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Pandemia e Ciência

Os riscos de uma pandemia são muitos. Um deles é termos na direção dos governos gente que não adquiriu ao longo da vida o hábito da reflexão e do estudo sério e metódico.

A ciência errando ainda é melhor que o acerto aleatório baseado no senso comum e na credulidade.

Porque quem toma decisões com base no acerto aleatório só registra o acerto. A ciência registra quando se erra e quando se acerta e aí se pode alcançar alguma análise razoável.

Por isso que aparece um líder mundial que não acredita em ciência mandando fabricar um remédio não testado para distribuir nos hospitais só porque funcionou com uma dezena de pacientes.

Aí vem o cientista para salvar a situação e dizer que: “Não é bem assim; não é assim que funciona a coisa; não sabemos se funciona mesmo. Não há dados suficientes para definir a segurança e a eficácia do tratamento.”

Pois é…

Sabemos quantos pacientes tomaram o milagroso remédio e ao invés de melhorar pioraram o quadro? Sabe-se quais eram as condições dos pacientes observados? Quais remédios de uso contínuo eles usavam? Quais os riscos e os efeitos colaterais dos medicamentos em teste?

Ciência é coisa muito chata. Só fica perguntando as coisas…

Ciência: ruim com ela, pior sem ela.

Espiritismo e Política

Não há dúvida de que a tribuna espírita é destinada à discussão e à exposição da doutrina espírita e dos valores morais do Cristo (atenção: não estou a dizer “valores cristãos”).

Que cada um pode e deve se posicionar politicamente não temos dúvidas. Mas a tribuna espírita é coisa séria. Quando estamos nela somos porta-vozes do Espiritismo.

Que as preferências políticas e ideológicas devem ficar longe da tribuna, não parece haver dúvida. Porém, não se pode esquecer que o Espiritismo foi construído sobre os valores da liberdade, solidariedade, fraternidade, do livre pensar e do livre expressar.

Também está na base da construção da doutrina o permanente revisionismo dos seus postulados com base no CUEE: a garantia da perpétua compatibilidade com os fatos e com o mundo em constante transformação.

Como propagador dos valores do Cristo, o Espiritismo prega o respeito mútuo, prega a abominação ao preconceito sob todas as formas, à violência e à propagação do ódio.

Tenho certeza que dá pra defender esses postulados sem fazer proselitismo político-ideológico.

No entanto, causa pesar ver os “astros do espiritismo brasileiro” usando a tribuna espírita para se meter em assuntos que não dominam e em muitos casos fazer proselitismo político-ideológico sob pretexto de “defesa dos valores morais cristãos”.

A melhor forma de defender valores é exemplificando. É que nos ensina todos os manuais de boa conduta. Mas o que temos visto é algo lamentável.

Outro dia, um desses “popstar” comentava a tal “ideologia de gênero”. Qualquer pessoa medianamente informada sabe que a própria expressão já é uma fake news. Quanta bobagem.

Quem se der ao trabalho de estudar um pouco a ODS5 da ONU vai entender um pouco o que é essa questão das políticas de gênero, que na verdade se refere à necessidade de que governos desenvolvam políticas sociais voltadas à redução da desigualdade social e econômica correlacionada ao gênero.

Porém, nossas estrelas também são vítimas de todo esse processo muito relacionado a essa mania nossa de eleger astros, estrelas e heróis, dentro e fora do movimento. Kardec foi sábio e exemplar em evitar esse transtorno.

Concluímos, tendo Kardec como prova, que dá para defender os princípios do Espiritismo e os valores do Cristo sem necessariamente atacar as convicções de quem quer que seja.

Deixemos que eles reflitam nas palavras da doutrina espírita e nas do Evangelho, sem ataques. Quando se ataca ou se critica alguém dispara-se nele um mecanismo de defesa psicológica (ninguém gosta de admitir que está equivocado), que busca confirmar a crença na qual já se depositou confiança, tornando-o repelente a qualquer coisa que a infirme.

Expondo a doutrina corretamente e falando dos valores do Cristo com persistência, a resistência vai sendo minada e uma hora a ficha cai.