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A salvação segundo o espiritismo

Por José Edson F. Mendonça

O que nos espera depois desta vida? O que devemos fazer para garantir um  “bom lugar” após a morte? A salvação é ir para o Céu? É nos livrarmos do “fogo do Inferno”? Para isso, basta a Fé, ou são as obras que nos conduzirão ao Paraíso? É a conquista da “vida eterna”? Ou da “felicidade futura”? Afinal, em que consiste a salvação?

Apresentam-se aqui, muito sucintamente, esclarecimentos, à luz do Espiritismo, sobre o tema.

Allan Kardec – o insigne Codificador -, no memorável livro O Evangelho segundo o espiritismo, dedica todo o cap. XV – “Fora da caridade não há salvação”, à explicação detalhada do binômio: caridade x salvação; enfatiza em dez itens, um magnífico conteúdo que vale a pena estudar todo: “O de que precisa o espirito para se salvar. Parábola do Bom Samaritano. O Mandamento maior. Necessidade da Caridade, segundo Paulo, Fora da Igreja não há Salvação. Fora da verdade não há salvação. Instruções dos Espíritos: Fora da Caridade Não há salvação (Paulo, o apóstolo – Paris, 1860)”. Essa referida parte tem início com duas importantes transcrições dos Evangelhos: a primeira, de Mateus (25:31-46), que aborda a alegoria do juízo final e, a outra, de Lucas (10: 25 a 37), sobre a famosa parábola do bom samaritano. Allan Kardec sintetiza as duas passagens, dizendo quanto à primeira, que: “Ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma ideia dominante – a da felicidade reservada ao justo e da infelicidade que espera o mau”, e que, naquele julgamento supremo, o juiz não pergunta se o inquirido preencheu tal ou qual formalidade, se observou tal ou qual prática exterior. “Não! Inquire tão somente se a caridade foi praticada, e se pronuncia dizendo: Passai à direita vós que assististes os vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles”. Sobre a maravilhosa parábola, Kardec comenta que “Jesus coloca o samaritano herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas como a condição única”, visto que ela “implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo” .

Finalmente, é importante observar a questão 982, de “O livro dos espíritos”, onde Kardec indaga e o Espírito de Verdade responde. “Será necessário que professemos o Espiritismo e creiamos nas manifestações espíritas, para termos assegurado a nossa sorte na vida futura?” “Se assim fosse, estariam deserdados todos os que nele não creem, ou que não tiveram ensejo de esclarecer-se, o que seria absurdo. Só o bem assegura a sorte futura. Ora, o bem é sempre o bem, qualquer que seja o caminho que a ele conduza”.

Portanto, pode-se concluir que fora da vivência legítima e sincera das virtudes em nosso íntimo, ou seja, fora dos verdadeiros sentimentos que nos impelem à prática da caridade ativa e desinteressada, fazendo o bem a todos, indistintamente, é que não há salvação.

Texto publicado no Jornal do Commercio, veiculado no dia 11/05/2014. O autor é membro do Instituto Espírita Gabriel Delanne. 
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Espiritismo é religião?

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Kardec, sempre inspirado pelo Espírito de Verdade, na sua vasta obra, jamais considerou o espiritismo como uma religião.

E dizemos mesmo que existiu uma simbiose psíquica perfeita com o Espírito de Verdade, como poderemos ver nas suas “Obras Póstumas”, na mensagem dos Espíritos de Setembro de 1963, onde poderemos ler: “… teu cérebro apreende as nossas inspirações com a facilidade com que tu mesmo as percebes. A nossa atuação, principalmente a do Espírito de Verdade, e constante sobre ti e tal que dela não podes esquivar-te.” O Espírito de Verdade e o Codificador estavam demasiado conscientes dos graves prejuízos que as religiões realizaram na sociedade ao longo dos séculos. A carga psicológica negativa que exerciam na consciência das criaturas era demasiado pesada, escravizava as consciências em lugar de as libertar. As religiões estavam associadas a intolerância, a dominação e ao proselitismo que levou a muitas violências no esforço de impor aos outros as suas convicções, os seus dogmas de fé; estavam indelevelmente ligadas ao obscurantismo, aos privilégios (a “graça”), ao sobrenatural, ao milagre como derrogação das leis de Deus, as hierarquias sacerdotais que se arrogavam de representantes de Deus na Terra (sempre o “poder”); estavam impregnadas de rituais e outras praticas, quase sempre de caráter exterior; etc.

Todas essas crenças, praticas e estruturas são incompatíveis com a nova doutrina que e profundamente simples, racional e tolerante e que nos diz que a “Fé inabalável e somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.”

Allan Kardec, cinco meses antes do seu pensamento, proferiu na Sociedade Espírita de Paris um discurso em que nos disse por que razão o espiritismo não e uma nova religião. Desse discurso, que se poderá ler integralmente na “Revue”, extraímos o seguinte extrato:

“Por que, então, declaramos que o Espiritismo não e uma religião? Porque não ha uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião e inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o publico não veria ai senão uma nova edição, uma variante, se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e privilégios; não separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião publica. Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com o titulo sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.”

