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Se fosse um homem bom, teria morrido

Falando de um homem mau, que escapa de um perigo, costumais dizer: “Se fosse um homem bom, teria morrido.” Pois bem, assim falando, dizeis uma verdade, pois, com efeito, muito amiúde sucede dar Deus a um Espírito de progresso ainda incipiente prova mais longa, do que a um bom que receberá a graça de ter tão curta quanto possível a sua provação.

Porquanto, aquele que parte concluiu a sua tarefa e o que fica talvez não haja principiado a sua. Por que, então, haveríeis de querer que ao mau faltasse tempo para terminá-la e que o outro permanecesse preso à gleba terrestre?

Que diríeis se um prisioneiro, que cumpriu a sentença contra ele pronunciada, fosse conservado no cárcere, ao mesmo tempo que restituíssem à liberdade um que a esta não tivesse direito?

Ficai sabendo que a verdadeira liberdade, para o Espírito, consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo e que, enquanto vos achardes na Terra, estareis em cativeiro.

Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender e crede que Deus é justo em todas as coisas. Muitas vezes, o que vos parece um mal é um bem.

Fenelon (espírito), 1861.
Trechos de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” Cap. V. 22

Estado laico

Um autocrata é alguém que usa dos meios necessários para impor seu ponto de vista, suas vontades. Se é um político, usará justamente do apoio popular quando perceber que parcela significativa da população também tem o mesmo “perfil”, o de impor suas “verdades” aos outros.

O discurso de laicidade não é novo e violações ao princípio do Estado Laico não é novidade. Laicidade significa não afirmar e não negar Deus e essa laicidade deve ser praticada como respeito às crenças de cada um e de todos (inclusive a crença em não ter crença), sem imposições e com respeito à convivência.

Um exemplo prático foi Mahtma Ghandi. Era induísta, mas no tempo em que morou e trabalhou na África do Sul, como advogado, fazia questão de dar a seus funcionários o direito de cada um expressar e viver sua fé. Respeitava seus feriados e hábitos, fossem eles judeus, cristãos ou mulçumanos, dava o direito de cada um a sua própria religiosidade e individualidade. Só havia um proibição: o desrespeito.

Mahtma Ghandi era hindu e, como era chefe e patrão, poderia impor sua crença e hábitos no seu escritório, mas fazia justamente o contrário, não somente se recusava “o direito” de impor e proibir, como fazia questão de que cada um exercesse com liberdade e respeito sua própria fé.

Para isso autorizava folgas, liberava os funcionários nos horários específicos dos rituais e assim por diante. É um exemplo que infelizmente não é considerado pela maioria das pessoas.

Vemos em órgãos públicos, por exemplo, imagens e crucifixos, que configuram um desrespeito ao princípio do Estado Laico e aos que professam crenças que não admitem culto de imagens. Num ambiente público e estatal não tem cabimento uma manifestação dessa natureza.

Estado Laico é, portanto, estado que respeita a convivência e a pluralidade de crenças e não crenças, abdicando de professar ou patrocinar qualquer forma de manifestação, seja afirmando ou negando uma crença ou religião.

Meu Reino não é deste mundo

De tudo que Jesus nos legou, este parece ser um dos mandamentos menos lembrado e menos ainda praticado.

Todos os dias, praticamente, assistirmos jogadores de futebol, atletas, políticos, apresentadores de programa de auditório e pessoas comuns que, diante de qualquer acontecimento mudano, atribuem o sucesso a Deus, a Jesus, a Nossa Senhora etc.

Particularmente, nunca vi jogador derrotado em uma partida de futebol ou candidato derrotado numa campanha política fazerem discurso agradecendo a Deus pela derrota. Impressionante como cristãos no geral não praticam o Cristo: a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus – Mateus, 22:21.

O que tem Deus, Jesus ou Maria com futebol, política? Nada. Vence o jogo quem treina mais e durante o jogo mantém a calma e a disciplina tática. Na política, vence… Deixa pra lá.

Jesus deixou esse e muitos outros ensinamentos, mas insistimos em ignorá-los. Deve ser uma das razões pelas quais tomamos decisões infelizes e irefletidas o tempo todo, movidos não pela razão mas pelo sentimentalismo mais primitivo e aí se busca a fé para apoiar essa falta de senso e e de reflexão nas decisões.

Jesus, representante maior do Divino na terra, deixou bem claro que não temos esse direito, o de usar a fé de forma desviada e deturpada. Não se trata aqui de ingratidão, muito pelo contrário, devemos ser gratos ao Pai pela vida, pela saúde e tudo o mais. Trata-se de separar o que deve ser separado.

E por que me chamais: ‘Senhor, Senhor’, e não praticais o que Eu vos ensino? – Lucas, 6:46.