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Difícil esse tal Espiritismo

Não se transforma uma sociedade conservando os valores que lhe alicerçam.

Eis um exemplo de como ver a “teoria” do enunciado acima, na prática.

A classe médica não corresponde a 20% da força de trabalho (e os próprios não se consideram “força de trabalho”… 😅).

Mas desde o começo da Pandemia (e antes dela também), é praticamente a única categoria que é ouvida e ou consultada pela mídia para falar do enfrentamento da doença e, se um médico morre, é notícia nacional.

Mas quantos enfermeiros, auxiliares, técnicos, fisioterapeutas já foram consultados, ouvidos ou tiveram a morte noticiada com grande pesar?

Um exemplo: faço parte de um grupo de ZAP de pessoas simpáticas a nossa religião. Nesse grupo tem familiares de duas pessoas com Covid19 e que estão hospitalizados.

Uma é muito querida por todos. Frequentador dos encontros. Pessoa de grande simplicidade e de coração enorme. Falou-se aqui e acolá sobre seu estado de saúde. Não muita coisa.

Aí surge a notícia de que um médico conhecido na cidade está com Covid19 e está também hospitalizado. E depois dessa notícia, o grupo há duas semanas não fala de outra coisa. Tem até corrente de oração com hora marcada… Para o médico.

Só que nunca (pelo menos que eu saiba), fez ele parte do grupo, nem se tem se sabe se tem simpatia pela religião.

O primeiro – gente simples e do bem – segue se recuperando, apesar de ter sido esquecido. E o médico também está se recuperando, só que com atualização diária sobre seu estado de saúde.

Não se transforma uma sociedade conservando os valores que lhe alicerçam.

A ignorância é um problema muito sério

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Brasileiros têm uma tendência a achar tudo engraçado. Qualquer assunto dá piada. Mas a ignorância pode causar sérios problemas, individual e coletivamente

Nosso país e nossa cultura acostumou-se a uma concepção de “liberdade” que se traduz num “vale-tudo” ou “tudo-pode”, principalmente na área da linguagem e na construção de ideias.

Gente despreparada (ou totalmente ignorante mesmo) vem se metendo em áreas totalmente desconhecidas e menosprezadas pela coletividade e, por ausência de interesse ou fiscalização, com auxílio da internet, essa situação vem se configurando como um campo livre para semear e reproduzir ignorância.

As consequências estão aí e a mais evidente delas é que o povo sem instrução e sem treinamento na habilidade de análise e reflexão autorizou a entrega do poder de todo um país nas mãos de gente inepta, ignorante e crédula (ver https://www.youtube.com/watch?v=AZYZspW42Y0). Essa gente é presa fácil para espertinhos e/ou psicóticos. O perigo é real.

No livro LTI – a Linguagem do Terceiro Reich, Victor Klemperer registrou durante todo o período do regime nazista até o sua queda como a ignorância coletiva foi primeiro capturada e depois cultivada e reproduzida pelo regime e como esse processo foi fundamental para envolver e seduzir o povo alemão com as ideias e princípios nazistas.

Uma amostra disso está nesse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=8Z2drcASkgg. Assistam, é uma comédia lamentável.

Depois leiam o livro. Recomendo demais (resumos da obra: http://www.periodicos.letras.ufmg.br/…/m…/article/view/15908 e também: http://www.scielo.br/pdf/pg/n15/a11n15.pdf ). A obra completa pode ser localizada para download pelo Google.

Se fosse um homem bom, teria morrido

Falando de um homem mau, que escapa de um perigo, costumais dizer: “Se fosse um homem bom, teria morrido.” Pois bem, assim falando, dizeis uma verdade, pois, com efeito, muito amiúde sucede dar Deus a um Espírito de progresso ainda incipiente prova mais longa, do que a um bom que receberá a graça de ter tão curta quanto possível a sua provação.

Porquanto, aquele que parte concluiu a sua tarefa e o que fica talvez não haja principiado a sua. Por que, então, haveríeis de querer que ao mau faltasse tempo para terminá-la e que o outro permanecesse preso à gleba terrestre?

Que diríeis se um prisioneiro, que cumpriu a sentença contra ele pronunciada, fosse conservado no cárcere, ao mesmo tempo que restituíssem à liberdade um que a esta não tivesse direito?

Ficai sabendo que a verdadeira liberdade, para o Espírito, consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo e que, enquanto vos achardes na Terra, estareis em cativeiro.

Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender e crede que Deus é justo em todas as coisas. Muitas vezes, o que vos parece um mal é um bem.

Fenelon (espírito), 1861.
Trechos de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” Cap. V. 22