Arquivo da tag: carrara

Dolorida ocorrência

image

Por Orson Peter Carrara

Agora que a poeira assentou, dirijo-me aos leitores que me perguntaram sobre o lamentável e duro episódio de Santa Maria-RS. Também, como qualquer ser humano, comovi-me às lágrimas diante do episódio tão comovente e cortante ao coração.

As especulações foram muitas, as notícias fartamente exploradas, muita bobagem foi dita tentando explicar o acontecimento. O fato é que vários fatores, e nem é preciso repetir aqui, desencadearam a tragédia. E não adianta agora procurar culpados, é um fato consumado. Deixemos que o tempo responda às nossas dúvidas doídas.

O que é importante nesse momento é a vibração amiga em favor dos pais, cortados pela dor que não podemos imaginar. A prece em favor deles é, aliás, nosso dever, para que sintam ao menos o conforto da solidariedade.

Não temos condições de fechar a questão, pois nos faltam informações que fogem à alçada de simples mortais e limitada condição humana. Por mais que tentemos explicar, sempre faltará um componente cuja origem desconhecemos. Aliás, todos desconhecemos a história de cada vítima, de cada família, de cada jovem que ali sucumbiu. E não me refiro à história presente, mas à bagagem trazida de outras experiências.

As razões, pois, são muitas.  Estão presentes no episódio quadros de provas (degraus  de crescimento para pais e filhos), de consequências do passado (também para pais e filhos) e necessidade de aprendizados (igualmente para todos os envolvidos), que não temos como definir quais especificamente, nem para quem.

É muita leviandade declarar que todas as vítimas estão pagando erros do passado. Claro que há casos assim, mas como definir? Muitos deles podem inclusive ter solicitado passarem por tais situações para algum aprendizado que não temos como alcançar. E muitas vezes alguns casos foram para despertar familiares, a sociedade, e há casos em que não havia tais necessidades citadas, mas foram vividas por circunstâncias que nos escapam completamente.

Como, pois, querer explicar fechando a questão? Não temos acesso às razões de Deus, que são sábias, justas e misericordiosas. Aliás, a misericórdia de Deus está sempre presente em qualquer situação, socorrendo os filhos. Estes, normalmente, em casos assim, nada sentem, porque são amplamente amparados por equipes espirituais especificamente preparadas para essa finalidade.

Deus permite tais casos para nos despertar dessa letargia de insensibilidade, para promover o progresso moral que surge espontâneo na solidariedade e igualmente impacta a sociedade com providências normalmente esquecidas pela leviandade humana, de cidadãos ou autoridades.

O que nos deve nortear o pensamento e a emoção é pensar na Bondade de Deus, que nunca abandona seus filhos. As vítimas e suas famílias estão amparados, apesar do momento muito doloroso. Confiar, pois, aguardar o tempo, sem guardarmos revolta. E ao mesmo tempo nos lembrarmos carinhosamente de todos eles, já acolhidos bondosamente em estâncias superiores de socorro.

Se algo podemos fazer, isso sim, é manter atenção aos locais que frequentamos ou dirigimos, como funcionários ou proprietários, para sempre pensar na questão da segurança pessoal daqueles que ali frequentam, pois o episódio igualmente nos mostra isso.

Em linhas gerais, notemos que o episódio provocou impacto material e moral em toda a sociedade brasileira. É a sabedoria de Deus que permite tais fatos, nunca por capricho ou abandono, mas como lições necessárias ao nosso crescimento. O impacto maior fica por conta da quantidade de vítimas, mas o corpo nada mais é que uma veste. O espírito é o ser principal e que sobrevive à morte do corpo. Há razões que podemos especular, mas nunca poderemos fechar questão pois nos faltam itens históricos que não temos acesso. Então, respeitemos a ocorrência, tirando as lições que nos cabem. Estamos todos aprendendo.

Todos voltarão um dia à pátria de origem. Todo dia tem gente voltando ou chegando. Aprendamos a enxergar além das aparências e unamos os pensamentos em prece em favor de todos os envolvidos nesse triste episódio da história brasileira, que, embora muito dolorido no presente, deixa lições vivas para todos, para um futuro de felicidade e harmonia. E não nos deixemos impressionar por especulações em fundamento.

Anúncios

Bálsamo Espiritual

Imagem

A Editora Mythos Books divulga o mais recente trabalho de Orson Peter CarraraBálsamo Espiritual – Alívio e conforto para momentos difíceis da vida…

Enfermidades que ocasionam dores e sofrimentos, a angústia decorrente de preocupações e medos, além de outras dores morais, agravadas pela partida de um ente querido após o fenômeno natural da morte, inspiraram a elaboração da presente obra.

