ao longo de milênios (e para fora deste Orbe), vê-se que alguns agrupamentos podem se apresentar um pouco mais avançados numa época e em outra um pouco para trás, segundo determinados critérios (a tecnologia, a arte etc), isso se tal “mensuração” for possível, algo que, na época, não se recusava ao debate. Era um tempo para (e de) especulações.

Porque Kardec ainda admitia a teoria ou a crença de “raça superior” como merecedora de estudo? Kardec era um homem de ciência e a ciência da época ainda estava recolhendo dados sobre esse e vários outros assuntos. Razões morais para refutar a crença em raça superior Kardec já as tinha. Procurava no método cíentífico outras razões.

Só para situar no tempo, Darwin publicou sua teoria sobre a Origem das Espécies em 1859, praticamente concomitante com “A Gênese” de Kardec. E somente depois de 1870 que Darwin começou a ser levado a sério.

Portanto, ler todo o capítulo, melhor ainda, ler todo o livro é a melhor forma (talvez a única) de compreender o pensamento, com menos imprecisão, deste grande homem e pensador.

Cinco casos intrigantes de suposta reencarnação

http://www.mundointrigante.com.br/5-casos-intrigantes-suposta-reencarnacao/

Todas as religiões se identificam num ponto: a alma e a sua sobrevivência à destruição do corpo físico.

No entanto, a reencarnação não é ponto pacífico. Nesta matéria temos a descrição de alguns casos com fortes evidências da ocorrência do que os espíritas denominam multiplicidade de existências.

Boa leitura.

A viagem de uma alma

viagemalma

Um dos assuntos mais complexos na doutrina espírita é o mundo espiritual. Os espíritos quando se comunicam não podem descrever minuciosamente o ambiente espiritual, não somente por não existir vocabulário nos idiomas da terra que pudesse exprimir de modo claro o assunto, mas sobretudo porque a verdade deve ser uma busca permanente. A afirmação da existência do céu e do inferno não mais satisfaz o homem e a mulher modernos na ânsia de melhor explicação do porquê da vida e da morte, mantendo-se na angustiada situação de que a vida é um ponto de interrogação entre o berço e o túmulo. Quanto à existência do mundo espiritual não há qualquer dúvida a respeito, mercê de vários fatos concretos e trazidos ao público por meio de literatura, especialmente aquelas escritas por cientistas.

Na busca de obras que tratem do assunto, deparei-me com um livro que já vendeu mais de 150.000 exemplares. Trata-se da obra A viagem de uma alma, escrita por Peter Richelieu, editado pela Editora Pensamento. O autor narra a jornada de um homem que, depois da morte do irmão, entra em estado de depressão e implora ajuda aos céus para compreender essa perda. Seu apelo é atendido e ele recebe a visita de Acharya, um mestre indiano, que lhe diz que seu irmão está vivo e oferece-lhe uma oportunidade para se certificar disso. Valendo-se da projeção astral, ele empreende uma série de viagens aos diversos subplanos do plano astral, onde descobre que tipo de experiência aguarda os seres humanos apos a morte. Cada nível ensina alguma coisa nova e possibilita uma percepção direta dos mistérios desconhecidos da vida e da morte. Após vários encontros com os que se foram, entre os quais o irmão, ele compreende que é irracional temer a morte.

Esta obra investiga o mundo dos elementos da natureza desde fadas até anjos -, a reencarnação, o karma, a vida após a morte e o livre-arbítrio. Uma obra tão rica e cativante que faz o leitor sentir que ele próprio também está se submetendo a uma iniciação nos mistérios da vida. Na viagem astral de que trata a obra é explicitado o que seja o corpo astral, composto de matéria muito mais fina do que a física, o qual pode viajar em torno do mundo em cerca de dois minutos e meio. É uma oportunidade feliz de descobrir como vive o mundo espiritual.

Muito embora não se trate de uma obra espírita, uma vez que o seu texto não traz qualquer menção expressa, todos os homens e mulheres, iguais em espírito, quando adormecem, tendem sempre a realizar viagens astrais. Para tanto, poderão receber instruções por meio do site www.serespiritual.org.

Ubirajara Emanuel Tavares de Melo, Vice-Presidente da ADE, diretor do NEIL. Texto publicado no Jornal do Commercio de 07 de julho de 2013.