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A polêmica sobre o Porta dos Fundos

O grupo humorístico conhecido como “Porta dos Fundos” fez veicular um episódio satírico e caricato retratando uma versão sobre o que seria uma festa de aniversário para Jesus.

O episódio, como é o natural do canal de humor, fez piadas sobre questões religiosas e dogmas sempre com um tempero de crítica social e política.

O que chamou a atenção não foi a piada, mas a reação inédita por parte de políticos, religiosos e entidades correlatas. Tivemos até decisão judicial pretendendo proibir a veiculação em canal fechado de TV. Tempos obscuros vivemos.

A reação é mais digna de comentários do que o episódio em si. O humor ruim é combatido com vaias e só, assim sempre foi e assim deve continuar para o bem da sanidade mental coletiva.

Precisamos refletir sobre as reações. Será que só é permitido fazer humor sobre crenças e religiões se a piada for com religião de “pobre e preto”, como fazia Chico Anísio com o personagem “Painho”? Não lembro de ter testemunhado reações indignadas.

Parece que o real problema, o que incomoda, não é a piada com uma religião ou com Jesus, mas com a religião da classe dominante.

Porque será que não li “nota indignada” quando o mesmo canal de humor fez uma piada retratando o mesmo Jesus como um “pitboy” que cospe no chão, violento, machista e misógino?

Porque só agora que fizeram uma sátira com um Jesus delicado, preocupado com a própria felicidade e em suposto relacionamento homoafetivo desperteu-se a indignação furiosa?

Dá o que pensar, não?

Joanna de Angelis nos adverte para a importância de analisarmos como reagimos e nos posicionamos diante dos acontecimentos. As reações são mais importantes até mesmo do que os próprios fatos, pois revelam nossa natureza íntima (inclusive acerca do que não temos consciência plena ou não queremos admitir).

Ademais, vale aplicar ao caso a resposta ao 532 de “O Livro dos Espíritos” – uma obra ditada por ESPÍRITOS SUPERIORES e organizada e editada por Allan Kardec (pseudônimo adotado pelo pedagogo, filólogo e filósofo Hipolite Leon Denizard Rivail): muitas vezes de um mal que nos aflige, surge um bem muito maior.

Uma coisa é certa: Jesus não saiu nem um milímetro menor depois do episódio. Aliás, como disse Mahtma Ghandi, Cristo é admirável, já os cristãos… acreditamos que os próprios humoristas sabem disso, também.

Logo, as perguntas que devem ser feitas são:

Os humoristas queriam o quê com o episódio?

O que fazemos nós cristãos com a doutrina que o Cristo nos deu para merecermos a caricatura?

Dá o que pensar…

Feliz 2020: 366 dias é muito tempo…

Bom dia, 31/XII/2019.

E a Terra redonda já iniciou o seu derradeiro giro em torno do próprio eixo, no ano de 2019, conforme calendário gregoriano adotado a partir de 1582, por ordem do Papa Gregório XIII.

O que deu pra fazer, deu. O que não, não deu.

Só que 2020 tem um presente: um dia a mais! Serão 366.

Logo, você não terá a desculpa da falta de tempo pra não fazer o que tem que fazer. 😄😉

Feliz 2020, com 366 dias!!! 🙌🏼

Fenômenos físicos e espiritismo

Allan Kardec já alertava para os riscos dessa modalidade de mediunidade e os cuidados necessários para lidar com esses tipos de fenômenos.

Não bastassem os riscos envolvidos, é a modalidade que mais atrai a atenção e é a mais fácil de fraudar. Não se pode negar que os fenômenos físicos estão no surgimento da doutrina espírita. Chamaram a atenção do Prof. Rivail. Mas superada a fase da curiosidade, o professor passou a dar primazia a fenômenos intelectuais: psicografia e psicofonia.

Logo a análise passou a se concentrar no conteúdo das mensagens e instruções, quanto à lógica e à coerência com o pensamento da maioria das comunicações (CUEE) e do que a ciência e a filosofia já ofereciam.

Ideias são muito mais difíceis de fraudar e mais difíceis de analisar também e não é atraente para as massas, o que normalmente afasta os prestidigitadores.

No Brasil, o espiritismo enveredou por uma característica típica dos povos latinos: culto a personalidade. Kardec sabia que a exposição da mediunidade poderia (e pode) por a perder um medium e isso já era um problema em sua época, por isso omitia os nomes e não confiava as comunicações a um único médium, portanto, os espíritas brasileiros tem muito a aprender com as obras básicas do espiritismo.

De outro lado, não se pode avaliar o trabalho de Kardec como pseudociência pois não existiam as técnicas e os métodos que hoje conhecemos. Cesare Lombroso, por exemplo, da mesma época, acreditava fazer ciência em seus estudos sobre criminologia.

É preciso sempre ter mente que uma pessoa é o que é em função de suas experiências e do que existe e acontece no seu tempo.

O trabalho de Kardec foi um esforço respeitável na tentativa de análise e compreensão de fenômenos psíquicos partindo praticamente do nada, quase zero, numa época em que tais fenômenos eram coisas de padre. Não por acaso a doutrina espírita foi duramente criticada e combatida pela Igreja.

O mesmo equívoco há na tentativa de dogmatizar os achados de Kardec e os seus métodos. Muito do material que ele trabalhou, hoje está na psicologia, na psiquiatria e na sociologia (ramos que sequer existiam). Outra parte serve apenas como fonte histórica.

Kardec fez um grande esforço no sentido de conciliar religião com filosofia e ciência. Não se pode afirmar que tenha tido pleno sucesso, afinal, faltou quem desenvolvesse o método e a abordagem para acompanhar o desenvolvimento das técnicas e do conhecimento científico.

Sabemos, por exemplo, dos enxertos que a doutrina espírita passou a sofrer após sua morte, não obstante o esforço de muitos para tentar protegê-la das influências de doutrinas exóticas e proto-religiosas.

Aliás, o próprio Kardec recomendou: se uma tese apresentada pelo espiritsmo não se encaixar ou for negada pela ciência, fica com esta. Infelizmente, os espíritas costumam não levar a sério a recomendação.

O esforço foi nobre, incipiente, somente 10 anos de trabalho, mas relevante. Infelizmente o “religiosismo” tomou conta do espiritismo por aqui, da mesma forma que o exoterismo a dominou no continente europeu e norteamericano.

O sincretismo no Brasil é tão evidente que os centros espíritas acabaram por assumir feições de templo e as práticas, em muitas casas, adotaram aspectos místicos e ritualísticos.