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A ignorância é um problema muito sério

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Brasileiros têm uma tendência a achar tudo engraçado. Qualquer assunto dá piada. Mas a ignorância pode causar sérios problemas, individual e coletivamente

Nosso país e nossa cultura acostumou-se a uma concepção de “liberdade” que se traduz num “vale-tudo” ou “tudo-pode”, principalmente na área da linguagem e na construção de ideias.

Gente despreparada (ou totalmente ignorante mesmo) vem se metendo em áreas totalmente desconhecidas e menosprezadas pela coletividade e, por ausência de interesse ou fiscalização, com auxílio da internet, essa situação vem se configurando como um campo livre para semear e reproduzir ignorância.

As consequências estão aí e a mais evidente delas é que o povo sem instrução e sem treinamento na habilidade de análise e reflexão autorizou a entrega do poder de todo um país nas mãos de gente inepta, ignorante e crédula (ver https://www.youtube.com/watch?v=AZYZspW42Y0). Essa gente é presa fácil para espertinhos e/ou psicóticos. O perigo é real.

No livro LTI – a Linguagem do Terceiro Reich, Victor Klemperer registrou durante todo o período do regime nazista até o sua queda como a ignorância coletiva foi primeiro capturada e depois cultivada e reproduzida pelo regime e como esse processo foi fundamental para envolver e seduzir o povo alemão com as ideias e princípios nazistas.

Uma amostra disso está nesse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=8Z2drcASkgg. Assistam, é uma comédia lamentável.

Depois leiam o livro. Recomendo demais (resumos da obra: http://www.periodicos.letras.ufmg.br/…/m…/article/view/15908 e também: http://www.scielo.br/pdf/pg/n15/a11n15.pdf ). A obra completa pode ser localizada para download pelo Google.

Se fosse um homem bom, teria morrido

Falando de um homem mau, que escapa de um perigo, costumais dizer: “Se fosse um homem bom, teria morrido.” Pois bem, assim falando, dizeis uma verdade, pois, com efeito, muito amiúde sucede dar Deus a um Espírito de progresso ainda incipiente prova mais longa, do que a um bom que receberá a graça de ter tão curta quanto possível a sua provação.

Porquanto, aquele que parte concluiu a sua tarefa e o que fica talvez não haja principiado a sua. Por que, então, haveríeis de querer que ao mau faltasse tempo para terminá-la e que o outro permanecesse preso à gleba terrestre?

Que diríeis se um prisioneiro, que cumpriu a sentença contra ele pronunciada, fosse conservado no cárcere, ao mesmo tempo que restituíssem à liberdade um que a esta não tivesse direito?

Ficai sabendo que a verdadeira liberdade, para o Espírito, consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo e que, enquanto vos achardes na Terra, estareis em cativeiro.

Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender e crede que Deus é justo em todas as coisas. Muitas vezes, o que vos parece um mal é um bem.

Fenelon (espírito), 1861.
Trechos de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” Cap. V. 22

Estado laico

Um autocrata é alguém que usa dos meios necessários para impor seu ponto de vista, suas vontades. Se é um político, usará justamente do apoio popular quando perceber que parcela significativa da população também tem o mesmo “perfil”, o de impor suas “verdades” aos outros.

O discurso de laicidade não é novo e violações ao princípio do Estado Laico não é novidade. Laicidade significa não afirmar e não negar Deus e essa laicidade deve ser praticada como respeito às crenças de cada um e de todos (inclusive a crença em não ter crença), sem imposições e com respeito à convivência.

Um exemplo prático foi Mahtma Ghandi. Era induísta, mas no tempo em que morou e trabalhou na África do Sul, como advogado, fazia questão de dar a seus funcionários o direito de cada um expressar e viver sua fé. Respeitava seus feriados e hábitos, fossem eles judeus, cristãos ou mulçumanos, dava o direito de cada um a sua própria religiosidade e individualidade. Só havia um proibição: o desrespeito.

Mahtma Ghandi era hindu e, como era chefe e patrão, poderia impor sua crença e hábitos no seu escritório, mas fazia justamente o contrário, não somente se recusava “o direito” de impor e proibir, como fazia questão de que cada um exercesse com liberdade e respeito sua própria fé.

Para isso autorizava folgas, liberava os funcionários nos horários específicos dos rituais e assim por diante. É um exemplo que infelizmente não é considerado pela maioria das pessoas.

Vemos em órgãos públicos, por exemplo, imagens e crucifixos, que configuram um desrespeito ao princípio do Estado Laico e aos que professam crenças que não admitem culto de imagens. Num ambiente público e estatal não tem cabimento uma manifestação dessa natureza.

Estado Laico é, portanto, estado que respeita a convivência e a pluralidade de crenças e não crenças, abdicando de professar ou patrocinar qualquer forma de manifestação, seja afirmando ou negando uma crença ou religião.