Nas suas “Obras Póstumas”, Kardec diz-nos o seguinte: “O Espiritismo é uma doutrina filosófica espiritualista. Por isso toca forçosamente nas bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas não e uma religião constituída, visto não ter nem culto, nem rito, nem templo e, entre os seus adeptos, nenhum recebeu o titulo de sacerdote ou grão-sacerdote.”

E mais, diz-nos que o espiritismo não e incompatível com a ciência, o que não acontece com as religiões: “O Espiritismo marcha de acordo com a Ciência no terreno da matéria: admite todas as verdades que ela comprova, mas onde terminam as investigações desta, prossegue as suas no terreno da espiritualidade.”

Destas afirmações do Codificador tornamos a frisar, sempre escoradas no Espírito de Verdade que nunca o deixou de inspirar na sua missão, como já vimos podemos entender em definitivo porque o espiritismo não e mais uma religião e nem o centro espírita um templo religioso, mas sim a casa onde estudamos a doutrina espírita; onde socorremos os doentes da alma, exercitando assim a fraternidade; onde exercitamos a mediunidade de forma responsável, nomeadamente a serviço fraterno dos espíritos materializados e sofredores que necessitam ainda da palavra e ambientes humanos, para serem esclarecidos e amparados; onde, também, aprendemos a orar.

O centro espírita e a escola e o hospital da alma, ao mesmo tempo. O espírito Emmanuel diz-nos que “E a Universidade da alma, onde as lições de Jesus estão empenhadas em nossas mãos.”

Texto de Carlos Alberto Ferreira

(Extrato do trabalho “Espiritismo: religião futura ou futuro das religiões”, apresentado no II Congresso Nacional de Espiritismo em Portugal e enviado por José Lucas)
(Retirado do Boletim GEAE Número 274 de 06 de Janeiro de 1998)
Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/geae/porque-kardec-nao-considerou.html

Céu e inferno

ceu-e-inferno
Por Isabelle Sarmento – voluntária do Lar Espírita Chico Xavier

Ao contrário do que muita gente pensa, o umbral não é o inferno do espírita, tampouco as colônias espirituais, o Céu. Não é, simplesmente, uma mudança de nomenclatura, como substituir o “amém” pelo “assim seja”. A forte influência de religiões tradicionais faz com que o novato no Espiritismo (ou aquele que não se habituou a estudá-lo) conceba a nova crença apenas como transferência de rituais e dogmas de outras denominações religiosas, uma mera troca da hóstia pelo passe.

Allan Kardec, responsável por organizar pedagogicamente os postulados da Doutrina dos Espíritos, explica que o Espiritismo busca, sobretudo, a renovação e a transformação das almas a partir do amor ao próximo, da benevolência e do perdão das ofensas. E essa reforma íntima dá-se a partir da compreensão da justiça e da providência divinas, das leis de evolução e de causa e efeito, ancoradas pelo esclarecimento da preexistência e sobrevivência da alma, da vida futura e da reencarnação.

Palavra usada no movimento espírita pela primeira vez por André Luiz, médico desencarnado que escreveu a série Nosso Lar através da mediunidade de Chico Xavier, umbral é o “estado ou lugar transitório por onde passam as pessoas que não souberam aproveitar a vida na Terra”. O sentido primeiro do termo é o de “entrada, limiar”. Seria uma região espiritual (não necessariamente circunscrita) imediata ao mundo material, uma perturbação inicial após o desencarne, cuja duração equivale ao estado moral do Espírito. Se endividado e em desequilíbrio, permanece perturbado por mais tempo, se consciente e prudente, a perturbação assemelha-se a breve confusão mental.

O Espírito após a morte não será castigado pelo Deus dos Exércitos com o Inferno ou premiado pelo Pai Amantíssimo com o Céu, mas receberá as recompensas proporcionais ao seu estado de desgraça ou ventura. Jesus nos ensinou que “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. Se ainda não colhemos o que plantamos – de bom ou de ruim – nessa vida, receberemos o fruto da semeadura no futuro, seja no mundo espiritual ou numa próxima oportunidade na Terra. Como ensina Kardec, “a certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à passagem desta para a outra vida. Há muita gente que teme não a morte, em si, mas o momento da transição”.

O inferno e o Céu não passam de estados de espírito, tornando-se condições de sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os Espíritos por suas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos. Não é demais lembrar que Espíritos somos todos nós, encarnados e desencarnados, experienciando nossos infernos e paraísos particulares. A diferença é que estamos “presos nessa cela de ossos, carne e sangue”, no mais, somos absolutamente iguais a eles, com alegrias e frustrações, virtudes e defeitos, medos e desejos. Aos interessados em conhecer mais sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, as penalidades e recompensas futuras, os anjos e demônios, sugerimos a leitura de O Céu e o inferno ou A justiça divina segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.