O objetivo do autor foi oferecer conforto à dor da saudade, da aflição e mesmo à dor das angústias diante das adversidades apresentadas pelo cotidiano da vida. Inspirada por um filme e acrescida de comovente depoimento de um amigo, a obra é um hino de alegria e esperança à superação das dificuldades – como indica o título, um autêntico bálsamo espiritual.

Não sobre a cabeça frágil de um único ser humano

Por Orson Peter Carrara – publicado em O Consolador

Referindo-se ao Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos, no item II – Autoridade da Doutrina Espírita, na Introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec destaca que “(…) Diante desse imponente acordo de todas as vozes do céu, que pode a opinião de um homem ou de um Espírito? Menos que a gota d´água que se confunde no oceano, menos que voz da criança, abafada pela tempestade. (…)”.

E continua com gravidade: “(…) A opinião universal, eis, pois, o juiz supremo, aquele que pronuncia em última instância; ela se forma de todas as opiniões individuais; se uma delas é verdadeira, não tem senão seu peso relativo na balança; se é falsa, não pode se impor sobre todas as outras. Nesse intenso concurso, as individualidades se apagam, e aí está um novo revés para o orgulho humano (…)”.

Em parágrafo anterior do mesmo texto, já havia a advertência: “(…) É diante desse poderoso tribunal ou assembleia, que não conhece nem os conciliábulos, nem as rivalidades invejosas, nem as seitas, nem as nações, que virão se quebrar todas as oposições, todas as ambições, todas as pretensões à supremacia individual; que nós mesmos nos destruiríamos se quiséssemos substituir esses decretos soberanos pelas nossas próprias ideias; só ele decidirá todas as questões litigiosas, fará calar as dissidências, e dará razão, ou não, a quem de direito (…)”.

Tais reflexões são de máxima importância diante de tantas opiniões divergentes sobre tão variados assuntos, bem refletindo a nossa imaturidade humana, especialmente quando também se tratando da prática e do movimento espírita. O raciocínio de Kardec está usado no texto para referir-se ao choque de ideias diante da revelação espírita, mas bem podemos usá-lo igualmente em nosso próprio âmbito interno, doutrinário, onde também se encontram o entrechoque das ideias e as divergências.

É que tais considerações estão exatamente tratando da útil questão do Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos, indicando critério na análise e recepção de tudo o que vem dos Espíritos, onde vamos encontrar farto material para orientar nossas reflexões na aceitação ou rejeição das informações advindas do plano espiritual. Tratando-se de documento importantíssimo, norteador da prática espírita, é texto de estudo e consulta permanente, autêntico roteiro que garante estabilidade na prática espírita.

O hábito de “pular” a introdução dos livros faz o leitor perder muitas pérolas instrutivas, como a acima transcrita. A Introdução, Prefácio ou Apresentação de um livro são valiosos recursos de compreensão e não devem ser desprezados ou ignorados.

É o que ocorre com o que está contido na Introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo, onde se encontram referidos textos.  Nos subtítulos apresentados por Kardec, como Objetivo da Obra, Autoridade da Doutrina Espírita, Notícias Históricas e Sócrates e Platão, apresentados como precursores da ideia cristã e do Espiritismo, o leitor atento encontra farto material para estudos e reflexões, facilitando, como não poderia deixar de ser, o entendimento da obra em seu conjunto e mesmo os fundamentos do Espiritismo.

Embora referindo-se ao que vem dos Espíritos, como pode perceber e sabe o leitor, o mesmo texto pode ser aplicado a nós mesmos, os encarnados, nas velhas dissidências e tolas vaidades das opiniões pessoais. Nossas opiniões e pontos de vistas são muito frágeis e sujeitas a instabilidades de expressão.

Por isso é sempre importante lembrar que a opinião universal é, pois, o juiz supremo das causas. Voltemos a ler o que está acima. Como pondera o Codificador, o que é realmente nossa opinião individual? Apenas uma opinião, que pode estar certa ou equivocada. E, quando certa, está sujeita a um peso relativo e, quando equivocada, nenhum valor tem.

Deus não poderia, pois, colocar a verdade na cabeça frágil de um único ser humano. É exatamente na universalidade do ensino dos Espíritos que está o caráter essencial da Doutrina Espírita, sua força e sua autoridade, refletindo opinião geral, decorrente de lei e não de gostos, tendências ou preferências de um único ser humano ou de um grupo…

Por isso voltemos a estudar a Introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo, para não perdermos tempo com tantas questões inúteis e que somente desviam do foco principal: nossa melhora moral.

Nota do Autor:
Utilizamos na transcrição a 365ª edição do IDE, tradução de Salvador Gentille.